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Núbia Elias, executiva da Coca-Cola FEMSA Brasil, fala de diversidade como estratégia de humanidade e de negócio

Redação by Redação
outubro 24, 2025
in Negócios, News
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Núbia Elias, executiva da Coca-Cola FEMSA Brasil, fala de diversidade como estratégia de humanidade e de negócio
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Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão da Coca-Cola FEMSA Brasil, Núbia Elias é especialista em transformar ambientes corporativos em espaços mais humanos, inclusivos e diversos. Com mais de 15 anos de experiência em Recursos Humanos, ela compartilha sua trajetória, certezas e visão sobre o futuro da diversidade nas empresas

O mundo corporativo conhece a Nubia Elias, Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão da Coca-Cola FEMSA Brasil, mas estas credenciais não falam tudo sobre você (e nem devem). O que você gostaria que todos soubessem sobre você? Quem é a Nubia?

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Nubia Elias: Eu sou uma mulher, cria da Zona Leste, São Paulo, de uma família simples. Casada, tenho uma filha, que é meu orgulho, quer ser médica – e será!

Sou filha da Sandra e do Ilson. Acho que isso é muito importante! Quem trabalha com diversidade sabe a importância de dar nomes.

Sou uma pessoa muito tranquila, trabalho com propósito. Acho que, antes até de eu trabalhar com diversidade, eu já olhava para esse tema com muito carinho. Então, eu sempre pensei o porquê que as coisas aconteciam das formas que elas aconteciam e como que eu poderia mudar a minha história e a história das pessoas que estavam ao meu redor.

Sou uma pessoa simples, que gosta de coisas simples, que ama a família e que também gosta de mudar a vida de quem conhece, seja de que forma for. Seja com uma gentileza ou com um processo estruturante dentro de uma grande empresa.

Neste atual momento da sua vida, Nubia, quais são as suas certezas?

NE: A minha maior certeza é que eu sei que faço a coisa certa, da forma certa. Que eu busco ser uma pessoa íntegra. Que eu quero muito apoiar a minha filha no sonho dela em se tornar médica, que acabou sendo também o meu sonho e o do meu marido.

Acredito que diversidade não é uma questão passageira, é uma questão de humanidade. E, se a gente quer manter humanidade e pessoas que produzem e consomem, cada vez mais a gente vai precisar trabalhar com esse tema. Seja nas empresas privadas, no terceiro setor ou na sociedade.

E entender que esse é um processo em via de mão dupla: uma conversa de todas as pessoas para todas as pessoas, com as suas dores e sabores. Então, com dores de quem sofreu e sofre pela opressão histórica, e sabores de quem também vive da herança desses sabores. E que todo mundo, junto, pode fazer essa diferença de forma significativa.

Nubia, você tem um histórico de atuação em Diversidade e Inclusão (D&I) em grandes empresas nacionais e internacionais, como avalia a atuação das empresas nos últimos anos?

NE: Eu vejo que diversidade, cada vez mais, faz parte da estratégia da empresa.

Diversidade é a coisa certa a se fazer, mas, para além de ser a coisa certa, também é uma questão de negócio. Porque sem pessoas eu não consumo, sem consumidores eu não produzo, e por aí vai.

Então eu entendo que diversidade tem que estar ali, no core business da empresa. Tem que fazer parte da estratégia, tem que pensar produtos, soluções, serviços, olhando todas as pessoas, entendendo que todas as pessoas são consumidoras. E as empresas que não fazem isso, que não praticam isso, elas estão perdendo espaço.

Empresas que não têm esse olhar para a diversidade estão fadadas a perder um espaço importante na decisão de consumo. Por isso, a estratégia que eu quero ver é: gerar soluções e serviços pensando em todas as pessoas.

E a Coca-Cola FEMSA Brasil, empresa na qual você é gerente, o que pode nos contar sobre a estratégia de D&I?

NE: A Coca-Cola FEMSA Brasil tem a diversidade como parte dos seus princípios.

São ao todo 10 princípios, e posso listar alguns deles: fazer a coisa certa, alavancar a tecnologia e a inovação, valorizar as nossas pessoas e trabalhar a segurança psicológica.

Portanto, D&I está contemplada dentro desses dez princípios. Pensando que um dos grandes propósitos da companhia é “refrescar qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer lugar”. E aí eu sempre complemento: com todas as pessoas, para todas as pessoas.

Se a gente não tiver uma estratégia muito clara, definida e na boca de todas as pessoas que fazem parte da companhia, a gente não vai conseguir alcançar esse propósito. Então, a gente tem metas de contratação para mulheres, a gente tem meta para mulheres na liderança, para mulheres na companhia, para pessoas negras.

A gente tem também desafios importantes de trabalhar cada vez mais o ambiente, para que ele seja cada vez mais diverso, inclusivo, respeitoso e acessível. E também estamos trabalhando inclusão de pessoas com deficiência com muita força.

Inclusive, esse mês a gente vai lançar uma solução simples e inovadora, que é uma central de intermediação de línguas de sinais, na qual qualquer colaborador da Coca-Cola FEMSA Brasil vai clicar em um link e acessará um intérprete em até 30 segundos.

É muito legal: vamos lançar agora essa semana e a gente já finalizou todos os testes. Então, se o promotor na loja, surdo, estiver trabalhando lá e o cliente quiser falar com ele, ele pega o celular corporativo, clica no link e o intérprete imediatamente fará a intermediação.

