Ser muito magro pode ser mais mortal do que estar acima do peso, de acordo com um novo estudo dinamarquês apresentado esta semana na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Viena, na Áustria.
A equipe responsável pelo trabalho examinou a relação entre índice de massa corporal (IMC) e mortalidade em 85.761 indivíduos (81,4% mulheres). O IMC é uma medida da relação peso/altura, e uma pontuação de 18,5 a <25 kg/m² é considerada peso normal; <18,5 kg/m² é classificada como abaixo do peso; de 25 a <30 kg/m² é sobrepeso e, de 30 kg/ m², obesidade.
Conforme revelado pela Associação Europeia para o Estudo da Diabetes em comunicado, os resultados da pesquisa mostraram que indivíduos na categoria de baixo peso tinham quase três vezes mais probabilidade (2,73 vezes) de morrer do os com IMC próximo ao limite superior da faixa saudável (22,5 a <25,0 kg/m² , a população de referência).
Da mesma forma, pessoas com IMC de 40 kg/m2 ou mais (categorizados como obesidade grave) tinham mais que o dobro de probabilidade (2,1 vezes) de morrer em comparação com a população de referência.
Ainda segundo o trabalho, indivíduos com IMC de 18,5 a <20,0 kg/m² , e portanto na extremidade inferior da faixa de peso saudável, tiveram duas vezes mais probabilidade de morrer do que aqueles na população de referência. Aqueles com IMC de 20,0 a <22,5 kg/m² , e portanto na faixa intermediária da faixa de peso saudável, tiveram 27% mais probabilidade de morrer do que a população de referência.
Por outro lado, indivíduos com IMC na faixa de sobrepeso (25 a <30 kg/m2 ) e aqueles com IMC na parte inferior da faixa de obesidade (30,0 a <35,0 kg/m2 ) não tinham maior probabilidade de morrer do que aqueles na população de referência — um fenômeno às vezes chamado de ser metabolicamente saudável ou “gordo, mas em forma”. Os com IMC de 35 a <40,0 kg/m2 tiveram um risco aumentado de morte de 23%.
Um padrão semelhante foi obtido quando os pesquisadores analisaram a relação entre IMC e obesidade em participantes de diferentes idades, sexos e níveis de educação.
Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que o IMC não estava associado a uma mortalidade maior até um IMC de 35 kg/m 2 e que mesmo um IMC de 35 a < 40 kg/m 2 estava associado apenas a um risco ligeiramente aumentado.
“Tanto o baixo peso quanto a obesidade são grandes desafios globais para a saúde”, afirmou Sigrid Bjerge Gribsholt, do Steno Diabetes Center Aarhus do Hospital Universitário de Aarhus, que liderou a pesquisa.
“A obesidade pode desregular o metabolismo do corpo, enfraquecer o sistema imunológico e levar a doenças como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até 15 tipos diferentes de câncer, enquanto o baixo peso está associado à desnutrição, imunidade enfraquecida e deficiências nutricionais.”
A especialista explicou que uma possível razão para os resultados é a causalidade reversa. “Algumas pessoas podem perder peso devido a uma doença subjacente. Nesses casos, é a doença, e não o baixo peso em si, que aumenta o risco de morte, o que pode fazer parecer que ter um IMC mais alto é um fator de proteção”, salientou. “Como nossos dados vieram de pessoas que estavam fazendo exames por motivos de saúde, não podemos descartar isso completamente.”
Também é possível que pessoas com IMC mais alto que vivem mais – a maioria das pessoas estudadas eram idosas — possam ter certas características de proteção que influenciam os resultados, disse Gribsholt. “Ainda assim, em linha com pesquisas anteriores, descobrimos que pessoas que estão abaixo do peso enfrentam um risco muito maior de morte”, complementou.
O professor Jens Meldgaard Bruun, também do Steno Diabetes Center Aarhus, destacou que, seja qual for a explicação, o IMC não é o único indicador de que um indivíduo carrega níveis prejudiciais de gordura. “Outros fatores importantes incluem a forma como a gordura é distribuída. A gordura visceral – gordura que é metabolicamente muito ativa e armazenada profundamente no abdômen, envolvendo os órgãos – secreta compostos que afetam negativamente a saúde metabólica”, relatou.
E ele completou: “Como resultado, um indivíduo que tem um IMC de 35 e tem o corpo em forma de maçã – o excesso de gordura está ao redor do abdômen – pode ter diabetes tipo 2 ou pressão alta, enquanto outro indivíduo com o mesmo IMC pode estar livre desses problemas porque o excesso de gordura está nos quadris, nádegas e coxas. Está claro que o tratamento da obesidade deve ser personalizado para levar em conta fatores como a distribuição de gordura e a presença de condições como diabetes tipo 2 ao definir uma meta de peso”.






