Pesquisadores da Universidade de Hokkaido, no Japão, descobriram que musgos podem resistir a longos períodos às condições extremas do espaço e retornar à Terra ainda capazes de se reproduzir. A descoberta, publicada nesta quarta-feira (20) na revista iScience, reforça o potencial dessas plantas primitivas para futuros sistemas agrícolas em ambientes extraterrestres.
Para o experimento, centenas de esporófitos, estruturas que abrigam esporos e fazem parte do ciclo reprodutivo do musgo, foram enviados à Estação Espacial Internacional (ISS) em março de 2022.
Instalados na parte externa da estação, eles ficaram expostos por 283 dias ao vácuo, à radiação cósmica, à microgravidade e às oscilações extremas de temperatura. De volta à Terra, em janeiro de 2023, mais de 80% dos esporos permaneciam viáveis e aptos a germinar em laboratório.
A resistência surpreendeu os próprios cientistas.
“Esperávamos quase zero de sobrevivência, mas o resultado foi o oposto”, afirmou o pesquisador Tomomichi Fujita.
Embora os esporos apresentassem uma redução de cerca de 20% no pigmento clorofila A, que é sensível à radiação, o desempenho geral não foi afetado, segundo o site Interesting Engineering.
Antes de enviar os musgos ao espaço, a equipe também conduziu testes em ambiente controlado, simulando fatores como altos níveis de radiação UV, extremos de temperatura e vácuo.
Três estruturas foram analisadas: protonema (músculo juvenil), células de broto (células-tronco formadas sob estresse) e esporófitos. Estes últimos se mostraram de longe os mais resistentes — chegando a tolerar mil vezes mais radiação UV do que as células de broto. Os esporos também sobreviveram a temperaturas entre –196°C e 55°C e mantiveram a capacidade de germinar.
Os pesquisadores atribuem essa robustez à capa protetora que envolve os esporos, uma adaptação evolutiva que teria permitido aos musgos — um dos primeiros grupos de plantas a colonizar a Terra, há cerca de 500 milhões de anos — resistir a ambientes extremos e a sucessivos eventos de extinção.
Com base nos dados coletados, o grupo desenvolveu um modelo matemático que estima que os esporos poderiam resistir no espaço por até 5.600 dias, ou aproximadamente 15 anos. A previsão ainda requer novos experimentos, mas aponta para o potencial dos musgos em sistemas autossustentáveis fora da Terra.
Os resultados reforçam o interesse crescente em plantas como base para a agricultura espacial, considerada essencial para missões de longa duração e para a futura construção de ecossistemas na Lua e em Marte.






