SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Copa do Mundo costuma transformar o ambiente de trabalho. Camisas da seleção tomam conta do escritório e amigos combinam confraternizações para assistir aos jogos. Mas até onde vai a torcida durante o expediente? É permitido usar roupas temáticas ou gritar após um gol?
As respostas dependem, em grande parte, das regras internas de cada empresa. Não existe uma lei que obrigue empregadores a liberar funcionários para assistir aos jogos ou flexibilizar a vestimenta, e as companhias têm autonomia para definir normas sobre roupas e comportamento, desde que as regras sejam razoáveis e comunicadas previamente aos trabalhadores.
De acordo com a advogada trabalhista Evelyn Ribeiro, é possível restringir o uso da camisa da seleção brasileira durante o expediente, sobretudo quando houver uniforme obrigatório ou política interna já divulgada aos empregados (o chamado dress code).
Além das roupas, atitudes tomadas no calor da partida também exigem bom senso. Especialistas afirmam que a emoção faz parte da experiência coletiva, desde que não prejudique colegas nem comprometa as atividades da empresa.
Em empresas mais flexíveis, porém, a Copa pode ser positiva. “Datas como a Copa do Mundo costumam ser oportunidades para flexibilizar a vestimenta e promover integração”, diz Natalia Pires Berce, gerente de experiência do colaborador da Foundever. Ela ressalta, no entanto, que é importante respeitar as regras da empresa e considerar o contexto da atividade exercida.
PODE USAR A CAMISA DA SELEÇÃO NO TRABALHO?
Depende das regras da empresa. Se houver uniforme obrigatório ou um dress code previamente estabelecido, o empregador pode restringir o uso da camisa.
Segundo a advogada Evelyn Ribeiro, a empresa tem poder para definir regras de vestimenta e comportamento, desde que elas sejam razoáveis e aplicadas de forma uniforme. A advogada afirma que empresas com regulamentos internos e códigos de conduta claros têm mais segurança para exigir o cumprimento dessas normas.
Já a gerente Natalia Pires Berce afirma que organizações com cultura mais flexível costumam aproveitar eventos como a Copa para permitir roupas temáticas e incentivar a integração entre os funcionários.
CHEFE PODE DAR ADVERTÊNCIA POR DESRESPEITO AO DRESS CODE?
Sim. O descumprimento de normas internas pode resultar em advertência verbal ou escrita e, em casos mais graves ou de reincidência, suspensão disciplinar.
Evelyn Ribeiro afirma que o simples uso da camisa da seleção em desacordo com uma regra interna não leva à justa causa. Porém, a recusa reiterada em cumprir determinações da empresa, especialmente após advertências e suspensões, pode configurar ato de indisciplina e causar demissão por justa causa.
PODE COMEMORAR GOL OU GRITAR DURANTE O EXPEDIENTE?
Sim, desde que a comemoração não atrapalhe o trabalho ou desrespeite outras pessoas.
“Comemorações breves e respeitosas costumam ser bem recebidas. O que deve ser evitado são excessos que prejudiquem colegas que estejam em atendimento, em reuniões ou realizando atividades críticas”, afirma a gerente Natalia.
Para a psicanalista e doutoranda em psicologia Elizandra Souza, a comemoração funciona como uma forma de compartilhar emoções e fortalecer o sentimento de pertencimento, mas precisa ser moderada. “É importante observar o ambiente e as pessoas ao redor, visto que nem todas as pessoas estão na mesma energia e vibração.”
E XINGAR O JUIZ COM PALAVRÕES?
Segundo a advogada Evelyn Ribeiro, falar palavrão ao xingar o juiz dificilmente justificará uma justa causa, mas a situação muda se a conduta envolver ofensas a colegas, superiores ou clientes, ou provocar tumulto no ambiente.
A psicanalista Elizandra Souza afirma que a emoção do esporte pode levar a reações mais intensas, mas lembra que “o ambiente de trabalho não pode se transformar num estádio de futebol”. Para ela, é preciso equilibrar espontaneidade e respeito aos colegas.
O QUE ACONTECE SE PARAR DE TRABALHAR PARA ASSISTIR AO JOGO?
Não existe obrigação legal para que as empresas liberem funcionários ou alterem a jornada durante os jogos da Copa.
Na prática, algumas empresas fazem acordos internos, e ajustam horários ou criam espaços para transmissão das partidas. Quando isso não acontece, o trabalhador deve manter suas atividades.
“A redução deliberada da produtividade ou o abandono das atividades pode caracterizar desídia no desempenho das funções”, afirma a advogada Evelyn Ribeiro. Segundo ela, em situações repetidas e após medidas disciplinares, a justa causa pode ser discutida.
A gerente Natalia Pires Berce diz que o equilíbrio é a melhor saída. “Muitas empresas criam ações específicas, ajustam horários, organizam espaços de transmissão ou flexibilizam pausas para que as pessoas possam acompanhar os jogos. O segredo está no equilíbrio.”
VEJA HORÁRIOS DOS PRÓXIMOS JOGOS DO BRASIL
SEXTA-FEIRA (19)
21h30 – Brasil x Haiti
QUARTA-FEIRA (24)
19h – Escócia x Brasil
Após o empate na estreia diante da seleção marroquina, o segundo duelo pode ser a chance para alguns reservas saírem do banco para brigar pela artilharia, como Endrick ou Rayan.
Jogos passam nos canais Cazé TV, Globo, SBT, Nsports, Sportv, geTV e Globoplay.






