Segundo o CEO do Google DeepMind, há uma razão sólida para a Meta estar investindo milhões de dólares na tentativa de atrair talentos em inteligência artificial. “A Meta não está na linha de frente neste momento, mas talvez consiga voltar”, disse Demis Hassabis em um episódio do podcast Lex Fridman, publicado na quinta-feira. “Provavelmente o que eles estão fazendo é racional do ponto de vista deles, porque estão atrasados e precisam agir”, comentou, segundo as informações do Business Insider.
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Nas últimas semanas, a Meta intensificou sua busca por novos talentos, oferecendo a pesquisadores de laboratórios como a OpenAI salários que chegam a US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 500 milhões) para que se juntem à sua equipe. Entre os nomes contratados, destacam-se o ex-chefe do GitHub, Nat Friedman, o ex-CEO da Scale AI, Alexandr Wang, e os ex-pesquisadores da OpenAI Shengjia Zhao, Shuchao Bi, Jiahui Yu e Hongyu Ren.
Hassabis afirmou que, embora seja “racional” a Meta fazer esse tipo de oferta, muitas pessoas que atuam no setor de IA priorizam a missão de “desenvolver essa tecnologia com responsabilidade”.
“Há coisas mais importantes do que apenas dinheiro”, explicou. “É claro que é preciso pagar às pessoas o valor de mercado e tudo mais — e esse valor continua subindo.”
Na semana passada, o cofundador da Anthropic, Benjamin Mann, comentou que seus pesquisadores não enfrentaram uma “decisão difícil” ao escolher permanecer na empresa. “Talvez tenhamos sido muito menos afetados do que muitas outras empresas do setor, porque as pessoas aqui são muito orientadas por propósito.” Ele acrescentou: “Elas recebem essas ofertas e pensam: ‘Bom, é claro que não vou sair, porque o melhor cenário na Meta é ganhar dinheiro, enquanto o melhor cenário na Anthropic é impactar o futuro da humanidade.’”
“Estamos bem neste momento”
No início do mês, o Business Insider revelou, com base em pedidos de visto federais, quanto os principais laboratórios de IA estão pagando a suas equipes técnicas. A OpenAI, por exemplo, paga em média US$ 292.115 (aproximadamente R$ 1,6 milhões) aos 29 funcionários técnicos listados nos documentos, sendo o salário mais alto de US$ 530.000 (aproximadamente R$ 2,9 milhões) e o mais baixo de US$ 200.000 (aproximadamente R$ 500 milhões).
A Anthropic, por sua vez, paga em média US$ 387.500 a 14 profissionais técnicos, com remunerações entre US$ 300.000 e US$ 690.000 (aproximadamente R$ 1,5 milhões e R$ 3,8 milhões). Já a nova startup de IA de Mira Murati, a Thinking Machines Lab, está oferecendo US$ 450.000 (aproximadamente R$ 2,5 milhões) anuais a dois membros da equipe técnica, enquanto outro receberá US$ 500.000 (aproximadamente R$ 1 milhão).
Hassabis relembrou que, no passado, a pesquisa em IA não era uma carreira bem remunerada.
“Lembro que, quando começamos em 2010, eu nem recebia salário durante os primeiros anos porque não havia dinheiro suficiente. Não conseguíamos levantar capital.” Ele completou: “Hoje, os estagiários estão ganhando o equivalente ao que conseguimos captar na nossa primeira rodada de investimento.”
A disputa por talentos na área de IA se intensificou tanto que alguns analistas temem que isso acabe elevando ainda mais os já altos custos para se manter na liderança do setor.
Durante a teleconferência de resultados do Google realizada na quinta-feira, um analista perguntou ao CEO Sundar Pichai sobre os “custos com recursos voltados à IA” e como a concorrência impacta a capacidade da empresa de reter talentos.
Em resposta, Pichai afirmou que o Google já passou por momentos semelhantes e que os indicadores de retenção continuam positivos.
“Seguimos acompanhando nossas métricas de retenção, assim como a entrada de novos talentos — e ambos estão saudáveis”, afirmou. “Sei que casos isolados podem ganhar manchetes, mas quando analisamos os números com mais profundidade, acredito que estamos indo bem neste momento.”
*Com supervisão de Marisa Adán Gil






