Relacionamento
Enquanto muitas mulheres celebram o Dia dos Namorados ao lado de quem amam, a data também pode despertar reflexões importantes sobre a qualidade dos relacionamentos.
Afinal, quando o amor deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade? Quando o desejo de estar com alguém se transforma em medo de ficar sozinha?
Para a psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa, a diferença entre amor saudável e dependência emocional está, principalmente, na preservação da individualidade.
“Já no amor saudável, a autonomia e a individualidade são preservadas, mesmo com a conexão emocional com o outro”, explica a especialista, em entrevista ao IG.
Psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa
Segundo ela, a dependência emocional acontece quando a pessoa passa a acreditar que precisa do parceiro para se sentir segura, valorizada ou completa. Nesse cenário, o bem-estar emocional fica condicionado à presença, atenção ou aprovação do outro.
Quando o amor começa a machucar
Os sinais da dependência emocional costumam surgir de forma silenciosa e, muitas vezes, são confundidos com demonstrações de amor intenso. No entanto, alguns comportamentos podem indicar que a relação deixou de ser saudável.
Entre eles estão o medo excessivo de abandono, a necessidade constante de validação, a dificuldade em impor limites e a tendência de abrir mão de interesses pessoais para preservar o relacionamento.
A mulher abandona interesses, amizades, projetos pessoais e até opiniões para se adaptar ao outro e preservar o vínculo”, alerta. Psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa
Outro indício frequente é quando o humor passa a depender diretamente da atenção recebida do parceiro. A demora em responder uma mensagem, por exemplo, pode gerar sofrimento intenso, ansiedade ou sensação de rejeição.
O peso do medo de ficar sozinha

O peso do medo de ficar sozinha
O receio de perder o parceiro ou enfrentar a solidão é um dos fatores mais comuns por trás da dependência emocional.
Segundo a psicóloga, esse medo pode influenciar decisões importantes e até a forma como a mulher enxerga a si mesma.
“Pode ser um dos principais indicativos de dependência emocional, especialmente quando esse medo passa a orientar as decisões, os comportamentos e a forma como a pessoa se percebe.“
Em alguns casos, essa insegurança faz com que mulheres permaneçam em relacionamentos que já não fazem bem . A especialista explica que isso acontece por uma combinação de fatores emocionais, sociais e até econômicos.
A esperança de mudança, a baixa autoestima, a dependência financeira, o medo das consequências de uma separação e crenças culturais sobre o papel da mulher nos relacionamentos podem dificultar o rompimento.
“Muitas mulheres permanecem porque acreditam que o parceiro vai mudar. Elas tendem a se apegar aos momentos bons da relação“, afirma.
Impactos na autoestima e na saúde mental

Saúde mental
Quando a felicidade passa a depender exclusivamente do relacionamento, os reflexos podem ser profundos.
A dependência emocional está associada à diminuição da autoconfiança, ao medo constante de rejeição, à dificuldade em estabelecer limites e até à perda da própria identidade.
Do ponto de vista psicológico, um dos sinais mais preocupantes é quando a pessoa começa a acreditar que sua felicidade, seu valor ou até sua capacidade de existir dependem exclusivamente daquele relacionamento.” Psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa
Além disso, podem surgir sintomas como ansiedade, tristeza frequente, oscilações emocionais, sensação de vazio, estresse e até quadros depressivos.
O papel das redes sociais

Relacionamento e o papel das redes sociais
Em tempos de curtidas, visualizações e relacionamentos expostos online, as redes sociais também podem intensificar vulnerabilidades emocionais já existentes.
A comparação constante com casais aparentemente perfeitos, a necessidade de aprovação pública e o monitoramento do comportamento do parceiro são alguns dos fatores que podem agravar a situação.
“As curtidas, comentários, visualizações e respostas rápidas podem funcionar como ‘provas’ de afeto e aceitação. Quando a autoestima passa a depender dessas confirmações, a ausência delas pode gerar ansiedade, tristeza e sensação de desvalor.”
Apesar disso, Rejane ressalta que as plataformas digitais não são a causa da dependência emocional.
“É importante destacar que as redes sociais, por si só, não causam dependência emocional. Elas funcionam como um amplificador de vulnerabilidades já existentes.”
Amar sem deixar de ser quem você é
Para a especialista, um relacionamento saudável não exige que a mulher abandone sua identidade.
“Encontrar esse equilíbrio significa compreender que o ‘nós’ não precisa, e nem deve, apagar o ‘eu’.”
Manter amizades, hobbies, projetos pessoais e objetivos profissionais é uma forma de fortalecer a autonomia dentro da relação. Também é importante aprender a dizer “não” quando necessário, comunicar necessidades de forma clara e desenvolver uma autoestima menos dependente da validação do parceiro.
O amor saudável não é fusão completa nem distanciamento emocional, é a capacidade de caminhar ao lado de alguém por escolha, e não por necessidade.” Psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa
Convite à reflexão
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“Quem eu sou quando não estou nesse relacionamento?“
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“Eu permaneço nessa relação porque desejo estar nela ou porque tenho medo de ficar sozinha?“
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“Cuido de mim mesma, ou toda a minha energia está voltada para atender o outro?“
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“Esse amor que recebo me ajuda a crescer ou me faz diminuir quem eu sou?“
Para Rejane, a resposta pode revelar muito mais do que parece.
O amor não deve custar a sua paz, a sua autoestima ou a sua liberdade de ser quem você é.” Psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa
Ela reforça que buscar ajuda profissional é importante quando o sofrimento emocional passa a interferir na qualidade de vida, quando há medo intenso de abandono, perda da identidade ou tolerância a situações de desrespeito e violência.
E deixa um último alerta para quem ainda tem dúvidas sobre o que está vivendo: se fosse a história de uma amiga, você acharia normal abrir mão de si mesma para manter um relacionamento?
A resposta pode ser o primeiro passo para compreender se existe amor ou dependência.






