Os robôs humanoides de hoje não aprenderão a ser hábeis, apesar das centenas de milhões de dólares – ou talvez bilhões – investidos. É o que afirma o renomado roboticista Rodney Brooks, cofundador da desenvolvedora de robôs domésticos e comerciais iRobot e ex-pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).
Citando as empresas Figure e Tesla, que constroem robôs humanoides, ele disse em postagem em seu site que o plano geral é que essas máquinas sejam “compatíveis com plugues” de humanos e possam intervir e fazer as tarefas manuais que os humanos fazem a preços mais baixos e com a mesma eficiência.
“Na minha opinião, acreditar que isso acontecerá em qualquer momento dentro de décadas é pura fantasia. Mas muitos preveem que isso acontecerá em apenas dois anos, e os hipnotistas mais conservadores acreditam que terá um impacto econômico significativo em cinco anos”, apontou.
Segundo Brooks, a ideia é que os robôs humanoides são máquinas de propósito geral, capazes de realizar qualquer tarefa manual que os humanos possam realizar. Para isso, precisarão realizar manipulações semelhantes às dos humanos, “pois essa é a chave para que façam sentido tanto do ponto de vista econômico quanto tecnológico”.
Mas isso esbarra em um ponto: nenhuma mão robótica semelhante à humana demonstrou muita destreza, em qualquer sentido geral, “E nenhuma inspirou projetos que tenham sido implementados em aplicações do mundo real. As abordagens para a destreza têm sido muito matemáticas e geométricas, e simplesmente não produziram nada parecido com a destreza humana”, informou o roboticista.
Ele seguiu explanando sobre o aprendizado de máquina, que transformou o reconhecimento de fala e o processamento de imagens. Mas, como observou, esse avanço se baseou em décadas de tecnologia existente para capturar os dados corretos.
“Não temos tanta tradição em dados de toque”, ressaltou.
“O toque, para nós, por enquanto, é apenas o toque instantâneo que percebemos em primeira mão (sem trocadilhos). Nós, como espécie, não desenvolvemos tecnologias para capturar o toque, armazená-lo, transmiti-lo a distâncias e no tempo, nem reproduzi-lo para nós mesmos ou para outros humanos”, complementou.
Brooks comentou que pensar que pode-se ensinar destreza a uma máquina sem entender quais componentes compõem o tato e sem ser capaz de medir as sensações táteis e de armazenar e reproduzir o tato “é provavelmente uma tolice. E um erro caro”.
“Parece que robôs humanoides precisarão de um sentido de tato, e de um nível de percepção de tato que ninguém ainda construiu em laboratório”, salientou. “O toque é um conjunto muito complexo de sensores e processamento, e fornece informações muito mais ricas, dependentes do tempo e do movimento, do que a simples pressão localizada.”
Andar e segurança
Outro problema dos robôs humanos, segundo ele, é o andar, o que pode ser perigosos para quem está por perto. O ponto é que, mesmo com avanços, os robôs ainda não caminham como os humanos, podendo acontecer acidentes.
“Quando uma instabilidade é detectada durante a caminhada e o robô se estabiliza após injetar energia no sistema, tudo fica bem, pois o excesso de energia é retirado do sistema por movimentos contrários das pernas, empurrando o chão ao longo das próximas centenas de milissegundos. Mas se o robô cair, as pernas têm muita energia cinética livre, acelerando-o rapidamente, geralmente no espaço livre. Se houver algo no caminho, ele recebe uma pancada forte de metal. E se esse algo for um ser vivo, ele frequentemente se machuca, talvez gravemente”, sublinhou.
O especialista em robótica previu que, em breve, robôs humanoides terão rodas no lugar dos pés – inicialmente duas e, depois, talvez mais. Também haverá versões com um, dois e três braços, sendo que alguns desses braços terão mãos com cinco dedos. Muitos ainda terão garras paralelas com dois dedos e alguns poderão ter ventosas.
Além disso, haverá versões com diferentes designs e com muitos sensores que não sejam câmeras passivas, e por isso terão olhos que enxergam com luz ativa, ou em faixas de frequência não humanas, e poderão ter olhos nas mãos, e até mesmo olhos olhando para baixo, perto da virilha, para ver o chão, para que possam se locomover melhor em superfícies irregulares.
“E muito dinheiro terá desaparecido, gasto em tentativas de extrair desempenho, qualquer desempenho, dos robôs humanoides atuais. Mas esses robôs já terão desaparecido há muito tempo e serão convenientemente esquecidos”, finalizou.






