O Presidente russo, Vladimir Putin, falou hoje em separado com vários líderes do Golfo Pérsico, em plena guerra no Irã e receios de um conflito em grande escala que ameace a segurança de toda a região.
“Foi manifestada preocupação mútua em relação aos riscos de escalada do conflito e ao perigo de envolvimento de países terceiros”, informou o Kremlin em comunicado, após uma conversa telefônica de Vladimir Putin com o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani.
O presidente russo também falou por telefone com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman al-Saud; com o rei do Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa; e com o líder dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed.
Bin Salman considerou que a Rússia “pode desempenhar um papel positivo e estabilizador nestes dias”, devido às suas relações amistosas tanto com o Irã quanto com os países do Golfo Pérsico, segundo o Kremlin.
Em relação à conversa com o líder do Bahrein, Moscou destacou a preocupação com uma possível guerra em grande escala na região.
“Houve uma troca de opiniões sobre a escalada sem precedentes em torno do Irã, como resultado da agressão dos Estados Unidos e de Israel, que está levando toda a região à beira de uma guerra em grande escala com consequências imprevisíveis”, alertou.
Os líderes árabes estão preocupados com o risco de uma guerra de grandes proporções na região após os bombardeios iniciados no sábado por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã, bem como com a resposta da República Islâmica, que incluiu ataques a alvos em Tel Aviv, Dubai e Abu Dhabi, entre outros locais da região.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que a operação militar contra o Irã vai durar o tempo necessário e levantou a possibilidade de que possa se estender por várias semanas.
A presidência russa manifestou hoje sua decepção com o fim das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, mediadas por Omã, o que resultou em uma “agressão direta” contra a República Islâmica.
A Rússia não prestou auxílio ao Irã quando o país foi atacado pelos Estados Unidos e por Israel em meados de 2025, embora Teerã tenha fornecido drones e outros equipamentos militares a Moscou para sua campanha militar na Ucrânia.
No fim do ano anterior, Moscou perdeu outro de seus aliados na região, após a deposição do ex-presidente sírio Bashar al-Assad por uma coalizão rebelde de inspiração jihadista.
O presidente norte-americano afirmou que a operação iniciada no sábado visa “eliminar ameaças iminentes” do Irã, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” ao seu país.
O atual conflito também agravou as hostilidades entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, que nunca deixaram de se acusar mutuamente de violações do acordo de cessar-fogo assinado em novembro de 2024.






