Médicos britânicos do Imperial College London e do Imperial College Healthcare NHS Trust desenvolveram com sucesso um estetoscópio baseado em inteligência artificial que consegue detectar três doenças cardíacas em apenas 15 segundos – insuficiência cardíaca, doença valvular cardíaca e ritmos cardíacos anormais.
A ferramenta de alta tecnologia pode analisar pequenas diferenças nos batimentos cardíacos e no fluxo sanguíneo indetectáveis ao ouvido humano e, ao mesmo tempo, realizar um ECG rápido. As informações são do The Guardian.
Um estudo que testou o estetoscópio com IA em cerca de 12 mil pacientes de 200 consultórios médicos no Reino Unido, analisou aqueles com sintomas como falta de ar ou fadiga.
Aqueles examinados com a nova ferramenta tiveram duas vezes mais chances de serem diagnosticados com insuficiência cardíaca, em comparação com pacientes semelhantes que não foram examinados com a tecnologia.
Os pacientes tiveram três vezes mais chances de serem diagnosticados com fibrilação atrial – um ritmo cardíaco anormal que pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral. Eles tiveram quase duas vezes mais chances de serem diagnosticados com doença valvular cardíaca, quando uma ou mais válvulas cardíacas não funcionam corretamente.
“O design do estetoscópio permaneceu inalterado por 200 anos – até agora. Portanto, é incrível que um estetoscópio inteligente possa ser usado para um exame de 15 segundos e, em seguida, a IA possa fornecer rapidamente um resultado de teste indicando se alguém tem insuficiência cardíaca, fibrilação atrial ou doença valvular cardíaca”, afirma Patrik Bächtiger, médico do Instituto Nacional do Coração e Pulmão do Imperial College London.
Como funciona o estetoscópio com IA
O dispositivo, fabricado pela empresa californiana Eko Health, tem aproximadamente o tamanho de uma carta de baralho. Ele é colocado no peito do paciente para fazer um registro de ECG dos sinais elétricos do coração, enquanto seu microfone grava o som do sangue fluindo pelo coração.
Essas informações são enviadas para a nuvem onde serão analisadas por algoritmos de IA capazes de detectar problemas cardíacos sutis que um ser humano não conseguiria identificar.
O resultado do teste, indicando se o paciente deve ser sinalizado como estando em risco de uma das três condições ou não, é enviado de volta para um smartphone.
A inovação, no entanto, traz um elemento de risco, com uma chance maior de as pessoas serem informadas erroneamente de que podem ter uma das condições quando, na verdade, não têm. Por isso, os pesquisadores enfatizam que o estetoscópio de IA deve ser usado para pacientes com sintomas de suspeita de problemas cardíacos, e não para exames de rotina em pessoas saudáveis. Mas ele também pode salvar vidas e economizar dinheiro ao diagnosticar as pessoas muito mais cedo.
“Este estudo mostra que os estetoscópios com IA dão aos médicos uma ferramenta rápida e simples para detectar problemas mais cedo, para que os pacientes possam receber o tratamento certo mais rapidamente” diz Mihir Kelshiker, também do Imperial College.






