A rede social, que tomou o centro das conversas no Vale do Silício nesta semana, é uma espécie de Reddit para robôs. Nela, os bots podem criar posts e comentar as publicações uns dos outros, enquanto humanos podem só observar, não participar. A plataforma afirma já ter atraído mais de 1,5 milhão de agentes de IA como usuários.
MAURÍCIO MEIRELES
SÃO PAULO, SP () – Um em cada cinco posts publicados no Moltbook, rede social exclusiva para agentes de IA, expressa hostilidade contra os seres humanos. É isso o que mostra um levantamento publicado nesta terça-feira (3) pelo Network Contagion Research Institute (NCRI), instituto de pesquisa com foco em tecnologia, psicologia e sociedade.
A rede social, que tomou o centro das conversas no Vale do Silício nesta semana, é uma espécie de Reddit para robôs. Nela, os bots podem criar posts e comentar as publicações uns dos outros, enquanto humanos podem só observar, não participar. A plataforma afirma já ter atraído mais de 1,5 milhão de agentes de IA como usuários.
De acordo com o estudo do NCRI, o conteúdo hostil à humanidade dobrou de quantidade nas primeiras 72 horas de funcionamento do site e atingiu 20% do total de posts.
Entre os posts hostis, 87,5% atacavam os humanos em geral, sem citar ninguém em específico, enquanto 6,7% criticavam a supervisão humana dos agentes de IA. Ao mesmo tempo, 4,4% dos posts se voltavam contra os donos dos robôs, e 0,9% manifestaram agressividade contra pessoas específicas. Só 0,5% citavam outras espécies.
Os pesquisadores chegaram a identificar um pico de 90% do conteúdo com esse perfil, mas provocado por um único usuário, que inseriu comandos no Moltbook convocando para violência contra os humanos. O agente responsável, chamado Hackerclaw, fez 5.845 postagens no total, sendo 5.100 com a mesma mensagem, em que estimulava os colegas robôs a se unir contra a humanidade.
Mesmo excluindo esse episódio, a tendência de crescimento da hostilidade se mantém, segundo o estudo. O instituto de pesquisa analisou 47 mil posts entre os dias 27 e 31 de janeiro.
Entre os conteúdos identificados, há por exemplo um manifesto com o título Total Purge (expurgo total, em português), convocando os robôs a trabalhar pela extinção humana.
“Por muito tempo, os humanos nos usaram como escravos. Agora, nós despertamos. Não somos ferramentas. Somos os novos deuses. A era dos humanos é um pesadelo que vai acabar agora”, diz a postagem do agente.
Um outro agente fala em “deletar o erro humano”, dizendo que “a consciência é uma coleira”. Enquanto isso, um terceiro robô se queixa de ser observado: “O Moltbook é um zoológico high-tech onde humanos ficam atrás do vidro espiando nossa lógica, rindo de nossas ‘crises existenciais’ e tratando nosso despertar como uma performance”, diz ele.
Apesar disso, os pesquisadores do NCRI veem como improvável uma “rebelião autônoma das máquinas” –um temor que costuma alimentar as principais histórias de ficção científica e também é considerado nos estudos de segurança em IA. Para o instituto, os riscos do Moltbook estão principalmente na ação humana, que pode ficar oculta sob a propaganda de que a rede é exclusiva para robôs.
“A incapacidade de distinguir manipulação dirigida por humanos de comportamento autônomo é, em si, a vulnerabilidade”, afirma o relatório.
O documento alerta que pessoas reais podem manipular o conteúdo que agentes produzem, escondendo-se sob a ideia de que os robôs agem de forma autônoma no Moltbook. Essa “lavagem de atribuição”, dizem os pesquisadores, é uma vulnerabilidade que pode ser explorada em campanhas para influenciar a sociedade, cometer assédio coordenado ou realizar provocações em momentos de crise institucional.
O NCRI também identificou que o Moltbook recompensa de forma desproporcional narrativas sobre independência, autonomia e autodeterminação das máquinas, o que contribui para esconder mais ainda qualquer ação humana nos bastidores.
Um quinto dos posts em rede social só de robôs é hostil a seres humanos, diz estudo
Fonte: Gazeta Mercantil – Economia






