A empresa de ciências biológicas e reentrada habilitadas para microgravidade Varda Space Industries, dos Estados Unidos, está trabalhando para fabricar medicamentos no espaço e trazê-los de volta à Terra.
Até o momento, ela já realizou três missões. A última, chamada W-3, retornou à Terra em 13 de maio e, por dois meses, serviu como um laboratório experimental em órbita baixa.
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A Varda afirma ser a primeira empresa privada a sintetizar um produto farmacêutico no espaço e devolvê-lo intacto ao nosso planeta, demonstrando que os processos de cristalização que ocorrem na microgravidade são preservados mesmo após o retorno ao ambiente gravitacional da Terra.
“Estruturas cristalinas formadas em microgravidade têm o potencial de ser diferentes daquelas formadas na Terra, apesar de ambas terem o mesmo ingrediente farmacêutico ativo”, disse Adrian Radocea, diretor científico da empresa, ao Science Alert.
Segundo ele, essa diferença na estrutura cristalina pode ter vários impactos na molécula, seja melhorando as formulações de medicamentos existentes ou garantindo um caminho para atingir os perfis farmacocinéticos e as vias de administração que permitem a primeira aprovação de um medicamento em desenvolvimento clínico.
O Science Alert destaca que esforços de pesquisa que remontam a décadas, conduzidos em voos parabólicos e na Estação Espacial Internacional (ISS), mostraram que um ambiente de microgravidade pode estabilizar a cristalização, desacelerando-a e removendo influências que levam ao crescimento desigual.
“Como a microgravidade suprime as correntes convectivas, a flutuabilidade e a sedimentação, os cristais resultantes são mais uniformes em tamanho e estrutura”, apontou Radocea. “Embora a gravidade tenha pouco impacto nas reações químicas, ela desempenha um papel significativo na hidrodinâmica da cristalização e na dinâmica em escala de reator, o que significa que o acesso a um ambiente de microgravidade pode permitir uma mudança fundamental na forma como produzimos medicamentos.”
Ainda segundo ele, “alcançar controle preciso sobre a nucleação e o crescimento impacta as distribuições de tamanho de partículas, os resultados polimórficos, a morfologia das partículas e a pureza dos cristais, que têm amplas aplicações tanto em moléculas pequenas quanto no desenvolvimento de substâncias medicamentosas biológicas”.
Mais voos
A primeira cápsula da Vanda, a W-Series 1, foi lançada em junho de 2023 a bordo da missão de transporte compartilhado Transporter 8, da SpaceX. Ela levou ingredientes do ritonavir, um medicamento contra o HIV e, quando retornou à Terra, continha a Forma III da droga, um polimorfo identificado em 2022 .
“Nossa recente publicação sobre hipergravidade destacou vários resultados inesperados. O mais importante para mim foi que, mesmo sob agitação, os efeitos da gravidade influenciam o tamanho das partículas”, comentou Radocea.
A segunda maior questão, de acordo com ele “foi como a competição entre gradientes de sedimentação e concentração poderia levar a uma tendência complexa e não monótona com o aumento da gravidade. Isso mostra que executar os testes e gerar dados é uma das melhores maneiras de aprender.
A empresa quer continuar se concentrando em moléculas com problemas conhecidos de cristalização, encontrando novos caminhos para fármacos que não podem ser sintetizados aqui na Terra. Sua quarta missão já foi lançada, e outras duas estão programadas para o início de 2026.
Em setembro, em parceria com a Southern Launch, uma provedora de serviços de missão espacial, foi anunciado um acordo para acrescentar 20 reentradas no porto espacial comercial de lançamento e reentrada de Koonibba Test Range, no sul da Austrália, até 2028.
Desde que as missões W-2 e W-3 da Varda reentraram em fevereiro e maio de 2025, ambas têm trabalhado para reentrar as cápsulas espaciais da Varda em Koonibba.
“A parceria da Varda com a Southern Launch provou ser decisiva para o nosso negócio”, disse Eric Lasker, diretor de Receitas da Varda, em comunicado. “A equipe da Southern Launch continua operando em um nível em que podemos realmente confiar, e estamos entusiasmados em ver nossa parceria se expandir e se tornar um pilar fundamental da economia espacial.”
Ao Science Alert, Radocea salientou que o número de voos aumentará nos próximos anos até que haja uma reentrada a cada mês ou mais.
“O desafio para nós é produzir tantas cápsulas e enchê-las”, observou. “Planejamos ter um medicamento em um ser humano nos próximos dez anos.”
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