O avanço da influência de bilionários da tecnologia sobre a política dos Estados Unidos tem se tornado cada vez mais evidente. Segundo reportagem da Wired, figuras como Elon Musk, Peter Thiel e David Sacks, antes associados a projetos de inovação e tecnologia, passaram a atuar diretamente na definição de rumos políticos e culturais do país. Após apoiarem Donald Trump em sua ascensão à presidência, esses nomes agora visam remodelar não apenas o cenário eleitoral, mas as instituições e valores democráticos norte-americanos.
A reportagem da Wired destaca que, nos últimos anos, esses bilionários formaram redes de apoio a candidatos e causas alinhadas a uma agenda libertária, tecnocrática e, em alguns casos, ultraconservadora. Com acesso a capital praticamente ilimitado, investem em think tanks, plataformas de mídia, universidades e iniciativas políticas que desafiam estruturas tradicionais.
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Peter Thiel, por exemplo, tem sido figura central no financiamento de candidatos republicanos com discursos nacionalistas e antiestablishment. David Sacks, outro nome influente, defende abertamente uma “renovação institucional” que, segundo ele, seria necessária para preservar a liberdade frente ao que classifica como autoritarismo progressista.
Donald Trump como catalisador
A eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos serviu como ponto de virada para a entrada mais evidente de bilionários da tecnologia no campo político. O presidente encontrou nesse grupo uma base de apoio entusiasmada, tanto ideológica quanto financeiramente.
Segundo a Wired, muitos desses empresários enxergam em Trump um aliado na desconstrução do que chamam de “Estado administrativo”, termo usado para criticar agências reguladoras e instituições públicas que, segundo eles, limitam a inovação e a liberdade de mercado.
De investidores a ideólogos
A atuação desses bilionários vai além do financiamento político. Muitos assumem um papel de formadores de opinião e influenciadores culturais. Elon Musk, por exemplo, usa sua presença ativa em redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter), para moldar narrativas políticas, promover ideias controversas e antagonizar veículos da imprensa tradicional.
Há também uma crítica recorrente, entre esse grupo, às universidades e à mídia, vistas como bastiões de uma elite liberal que precisa ser desafiada. Nesse sentido, há um esforço deliberado para criar ecossistemas paralelos de conhecimento, informação e formação política.
Especialistas ouvidos pela Wired alertam para os riscos de se concentrar tanto poder político e cultural nas mãos de poucos indivíduos com interesses privados. Embora a atuação desses bilionários esteja dentro dos limites legais, seu impacto sobre a democracia, o discurso público e a formulação de políticas públicas levanta questionamentos relevantes.
A ascensão de figuras políticas impulsionadas por esse grupo, combinada ao uso estratégico de plataformas digitais controladas por eles próprios, pode criar um desequilíbrio institucional difícil de ser revertido, principalmente se as regras do jogo democrático forem reescritas em seu benefício.






