A China está avançando na construção de uma aeronave hipersônica baseada em uma ideia abandonada pela Nasa na década de 1980, segundo informações da Fast Company. Trata-se de um “drone mothership”, uma nave-mãe capaz de atingir velocidades superiores a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som), equipada para lançar múltiplos drones autônomos durante o voo.
O projeto utiliza uma asa oblíqua rotativa, um conceito conhecido como oblique wing, que foi originalmente idealizado por engenheiros nazistas, aprimorado por cientistas norte-americanos e finalmente testado pela Nasa com o modelo AD-1, entre 1979 e 1982. Na época, o modelo demonstrou viabilidade técnica, mas enfrentou sérios desafios de estabilidade e controle, levando à sua descontinuação.
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Agora, com tecnologias modernas de simulação, inteligência artificial e materiais avançados, os engenheiros chineses acreditam que podem superar as limitações do passado e transformar esse conceito em uma nova arma estratégica.
Capacidade militar e função estratégica
A aeronave proposta pela China poderá operar próximo à borda do espaço, a cerca de 30 km de altitude, com capacidade para carregar até 2.000 kg de carga útil e lançar entre 16 e 18 drones para ataques rápidos e coordenados contra infraestruturas críticas, como radares, centros de comando e sistemas de comunicação.
Esse tipo de veículo representa uma evolução importante em relação a mísseis balísticos hipersônicos, que seguem trajetórias previsíveis e são mais suscetíveis a sistemas de defesa. A vantagem do novo modelo é sua capacidade de manobra, o que o torna mais difícil de ser interceptado. A operação da nave é planejada para ser totalmente autônoma, incluindo retorno ao ponto de origem após o lançamento dos drones.
Superando os desafios da engenharia
Apesar do entusiasmo, os obstáculos técnicos são numerosos. Um dos maiores desafios é a resistência estrutural da asa rotativa em velocidades hipersônicas, com temperaturas que ultrapassam os 1.000°C. Além disso, a transição de velocidade transônica (Mach 0.8 a 1.2) cria instabilidades que exigem sistemas de controle altamente precisos e redundantes.
Para lidar com esses riscos, o projeto inclui sensores de diagnóstico em tempo real, sistemas de travamento de emergência para a asa e estruturas inteligentes capazes de se autorregular diante de condições extremas.
O retorno das ideias esquecidas
O uso da tecnologia da Nasa reflete uma tendência mais ampla da estratégia chinesa: recuperar projetos ocidentais arquivados por limitações econômicas ou técnicas, reinterpretando-os com recursos contemporâneos. O próprio motor de detonação oblíqua, outra ideia americana da década de 1950, está sendo desenvolvido paralelamente na China com base em pesquisas da Força Aérea dos EUA.
A oblique wing, em especial, atraiu a atenção dos chineses por sua capacidade de unir desempenho em baixa e alta velocidade, além de permitir uma estrutura mais leve e eficiente do que as asas convencionais variáveis.
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