SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Nascido na cidade de Almada, em Portugal, o atacante Hélio Varela, 24, poderia eventualmente estar defendendo a seleção lusitana na Copa do Mundo 2026. No entanto, ele preferiu seguir o coração e jogar por Cabo Verde, nação dos seus pais.
Três anos após sua estreia pelos Tubarões Azuis, foi dele o gol que garantiu o empate por 2 a 2 com o Uruguai, neste domingo (21), pelo Grupo H, que mantém Cabo Verde com chances de classificação à segunda fase da Copa logo em sua primeira participação.
Em entrevista ao site Flashscore, de Portugal, Varela deixou claro que sempre pensou em defender a seleção cabo-verdiana.
“Quem me conhece sabe da minha paixão por Cabo Verde. Apesar de não ter nascido lá, desde pequeno sempre coloquei na minha cabeça que o meu objetivo era jogar na seleção de Cabo Verde, e foi uma decisão que não pensei duas vezes.”
Apesar dessa ênfase na escolha, em 2024 ele foi alvo de críticas justamente por pedir dispensa da seleção para a disputa do Copa das Nações Africanas. Ele preferiu continuar atuando no Campeonato Português por seu clube à época, o Portimonense.
“Foi uma decisão que quem me conhece sabe o quão difícil foi de tomar, pelo orgulho que tenho de vestir a camisa de Cabo Verde. Mas ainda assim foi tomada a título individual e avisada antecipadamente”, destacou ele à época.
Sua ausência, porém, durou apenas três meses. Na convocação seguinte, Varela aceitou e iniciou a disputa das eliminatórias para a Copa do Mundo. À Agência Lusa ele comentou sobre as críticas de que tinha sido o culpado da história.
“Se tivesse visto de fora também teria entendido da mesma maneira”, disse ele, esclarecendo que “nem tudo” o que saiu nas notícias era verdadeiro.
Depois do pedido de dispensa, o presidente da Federação de Cabo Verde, Mário Semedo, criticou publicamente a diretoria e o treinador do Portimonense, acusando-os de ter pressionado Varela, então com 21 anos.
No retorno à seleção, o jogador disse estar feliz e se tornou uma das peças principais do técnico Pedro Brito, conhecido como Bubista, para garantir a classificação à Copa e, agora, para o empate com o Uruguai.
Ao Flashscore o jogador se qualificou como uma pessoa alegre no dia a dia.
“Tento levar as coisas da melhor maneira possível. Nem sempre estão bem dentro e fora de campo, mas o futebol nos ajuda mais do que as pessoas pensam. Não é uma profissão fácil, mas tem coisas muito boas, e é um privilégio entrar em campo.”
Após se destacar pelo Portimonense, o atacante passou pelo Gent, da Bélgica, e atualmente atua pelo Maccabi Tel Aviv, de Israel.