A gente vem evoluindo. Claro que ainda existem muitos desafios que fazem parte dessa jornada e dessa trajetória da sociedade. E a Coca-Cola FEMSA Brasil é parte integrante da sociedade, mas ter metas definidas, ter objetivos e saber onde a gente quer chegar, é fundamental para a gente evoluir e construir esse ambiente cada vez mais acessível e inclusivo para todas as pessoas.

Liliane Rocha: O que a Coca-Cola FEMSA Brasil tem como planejamento estratégico em D&I para os próximos 5 anos?

NE: Até 2030 a gente quer alcançar 40% de mulheres na liderança e 30% de mulheres no total da companhia.

Essa meta está no painel estratégico; é uma meta global da Coca-Cola FEMSA e o Brasil também segue essa estratégia. E, para isso, a gente vem fazendo programas para atingir as metas, tais como: processos afirmativos para mulheres, o programa de aceleração, que é o ELAS na Liderança. O ELAS Business, que fala sobre o negócio e, enfim, coloca mulheres ali com outras executivas para discutir estratégias de negócio também.

São programas e processos que aumentam a prontidão das mulheres, para estarem preparadas para quando essa oportunidade surgir. E ela vai chegar logo.

O ELAS na Liderança é um programa para gestoras, para o primeiro passo de liderança, que as prepara para uma liderança mais sênior. E o ELAS Business é um programa que aproxima mulheres que já estão numa senioridade de liderança, para falar de negócio com executivas do mercado. São programas muito robustos que acontecem ao longo do ano.

E a gente tem a Aceleração do Ubuntu, em parceria com Gestão Kairós, que também é um programa para preparar talentos negros para assumir posições de liderança na empresa.

Que dicas daria para profissionais da área que estão atuando em outras empresas?

NE: Acho que é importante a gente entender que, se a gente contrata uma pessoa negra, uma mulher, uma pessoa com deficiência, uma pessoa LGBT, uma pessoa em situação de refúgio, enfim, qualquer que seja a diversidade, a gente não muda nem processo, nem estrutura, nem sociedade. A gente muda só a vida dessas pessoas que entraram na companhia – que vão ser exemplos únicos, quase que uma jornada de herói.

Mas, quando a gente foca em proporcionalidade para esses grupos, a gente sim consegue mudar estruturas, pensamentos, inovar de verdade e, como consequência, mudar tanto as companhias quanto a sociedade.

E, para isso, é importante também ter dados. Porque, sem dados, a gente não consegue fazer absolutamente nada. Ter um dashboard, entender a fotografia das suas equipes e entender quanto de investimento você está colocando para esse tema é extremamente importante. Sem isso, você não sai do lugar, é apenas um sonho.

Liliane Rocha: Como você avalia que o Backlash (retrocesso) e Antiwoke (anti-despertar) em andamento estão impactando as práticas de D&I no Brasil?

NE: Eu acredito que as empresas que entenderam que a diversidade faz parte do negócio não estão sendo acometidas por esse momento.

Algumas pessoas sim, e as empresas são feitas de pessoas. Mas as empresas que entenderam que diversidade, equidade e inclusão é a coisa certa a se fazer — e que gera retorno financeiro positivo — não entraram nesse caminho.

Algumas que faziam só porque era, de repente, um modismo, se aproveitaram desse momento e deixaram de fazer. Mas eu acho que, cada vez mais, empresas que trabalham olhando para a sociedade de forma real, entendendo que essas pessoas são seus clientes, estão investindo cada vez mais em diversidade.

Acho que o Brasil é um país bem avançado com relação a esse tema. A gente tem leis que combatem o racismo, a LGBTfobia, a transfobia, o capacitismo. Então, acho que a gente está respaldado como país. E, para mim, a tendência é avançarmos no tema.

Quem mensagem gostaria de deixar para jovens que estão iniciando hoje a sua carreira em D&I e Ambiental, Social e Governança (ESG) em grandes empresas?

NE: Estude bastante, esteja preparado e entenda quais são os pontos-chave da empresa em que você trabalha e como você pode usar as diferenças para fazer com que essas diferenças sejam valorizadas.

Então, por exemplo, em empresas de consumo, a gente precisa entender quem são os consumidores, o que esses consumidores consomem, qual é o perfil e como a diversidade vai fazer a diferença para eles em soluções, em produtos e serviços.

Para você o que é sucesso?

NE: Eu acho que é felicidade, porque, quando você trabalha com o que você gosta, com pessoas em quem você se inspira, com propósito, você tem sucesso.

O restante é consequência. Porque, no final do dia, a gente está quase que a vida toda no trabalho. Então, se a gente não for feliz, não estiver com pessoas que a gente admira, com uma marca que a gente também se emociona, acho que fica difícil o restante vir.

Que mensagem final gostaria de deixar aos nossos leitores?

NE: A gente tem muitas escolhas na vida. E por que não escolher ser gentil? A gente pode escolher tanta coisa! A gente pode escolher ficar nervoso, a gente pode escolher ficar chateado porque uma demanda não deu certo, porque a gente recebeu um não, mas a gente também pode decidir ser gentil em todos os momentos. Se eu não conseguir agora, eu posso e vou conseguir na próxima.

Então, eu posso ser gentil com as outras pessoas e comigo mesma. Isso é fundamental para a gente não adoecer.

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