Mais um episódio indigesto abala as estruturas do império e imagem do bilionário empresário suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann, a terceira pessoa mais rica do Brasil. O novo golpe vem dos Estados Unidos, berço do fast food e palco do apelido que o consagrou como “Rei do Hambúrguer”.
A Consolidated Burger Holdings (CBH), uma das maiores franqueadas do Burger King, entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências americana, o equivalente à recuperação judicial no Brasil – ela deve quase US$ 37 milhões (R$ 199 milhões) a credores e registrou prejuízo de US$ 15 milhões (R$ 81 milhões) no último ano.
Responsável por 57 restaurantes na Flórida e na Geórgia, a empresa é controlada pela Restaurant Brands International (RBI), que tem a 3G Capital, de Lemann, como principal acionista. A 3G Capital comprou o Burger King em 2010, por cerca de US$ 1 bilhão.
“Os recentes aumentos nos custos de frete e alimentação, a diminuição da disponibilidade de mão de obra e a inflação” agravaram os problemas para a franqueada, disse Joseph Luzinski, diretor de reestruturação da empresa ao New York Post. A companhia tenta agora vender seus ativos sob supervisão da Justiça americana.
O caso não é isolado. Desde 2023, outras franqueadas do Burger King, como a Meridian Restaurants e a Premier Kings, também enfrentaram colapsos financeiros e entraram com pedido de falência nos últimos anos, ainda se recuperando da pandemia de Covid-19 e da inflação persistente.
Outras derrocadas envolvendo Lemann
As crises no império de Lemann começaram em 2019, quando a gigante de alimentos Kraft Heinz, na qual o bilionário detinha participação, anunciou cortes de dividendos e uma baixa de US$ 15 bilhões (R$ 81 bilhões) no valor de suas marcas, além de investigação da SEC, o órgão regulador do mercado americano, por práticas contábeis irregulares.
Já no início de 2023, estourou, no Brasil, o escândalo das Lojas Americanas, quando a empresa, que também pertence a Lemann e seus sócios, anunciou ao mercado divulgou um rombo de R$ 20 bilhões em suas contas, revelando inconsistências contábeis que a empresa não conseguia mensurar completamente.
Lemann já afirmou durante participação em alguns eventos que toda crise traz oportunidade. Apesar de mais um golpe à sua reputação com o mais recente pedido de recuperação judicial da CBH, o empresário continua sendo o terceiro homem mais rico do Brasil – patrimônio de R$ 88 bilhões, uma queda de 4,2% em relação ao ano anterior, segundo a lista dos bilionários brasileiros de 2025 divulgada pela Forbes em agosto.
Acionista controlador da gigante cervejeira AB Inbev, Lemann também é dono da São Carlos Empreendimentos, que tem como sócios seus filhos e os herdeiros de seus sócios, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. Em maio de 2025, após três anos sem fechar grandes negócios, a 3G Capital comprou a empresa americana de tênis Skechers por cerca de US$ 9,4 bilhões.






