Pesadelos são normalmente associados a experiências desagradáveis e isoladas, mas novas evidências científicas sugerem que sua ocorrência frequente pode ter implicações mais sérias para a saúde. Apresentado no congresso da Academia Europeia de Neurologia, um estudo conduzido por pesquisadores do UK Dementia Research Institute apontou que pessoas que relatam pesadelos semanais têm risco três vezes maior de morrer antes dos 75 anos em comparação com quem não os vivencia.
A pesquisa destaca a relevância do sono não apenas como reparador, mas como um possível indicador de processos fisiológicos profundos, como o envelhecimento biológico acelerado.
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O que revelou o estudo
A análise envolveu 4.196 adultos entre 26 e 74 anos, acompanhados por até 18 anos, com dados provenientes de quatro grandes estudos populacionais. A frequência de pesadelos foi autorrelatada no início da pesquisa, e os óbitos antes dos 75 anos foram considerados morte precoce.
Os resultados mostraram que participantes que tinham pesadelos pelo menos uma vez por semana apresentaram risco 2,7 vezes maior de morrer prematuramente. Além disso, medidas de envelhecimento biológico, baseadas em relógios epigenéticos como DunedinPACE, GrimAge e PhenoAge, indicaram aceleração significativa nos processos celulares entre os que relataram pesadelos frequentes.
Como os pesadelos afetam o corpo
Segundo os cientistas, o impacto fisiológico dos pesadelos se dá por meio do estresse agudo induzido durante o sono. Mesmo sendo um evento onírico, o cérebro responde aos pesadelos com os mesmos mecanismos de “luta ou fuga” ativados em situações reais de perigo. Isso inclui aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada e liberação de cortisol, hormônio associado ao estresse e ao envelhecimento celular.
Além disso, a interrupção frequente do sono por conta dos pesadelos leva à fragmentação do descanso, um fator associado a menor recuperação metabólica, piora do sistema imunológico e maior risco para doenças crônicas.
Relevância clínica e oportunidades de intervenção
Os autores defendem que os pesadelos frequentes devem ser tratados como um marcador clínico relevante. Terapias como a cognitivo-comportamental para insônia (CBT-I) ou técnicas de reestruturação das imagens mentais (IRT) já se mostraram eficazes para reduzir a frequência e intensidade dos pesadelos.
Comum em indivíduos expostos a traumas, estresse crônico e transtornos de ansiedade, os pesadelos podem ser tratados, e essa intervenção pode trazer não só benefícios psicológicos, mas também repercussões fisiológicas positivas.






