A primeira coisa que muitos de nós fazemos ao acordar não é falar “bom dia”, mas destravar o celular. Antes mesmo de tomar café, já abrimos um aplicativo: para ver as mensagens, para ler as notícias, para pagar uma conta, ou simplesmente para rolar o feed de uma rede social. Cada toque na tela é uma disputa pela nossa atenção. Vivemos na era da recorrência digital, e cada app quer ser parte do nosso ritual diário.
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Mas o que leva um usuário a abrir o mesmo aplicativo todos os dias? O que faz essa ação se tornar hábito e não obrigação? E, para os executivos de produtos, a pergunta mais importante: como criar esse motivo diário para que ele abra o meu produto?
Há uma diferença clara entre economizar tempo e gastar tempo. Pagar contas, transferir dinheiro, organizar a agenda são atividades que o usuário quer fazer da forma mais rápida possível: uma vez resolvido, ele segue a vida. Assistir vídeos, ler notícias, explorar ofertas são experiências que o usuário está disposto a prolongar, porque são prazerosas. Um bom produto entende essa diferença e se posiciona de acordo: ou entrega eficiência máxima, ou entrega entretenimento irresistível. O usuário abre um app quando acredita que haverá valor naquele momento específico, seja economizando minutos, seja aproveitando um momento de prazer.
E é aqui que entra a força do hábito. Algumas atividades poderiam ser semanais ou até mensais, mas se tornam diárias graças a um design inteligente. O Duolingo é um exemplo que gosto: mais de 10 milhões de usuários completam pelo menos uma lição todos os dias há mais de um ano, mantendo sua “ofensiva”. Isso não acontece por acaso. A plataforma transformou aprendizado em jogo, e jogo em hábito. A gamificação cria um vínculo emocional entre o usuário e o produto. Não se trata mais de aprender inglês, mas de manter viva a sequência. Essa é uma forma inteligente de aumentar a frequência de abertura de um app.
Pequenas recompensas também ajudam a manter o engajamento. Elas podem ser tangíveis, como cashback ou frete grátis, ou simbólicas, como pontos, moedas virtuais ou conteúdos exclusivos. O Clube iFood é um exemplo concreto: a assinatura mensal cria um incentivo psicológico para pedir comida com mais frequência, já que “vale a pena aproveitar o benefício”.
Outro motor são as notificações contextuais. Não basta enviar mensagens para o usuário, é preciso falar com ele no momento certo e com a relevância certa e ajudando o cliente a agir. Uma notificação bem calibrada é um convite, não uma interrupção.
Mostrar o progresso do usuário e permitir que ele compare seu desempenho com outras pessoas cria engajamento. Em apps de saúde, compartilhar metas concluídas gera comentários de incentivo e reforça o hábito. Até instituições financeiras podem usar esse recurso para mostrar que o cliente está poupando mais que a média, criando uma sensação de conquista.
E há o efeito do conteúdo efêmero. O que desaparece se não for visto hoje gera urgência. Stories nas redes sociais, ofertas diárias no e-commerce, recompensas limitadas no tempo em programas: tudo isso incentiva o usuário a abrir o app para não perder algo. O medo de perder é também um gatilho a mais para criar hábitos.
Tudo se resume a uma pergunta simples: qual é o motivo para o meu usuário abrir meu app hoje? Se a resposta não for clara, outro app vai ocupar esse espaço. Não basta estar instalado no celular, é preciso estar na rotina do usuário. Cada dia sem motivo para abrir seu app é uma oportunidade para o concorrente conquistar esse lugar.
E, já que estamos falando de hábito, por isso você deveria ler esta coluna todo mês e abrir a Época Negócios todos os dias.
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