Quando se fala em saúde intestinal, o termo “microbioma” costuma remeter a bactérias benéficas. No entanto, o que poucos sabem é que há outro grupo de microrganismos igualmente relevante: os fungos. Eles compõem o chamado micobioma, conjunto de espécies fúngicas que convivem com nosso corpo, especialmente no intestino e na pele. Embora menos estudado, esse ecossistema desempenha funções importantes — e, quando desregulado, pode representar riscos sérios à saúde.
A análise mais aprofundada sobre o tema foi apresentada por Rebecca A. Drummond, professora da Universidade de Birmingham, em artigo no The Conversation. Segundo a pesquisadora, entender o papel dos fungos no organismo é essencial para ampliar os cuidados com a saúde.
O papel dos fungos intestinais
O micobioma intestinal é o mais estudado até o momento. Nele, destaca-se a presença de leveduras do gênero Candida, comuns principalmente em países ocidentais. Em indivíduos saudáveis, a população de Candida é mantida sob controle graças à ação do sistema imunológico e das bactérias intestinais. No entanto, quando há desequilíbrios, causados, por exemplo, pelo uso de antibióticos, essa regulação é comprometida.
Antibióticos, ao eliminarem bactérias benéficas, abrem espaço para a proliferação de fungos como a Candida, que pode desencadear infecções graves, sobretudo em pacientes com o sistema imunológico enfraquecido. O artigo destaca que, em ambientes hospitalares, esse tipo de infecção é mais comum em pacientes sob uso de antibióticos ou tratamento de câncer.
Relações com doenças crônicas
O crescimento descontrolado de fungos no intestino está associado a diversos problemas de saúde. Pacientes com doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn, costumam apresentar níveis elevados de Candida. Esses fungos podem liberar toxinas que irritam o revestimento intestinal, agravando os sintomas da enfermidade.
Outro exemplo citado no artigo é a ativação excessiva de células do sistema imunológico em casos de COVID-19 grave, o que também pode estar relacionado ao excesso de fungos como a Candida no intestino.
O corpo humano também possui um micobioma cutâneo, com destaque para áreas como os espaços entre os dedos dos pés, regiões de alta diversidade fúngica. A principal espécie encontrada na pele é o fungo Malassezia, que vive na superfície cutânea e pode interferir diretamente na resposta imune local.
A presença desequilibrada de Malassezia pode contribuir para quadros de inflamação e está associada a condições como psoríase e eczema.






