O tratamento conhecido como aférese, procedimento médico no qual o sangue é removido do corpo, centrifugado ou filtrado e, em seguida, devolvido na tentativa de eliminar toxinas, é usado para tratar condições como doenças autoimunes ou níveis anormalmente altos de células ou proteínas do sangue.
Entretanto, seu uso na desintoxicação de microplásticos ainda não foi cientificamente comprovado. Ainda assim, tem gente que prefere se submeter ao risco. É o caso do ator Orlando Bloom, que revelou em junho ter se submetido ao procedimento para livrar seu organismo de microplásticos que havia absorvido pela exposição diária e outras toxinas.
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Ele até pode estar certo sobre a exposição. Cientistas já encontraram minúsculos fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros de tamanho no ar, água, solo, alimentos e até mesmo dentro do tecido humano. Mas quando se trata de removê-los da corrente sanguínea, é aí que a ciência se torna obscura.
Pesquisadores da Kingston University e da University College London, no Reino Unido, que estudam a contaminação por microplásticos, examinaram essa questão no contexto da diálise, tratamento para pacientes com insuficiência renal. A diálise filtra produtos residuais como a ureia e a creatinina do sangue, regula os eletrólitos, remove o excesso de fluido e ajuda a manter a pressão arterial.
Mas seu estudo descobriu que, embora a diálise possa salvar vidas, ela também pode ter um lado negativo irônico: pode estar introduzindo microplásticos na corrente sanguínea. Em alguns casos, os cientistas descobriram que os pacientes submetidos à diálise estavam sendo expostos a microplásticos durante o tratamento devido à quebra de componentes plásticos no equipamento – uma contradição preocupante para um procedimento projetado para limpar o sangue.
A ironia da filtragem do sangue
É tentador acreditar, assim como Bloom parece crer, que podemos simplesmente “limpar” o sangue como purificar a água potável. Assim como uma peneira filtra a água do macarrão, as máquinas de diálise filtram o sangue, mas usando sistemas muito mais complexos e delicados.
Essas máquinas dependem de componentes plásticos, incluindo tubos, membranas e filtros, que são expostos à pressão contínua e ao uso repetido. Ao contrário do aço inoxidável, esses materiais podem se degradar com o tempo, podendo liberar microplásticos diretamente na corrente sanguínea.
Atualmente, não há evidências científicas publicadas de que os microplásticos possam ser efetivamente filtrados do sangue humano. Portanto, as alegações de que a diálise ou outros tratamentos podem removê-los devem ser vistas com ceticismo, especialmente quando os próprios sistemas de filtragem são feitos de plástico.






