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'Guerreiras do K-pop': por que hit da Netflix deixa sul-coreanos frenéticos, fascinados e ansiosos

Redação by Redação
agosto 31, 2025
in Negócios, News
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Quando um monge sul-coreano realizou um ritual budista para uma popular banda masculina de K-pop, foi a cerimônia mais inusitada de sua vida.

A missão dele era guiar as almas do grupo rumo à paz e ao renascimento.

Mas havia um detalhe: a banda já não existia. Na verdade, nunca havia existido fora da ficção ou do mundo animado do filme Guerreiras dos K-pop (Kpop Demon Hunters, na versão e inglês), sucesso da Netflix (disponível no Brasil).

Ainda assim, o vídeo no YouTube viralizou.

Mesmo retratados como vilões, os Saja Boys — personagens que formam uma banda masculina no filme — conquistaram uma legião de fãs graças ao visual marcante e atitude arrogante. Até o nome, saja, pode ser traduzido como “anjos da morte”, entre outras coisas.

A cerimônia transmitida ao vivo, um rito budista genuíno conhecido como Chondojae — geralmente realizado por monges para famílias enlutadas — durou mais de duas horas e teve mais de 4 mil espectadores.

Foi o maior público que o monge, um youtuber que prefere manter o anonimato, já havia visto em uma cerimônia, mesmo online.

Apesar de parecer uma piada, a BBC confirmou que ele é um monge registrado.

Mas nem mesmo ele foi capaz de garantir a salvação para os Saja Boys, nem do protagonista, Jinu.

“Isso depende do bom carma dele. Posso guiá-lo, mas não posso prometer nada.”

E sobre Guerreiras do K-pop, a Netflix afirma que é seu filme mais assistido de todos os tempos.

Os sul-coreanos vivem o momento com entusiasmo.

Produzido e dublado por coreano-americanos, desenvolvido pela Sony e lançado pela Netflix, o filme tem inspiração profundamente enraizada na cultura coreana.

A história é sobre caçadores de demônios míticos, cujo poder vem da música. Neste caso, uma atrevida banda feminina de K-pop chamada Huntrix.

E, claro, a trilha sonora que os fãs ao redor do mundo estão cantando o dia inteiro tem raízes no maior produto cultural exportado pela Coreia do Sul: o K-pop.

Tudo isso gerou um frenesi na Coreia do Sul, assim como em outros países, um verdadeiro fascínio pela cultura coreana retratada no filme, mas também um pouco de FOMO (medo de estar perdendo algo).

Ainda não há previsão de lançar o filme nos cinemas da Coreia do Sul.

“Ver todos esses vídeos das pessoas cantando junto nos cinemas…eu estou com inveja dos americanos!”, escreveu uma fã na rede social.

Outra prometeu: “Se KDH [sigla em inglês para Guerreiras do K-pop] chegar aos cinemas daqui, até tiro um dia de folga” — uma grande promessa na Coreia do Sul, considerando sua cultura de trabalho.

Qual o segredo do filme?

Parte desse entusiasmo vem do respeito.

Muitos coreanos têm receio de representações malfeitas de seu país nas telas, especialmente agora que a cultura se tornou tão popular. E ter um sucesso global representado de forma errada seria doloroso.

“Eu já assisti a vários filmes e dramas que falavam sobre a cultura coreana, mas eles sempre estavam cheios de erros. Eles confundiam com tradições chinesas ou japonesas, mostravam atores falando um coreano estranho, e reduziam tudo a uma imitação superficial”, diz Lee Yu-min, de 30 anos.

“Mas fiquei genuinamente impressionada com a forma como KDH retratou nossa cultura.”

Apontando para a cena de abertura, ela diz: “Uma casa de telhado de palha da dinastia Joseon, pessoas comuns usando hanbok [vestimenta tradicional coreana], com seus penteados característicos. Os detalhes estavam quase perfeitos”.

Ela afirma que “nunca imaginou” que o filme conquistaria corações ao redor do mundo do jeito que conquistou.

As músicas do filme se tornaram algumas das mais ouvidas no Spotify.

O fandom na Coreia do Sul não fica para trás.

Surpreendentemente, um dos maiores beneficiários foi o Museu Nacional da Coreia, que abriga artefatos tradicionais exibidos no filme.

