A supremacia humana no campo da programação competitiva ainda resiste, mas por pouco. No início de julho, em Tóquio, o programador polonês Przemysław Dębiak, conhecido online como Psyho, superou o algoritmo da OpenAI na final mundial do AtCoder World Tour Finals 2025.
Com uma margem de apenas 9,5%, ele ficou à frente da IA que representava a empresa liderada por Sam Altman. A façanha, revelada em reportagem publicada neste sábado pelo Guardian, pode ter sido histórica: “Provavelmente fui o último humano a vencer”, disse o campeão, de 41 anos, ex-funcionário da própria OpenAI.
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A competição reuniu 11 programadores humanos de elite, selecionados por ranking global, e um sistema de IA da OpenAI. Durante dez horas, os participantes enfrentaram um problema clássico de otimização, que é uma versão do “problema do caixeiro viajante”, em que é preciso calcular a rota mais eficiente entre diferentes cidades.
Embora modelos como GPT-4 já sejam amplamente usados para gerar códigos simples, a tarefa exigia raciocínio lógico complexo e soluções originais. Mesmo com a derrota, o desempenho da IA foi considerado impressionante, e Altman parabenizou publicamente Dębiak pela vitória.
Big techs aceleram uso de IA para código e ameaçam empregos de colarinho branco
A competição acontece em um momento em que gigantes da tecnologia intensificam o uso de IA para desenvolvimento de software. Microsoft e Meta já adotam ferramentas generativas para programar, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou em maio que cerca de 20% dos empregos de colarinho branco podem ser substituídos por IA nos próximos cinco anos. Para Psyho, o impacto é inevitável. “Algumas pessoas estão sentindo isso agora. Em breve, serão todas.”
Segundo ele, os humanos ainda têm vantagem em interpretação e raciocínio, mas perdem em velocidade. “O modelo é como clonar um humano comum várias vezes e colocar todos para trabalhar em paralelo”, disse. “Multiplicar alguém mediano muitas vezes pode produzir resultados melhores do que contar com uma pessoa excepcional.”
Mesmo como campeão, Dębiak alerta que o avanço tecnológico está descompassado da capacidade da sociedade de acompanhar. “Temos uma tonelada de problemas: desinformação, impacto social, humanos sem propósito. O progresso tecnológico está indo muito mais rápido do que a sociedade consegue acompanhar.”
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