Moradores de Kingston upon Thames, cidade ao sudoeste de Londres, foram surpreendidos por dois murais natalinos no topo de um restaurante. As imagens presentes na obra foram descritas como cenas de horror, que pareciam ter sido geradas por inteligência artificial.
Os murais exibiam figuras humanas e animais deformados, além de um boneco de neve perturbador, remetendo à época em que geradores de imagem por IA ainda tinham dificuldade em criar mãos com cinco dedos.
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Entre piadas sobre a “celebração do retorno de Cthulhu”, entidade cósmica criada pelo escritor norte-americano H. P. Lovecraft em 1928, surgiram questionamentos sobre como obras tão peculiares foram aprovadas.
Segundo o site local London Centric, os murais foram retirados pelos proprietários dos edifícios, mas não por causa da estética grotesca, mas por uma interpretação política. Um dos painéis mostrava uma multidão caminhando por água rasa, imagem que alguns associaram à travessia de migrantes pelo Canal da Mancha, tema altamente sensível no Reino Unido.
Os donos do prédio negaram qualquer intenção política e afirmaram que os murais retratavam uma cena natalina inspirada no pintor flamengo Pieter Bruegel, do século XVI.
Ainda assim, as imagens provocaram um debate acalorado. Parte do público viu na obra uma possível zombaria com migrantes, enquanto outros interpretaram como uma tentativa de humanizar refugiados que atravessam o canal em condições perigosas.
Moradores afirmaram que as obras teriam sido criadas pelo artista Mat Collishaw, conhecido por usar IA em trabalhos bem avaliados, embora ele ainda não tenha assumido a autoria.
O episódio expõe a crescente sensibilidade em torno de temas como imigração no Reino Unido, a ponto de o público parecer disposto a ignorar até um boneco de neve demoníaco e figuras dignas de Cthulhu.






