Posto de controle continua com limitações, e trânsito precisa de autorização israelense e egípcia; área é dominada por tropas de Israel; cerca de 20 mil palestinos precisam de tratamento fora do território
SÃO PAULO, SP (DOLHAPRESS) – Palestinos na Faixa de Gaza recebem a reabertura da passagem de Rafah, a única via de entrada e saída do território sem ser por Israel, com sentimentos mistos de esperança e indignação, nesta segunda-feira (2).
O posto de controle foi reaberto para entrada e saída apenas para palestinos a pé. Todos ainda precisam passar por controle e autorização de israelenses e egípcios.
Segundo a agência Reuters, citando duas fontes do território, a princípio a permissão será para apenas 50 palestinos entrando e 50 saindo de Gaza por dia. Já de acordo com a AFP, citando autoridades egípcias, serão 150 autorizados a sair e 50 a entrar diariamente.
Mais tarde, pessoas do governo egípcio ouvidas pela Reuters disseram que alguns palestinos buscando tratamento médico cruzaram a fronteira nesta segunda. Eles receberam um primeiro atendimento na abertura de Rafah e levados em três ambulâncias para hospitais no Egito.
“Esperávamos que a passagem de Rafah seria aberta e facilitada para pacientes necessitando de tratamento no Egito. Um paciente vai ao Egito receber tratamento, não passar por revistas e escutar ‘você volta’, ‘você fica’, ‘você não pode’. Isso é totalmente inaceitável”, afirmou Salim Ayad à Reuters.
Cerca de 20 mil pacientes palestinos esperam tratamento médico urgente que não conseguem obter na Faixa de Gaza, segundo médicos do território.
Estima-se que cerca de 100 mil palestinos deixaram Gaza nas primeiras semanas da guerra. Muitos deles buscam voltar para reencontrarem os familiares que ficaram, mas isso significa encontrar também suas casas e bens destruídos no território, arrasado pela guerra e os bombardeios israelenses.
“A abertura de Rafah também é boa notícia para nós porque não há tratamento para crianças aqui, nada está disponível no hospital. Não há equipamentos, medicamentos, nada”, afirmou Iman Hamdouna, mãe de uma criança de 2 anos, à Reuters.
Ao mesmo tempo que reabriu Rafah, no entanto, Israel anunciou que a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) deverá interromper suas atividades em Gaza por ter se recusado a fornecer uma lista de seus funcionários palestinos -algo “aplicável a todas as instituições humanitárias que operam na região”, segundo o Ministério da Diáspora israelense, responsável pelo registro das ONGs.
A reabertura é um dos principais passos da segunda etapa do plano de paz proposto pelos EUA e países muçulmanos da região, cuja primeira etapa começou com o cessar-fogo de outubro do ano passado e foi finalizada com o retorno do corpo de Ran Gvili, o último refém que restava em Gaza.
Para Ali Shaath, o chefe do governo palestino tecnocrático que será encarregado de governar Gaza, a abertura de Rafah “não é apenas uma medida administrativa, mas marca o início de um longo processo destinado a restabelecer o que foi rompido e a abrir uma verdadeira janela de esperança”.
“Estamos felizes com a reabertura da passagem, e se Deus quiser, ela vai abrir mais para que tudo de que tivemos falta durante a guerra possa entrar. Precisamos de combustível, comida, farinha, seringas, tudo. Tendas, lençóis, colchões”, disse à Reuters Asmahan abdel Atti.
O anúncio da reabertura foi feito neste domingo (1º) pelo Cogat, braço do Ministério da Defesa que supervisiona assuntos civis em Gaza. Egito e Jordânia reagiram condenando o que chamaram de tentativa de deslocar palestinos do território.






