Durante anos, a inteligência artificial foi vista por muitas empresas como uma aposta promissora, mas ainda incerta. Parecia complexa ou cara demais para justificar uma aplicação concreta no dia a dia. Esse cenário, no entanto, está mudando com rapidez.
E os números não deixam dúvidas: segundo o estudo Global AI in Finance, da KPMG, 32% das empresas brasileiras já alcançaram retorno significativo sobre os investimentos em IA na área de finanças, e outros 26% afirmam que os resultados superaram as expectativas.
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Ou seja, mais da metade das empresas que já utilizam inteligência artificial nesse setor estão colhendo benefícios tangíveis, o que reposiciona completamente a conversa sobre o valor da IA nos negócios.
Esse impacto é refletido diretamente nas áreas mais críticas da operação financeira. O estudo mostra que empresas vêm utilizando IA com sucesso em detecção de fraudes, automação de relatórios financeiros, análise de crédito, gestão de riscos e planejamento financeiro.
E o movimento é consistente: 60% das companhias no Brasil consideram empregar inteligência artificial generativa especificamente para automatizar relatórios financeiros, inclusive fiscais, o que aponta para uma transição irreversível rumo à automação e ao uso estratégico de dados.
A detecção de fraudes talvez seja o exemplo mais imediato e visível do poder da IA nesse setor. Com algoritmos capazes de identificar padrões incomuns em tempo real, as empresas conseguem agir preventivamente, reduzindo perdas financeiras e fortalecendo suas estruturas de compliance. Já na automação de relatórios, o que antes exigia horas de trabalho manual agora pode ser gerado em minutos, com mais consistência e menos margem de erro.
Na análise de crédito, a IA permite decisões mais rápidas e baseadas em múltiplas variáveis, e na gestão de riscos, ela se torna uma aliada para antecipar cenários e ajustar estratégias com maior agilidade.
Mas talvez o ponto mais transformador seja o que acontece na fronteira entre a inteligência artificial e a experiência do cliente. Personalizar produtos e serviços com base em dados concretos — e em tempo real — se torna cada vez mais uma expectativa do consumidor, não um diferencial. A hiperpersonalização deixa de ser uma experimentação e se torna uma necessidade e a IA está no centro dessa transformação.
Com o uso de tecnologias como NLP (processamento de linguagem natural), machine learning e Gen AI, é possível construir jornadas personalizadas, atender com mais contexto e oferecer soluções sob medida, elevando exponencialmente a fidelização e o valor percebido pela marca.
Analisando o mercado, observamos que na prática o sucesso na aplicação da inteligência artificial não está apenas em adotar a tecnologia mais recente, mas em saber como, onde e por quê aplicá-la. Isso exige método, cultura, governança e foco em impacto real.
O dado mais revelador do estudo talvez seja este: 67% das empresas que se consideram líderes digitais já estão colhendo retorno acima ou muito acima do esperado com IA em finanças. Esse dado revela o quanto a maturidade digital e a estratégia bem executada andam juntas.
O Brasil tem, hoje, uma oportunidade única. A maturidade digital das organizações cresce de forma consistente e o ambiente regulatório, cada vez mais atento, cria as bases para um avanço seguro e sustentável da IA.
O que os dados mostram é que a inteligência artificial aplicada às finanças deixou de ser uma promessa para se tornar uma vantagem competitiva concreta e que, em muitos casos, já está impactando diretamente os resultados.
É hora de olhar para a inteligência artificial não como um projeto de futuro, mas como uma alavanca de transformação do presente. E para as empresas que quiserem liderar essa nova fase da economia digital, a hora de agir é agora.
*Claudia Regazzini é diretora executiva da CI&T
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