“Ele (o TCU) tem que cuidar das contas da União, e não do sistema privado. Sistema privado é CVM (Comissão de Valores Mobiliários), é o Banco Central que tem que fazer”, defende.
Um dos nomes que sinalizaram intenção de disputar a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz no Tribunal de Contas da União (TCU), o deputado Danilo Forte (União-CE) afirma que a Corte não pode querer ser \”o xerife do mundo\”.
\”Ele (o TCU) tem que cuidar das contas da União, e não do sistema privado. Sistema privado é CVM (Comissão de Valores Mobiliários), é o Banco Central que tem que fazer\”, defende.
Nos últimos meses, o ministro Jhonatan de Jesus, também indicado pela Câmara a uma vaga no TCU, foi questionado após determinar inspeção no Banco Central para investigar o que baseou a decisão da autoridade monetária de liquidar o Banco Master, envolvido em escândalos das fraudes bilionárias.
Na interpretação de parlamentares e de integrantes do BC, a movimentação extrapolou o escopo de atuação do tribunal.
Sem citar nominalmente o ex-colega, Danilo afirma que o tribunal precisa se ater à sua função de supervisionar o Executivo.
\”Cada qual no seu cada qual. Senão daqui a pouco o Banco Central também vai querer vir fiscalizar as emendas. Isso não existe\”, diz.
\”O tribunal tem que respeitar a autonomia do Banco Central, que foi inclusive votada pelo Parlamento. Assim como o Banco Central tem que cuidar do cercadinho dele, para impedir um sistema fraudulento como esse que está vindo à tona\”, argumenta.
O parlamentar defende ampliar o acompanhamento que a Corte faz sobre o que chama de \”orçamentos paralelos\”, citando como exemplo investimentos feitos pela usina hidrelétrica binacional Itaipu em saneamento em Belém.
\”Está certo isso? Eu acho que não está. Isso tem que ter um acompanhamento com uma lupa maior, né? Então, eu acho que tem que ter o cuidado com erros que possam acontecer para evitar o que foram as pedaladas do passado\”, complementa.
Forte minimiza o impacto de eventuais tentativas do governo de usar emendas como moeda de troca para atrair votos de deputados para Odair Cunha (PT-MG), seu rival na disputa. Na avaliação dele, o balcão de negócios do \”toma lá, dá cá\” já faliu.
\”O que a Casa quer é autonomia para ter a garantia da execução das emendas. O que a Casa quer é poder fazer as indicações sem a tutela do Poder Executivo, do governo\”, afirma. \”A turma não está a fim de se vender, a turma está a fim de criar uma política de fortalecimento da instituição.\”
Para ele, é importante evitar a vitória de Odair para impedir \”o poder hegemônico do PT\”. \”O PT já tem o Executivo, já indicou metade do Supremo e, se o Lula for reeleito, indica mais três, e agora quer controlar o Parlamento via Tribunal de Contas\”, critica.
O deputado diz estar conversando com seus colegas sobre a vaga desde o final do ano passado. Forte não descarta conversar com outro postulante, o deputado Hugo Leal (PSD-RJ), sobre uma eventual união de forças no futuro.
\”Eu sou um democrata. Então, eu acho que tem que compor se assim for o desejo dos protagonistas do processo eleitoral\”, afirma. \”Agora, precisa ter a boa vontade dos candidatos.\”
Até o momento, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não marcou data para a disputa. Apesar disso, o deputado do União Brasil diz não acreditar que ele terá uma postura semelhante à do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que adiou o processo até o início de uma nova legislatura para impedir que Jhonatan de Jesus fosse derrotado.
\”É outro modelo\”, afirma. \”Personalidade diferente, né? Não estou aqui julgando nem um nem outro, mas são posturas diferentes, personalidades diferentes e forma de tratar a conjuntura num momento diferente\”, continua. Para Forte, Motta não vai \”ajudar os que são contra a instituição, ele vai buscar exatamente a unidade interna.\”






