Uma rotina profissional mais saudável e eficiente pode não depender de mais esforço, mas, sim, de menos tempo. Um estudo liderado por pesquisadores do Boston College e publicado na revista Nature Human Behavior aponta que a adoção permanente da semana de trabalho de quatro dias, sem cortes salariais, traz ganhos significativos para os funcionários e, potencialmente, para as empresas
A equipe envolvida comparou companhias que adotaram o método com outras que seguem a jornada de cinco dias. Os resultados mostraram que as primeiras tiveram melhora no bem-estar dos trabalhadores.
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“Essa conclusão advém da comparação das mudanças em quatro indicadores de bem-estar entre as empresas do estudo e as empresas de controle”, comentou a pesquisadora Wen Fan, docente da Universidade College Dublin, da Irlanda, ao Gizmodo.
“Constatamos que os funcionários das empresas do estudo apresentaram reduções significativas no burnout, juntamente com melhorias notáveis na satisfação no trabalho, saúde mental e saúde física. Em contraste, nenhuma dessas mudanças foi observada entre os trabalhadores das empresas de controle.”
Ela acrescentou que foram examinadas diversas experiências de trabalho e comportamentos de saúde, e a descoberta foi que três fatores desempenharam papéis particularmente significativos: capacidade para o trabalho (um indicador da produtividade autoavaliada pelos trabalhadores), problemas de sono e fadiga.
“Em outras palavras, após a mudança para uma semana de trabalho de quatro dias, os trabalhadores se sentiram mais capazes e apresentaram menos problemas de sono e níveis mais baixos de fadiga, o que contribuiu para a melhoria do bem-estar”, salientou Fan.
Juliet Schor, professora de Sociologia da Boston College, acrescentou que há muitas implicações da adoção da jornada reduzida para os trabalhadores e para as organizações e a sociedade.
“Este é um tipo raro de intervenção que pode melhorar muito a situação dos funcionários sem comprometer a viabilidade das organizações para as quais trabalham”, destacou a pesquisadora. “Acreditamos que muitas outras empresas podem oferecer esse benefício e se sairão bem com ele. Seus funcionários serão mais felizes, mais leais, mais produtivos e menos propensos a pedir demissão. Ao mesmo tempo, a intervenção em si é uma ‘função coercitiva’ que induz melhorias para as empresas.”
Apesar disso, ela observou que há questões importantes a serem resolvidas. Uma delas é como isso funcionará em empresas muito grandes. “Temos organizações com até 5.000 pessoas adotando a abordagem, mas não temos nenhuma empresa muito grande em nossa pesquisa. No entanto, acreditamos que ela seja escalável nessa direção.”
Outro ponto destacado por Schor é que talvez nem todas as empresas consigam passar para semanas de quatro dias de trabalho. “As mais desafiadoras serão aquelas que já otimizaram seus processos sem gerar trabalhadores esgotados. E acreditamos que algumas empresas de manufatura altamente expostas à concorrência internacional podem encontrar desafios”, enfatizou.
E acrescentou: No entanto, a grande maioria dos trabalhadores em nossa economia atua em serviços/empresas de colarinho branco etc., que são os tipos de empresas em nossa amostra. Também acreditamos que há grande espaço para isso na área da saúde, onde o burnout é um problema sério”.
Ela e Fan afirmaram ao Gizmodo que pretendem dar continuidade às descobertas. “Há muitas direções promissoras para pesquisas futuras. Estas incluem testar mecanismos adicionais que possam estar por trás dos benefícios para o bem-estar, como a percepção dos trabalhadores sobre mudanças na cultura organizacional, e explorar como essas intervenções remodelam a vida profissional cotidiana”, comentou Fan.
Além disso, a dupla encoraja pesquisadores a aproveitar oportunidades semelhantes para conduzir pesquisas etnográficas aprofundadas, que permitiriam a observação direta da mudança organizacional à medida que ela se desenvolve.
“Essa linha de trabalho poderia subsidiar novas teorias e intervenções políticas voltadas para a reimaginação da estrutura do trabalho, com o objetivo final de aprimorar o bem-estar dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, manter o desempenho organizacional”, finalizou a professora da Universidade College Dublin.
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