Já conhecido como o museu mais visitado da Ásia, ele agora tem filas do lado de fora, que se formam antes mesmo das portas abrirem por pessoas que esperam para ver as exibições e comprar algo na loja oficial.

Só em julho, o museu recebeu 740 mil visitantes, mais do que o dobro durante esse mesmo período no ano passado.

“Eu cheguei lá às 10h em ponto, horário que o museu abre, mas já tinha cerca de 100 pessoas esperando”, disse Lee Da-geon, que foi em uma segunda-feira para tentar escapar do fluxo grande de pessoas no fim de semana.

Mas ela saiu lá de mãos vazias. “Tudo o que eu queria, já tinha esgotado.”

Entre os itens da lista de desejo estavam um broche com um tigre e uma ave pega — os personagens de Derpy e Sussie, animais inspirados em pinturas folclóricas.

O aumento nas vendas tem sido um impulso para pessoas como Choi Nyun-hee, que administra o ateliê Heemuse.

“Meu faturamento aumentou cerca de cinco vezes”, afirma, acrescentando que seus produtos agora são exportados para os EUA e para a Austrália.

Ela conta que descobriu o filme quando o norigae — um pingente tradicional com madrepérola — em formato de tigre “de repente começou a esgotar”.

Choi já trabalhou em um museu, onde ela desenvolvia programas educativos sobre artefatos coreanos. Depois de assistir ao filme, concluiu que “a cultura coreana foi retratada bem e integrada à narrativa da história.”

Para outros, não foram apenas as imagens e o simbolismo que repercutiram.

“Rumi, a heroína, esconde seu verdadeiro eu por constrangimento e vergonha. Eu me identifiquei com isso”, disse Lee Da-geon.

“Na Coreia, as pessoas se preocupam demais com o que os outros pensam.”

Park Jin-soo, um YouTuber que trabalhou na indústria de filmes coreanos, admite que, inicialmente, descartou o filme por achar que seria “uma animação bizarra baseada em K-pop”, mas, quando finalmente assistiu, achou profundamente divertido.

“Pessoalmente, eu gostaria de ver KDH nas telas do cinema, especialmente em um momento em que o cinema sul-coreano precisa desesperadamente de sucesso”, declarou.

“Agora, eles estão em guerra por dividir o mesmo mercado, mas streaming e cinemas têm propósitos diferentes. Se eles criarem tendências juntos e viralizar, a fatia de mercado que estão disputando não vai crescer ainda mais? Eu acho que KDH pode cumprir esse papel.”

Para ele, a experiência sing-along é algo que apenas o cinema pode oferecer, é uma forma de transformar um sucesso de streaming em um sucesso de bilheteria.

Mais de dois meses após a estreia, o sucesso do filme não diminuiu — pelo contrário, ele já está chegando aos cinemas.

Na América do Norte, sessões especiais no formato sing-along, para os fãs cantarem junto, fizeram de Guerreiras do K-pop o primeiro filme da Netflix a alcançar o primeiro lugar nas bilheterias.

Agora, os fãs sul-coreanos pedem pela mesma experiência, tanto online quanto offline: “Eu quero cantar KDH no cinema!”.

O filme será exibido no Festival Internacional de Cinema de Busan, em setembro, que anunciou algumas sessões limitadas no formato sing-along. Mas os ingressos devem ser disputados.

Lee Yu-min, que já assistiu ao filme mais de cinco vezes na Netflix, diz que está determinada a ir se houver estreia nos cinemas.

“Com certeza vou levar meu marido junto. Ele ainda não viu”, afirmou.

“Estou torcendo para que KDH chegue às salas de cinema da Coreia do Sul”, escreveu um fã nas redes sociais. “Sei que nada foi confirmado, mas eu já comecei a decorar todas as letras.”

Outro questionou: “Guerreiras do K-pop está em cartaz nos Estados Unidos, Canadá e no Reino Unido… por que não na terra do K-pop?”.

  • Por que uso de IA por estrelas do K-pop divide seus fãs
  • ‘Fui de mendigo na Coreia do Norte a ídolo do K-pop na Coreia do Sul’
  • Coreia do Sul: o outro lado de crises e desencanto em país conhecido por educação, tecnologia e k-pop

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