No longa, Antonelli vive uma policial marcada por um fracasso profissional e afastada da corporação após uma operação malsucedida.
ADRIELLY SOUZA
SÃO PAULO, SP ( JT) – Filmar em meio à floresta amazônica foi decisivo para moldar o tom e as personagens de “Rio de Sangue”, novo thriller nacional estrelado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann.
No longa, Antonelli vive uma policial marcada por um fracasso profissional e afastada da corporação após uma operação malsucedida. Jurada de morte pelo narcotráfico, ela deixa São Paulo e tenta reconstruir a relação com a filha, Luiza, interpretada por Wegmann, em Santarém. Ambientado no Pará, o longa usa o cenário não apenas como pano de fundo, mas como força dramática que empurra suas protagonistas ao limite.
O que deveria ser um recomeço ganha contornos de pesadelo quando a jovem, médica ligada a uma ONG que atua junto a povos indígenas no Alto Tapajós, é sequestrada durante uma missão humanitária.
Para Giovanna Antonelli, a força da personagem está justamente na contradição. Patrícia, sua personagem, não surge como uma heroína clássica. “Ela começa ferida. A culpa e o medo não são obstáculos, são a forma como ela reage ao mundo”, afirma a atriz. Segundo ela, o desafio foi construir uma mulher que tenta se reorganizar internamente enquanto tudo ao redor desmorona.
A Amazônia, nesse sentido, intensifica o conflito. “Filmar lá tira da zona de conforto. O calor, o limite físico, a vulnerabilidade. É exatamente o estado interno da Patrícia”, diz Antonelli. “É um teste constante, porque ela precisa agir com o que tem, não com o que gostaria de ter.”
Ao longo da narrativa, a personagem se distancia gradualmente do papel institucional de policial e passa a agir movida apenas pelo instinto materno.
“Chega uma hora em que o protocolo deixa de fazer sentido. Ela não abandona quem é, mas passa a agir totalmente pela urgência”, explica. Para a atriz, Patrícia se diferencia de outras mulheres fortes que já interpretou justamente por não sustentar a força o tempo todo. “Ela erra, hesita, cansa. Vence porque insiste, mesmo quando não tem mais controle da situação.”
Alice Wegmann interpreta Luiza, médica humanitária que escolheu atuar em regiões de risco. A atriz conta que se sentiu atraída pela entrega da personagem e pelo cenário do filme. “Não existe profissão mais bonita. Ela se doa, se coloca em risco em prol de algo muito maior: a floresta, os indígenas, a vida naquele lugar”, diz. O convite para rodar no Pará, segundo ela, foi decisivo para aceitar o papel.
Mesmo sequestrada, Luiza não é retratada apenas como vítima. Wegmann destaca a resistência emocional da personagem, construída a partir da relação com a mãe. “Essa força vem da mãe, quase da natureza dela. Ela viu a mãe enfrentar situações perigosas a vida inteira e aprende a enfrentar também, do jeito dela, mais pacífico.”
A relação da dupla é o motor emocional do filme e se refletiu fora de cena. “Foi facílimo construir esse vínculo com a Giovanna. Ela é divertida, alto astral, levanta todo mundo. Contamina o set”, conta Wegmann. A preparação incluiu ainda workshops médicos e pesquisas sobre ativistas que atuaram na região amazônica, como Dorothy Stang e Chico Mendes.
Dirigido por Gustavo Bonafé (“Insânia”), “Rio de Sangue” dialoga com temas atuais como narcotráfico, garimpo ilegal e violência na Amazônia. Para Antonelli, o filme convida à inquietação. “Esses conflitos não são abstratos, atravessam vidas reais”, afirma.
Wegmann concorda e ressalta que o longa vai além do entretenimento. “Tem ‘tiro, porrada e bomba’, mas fala do nosso bem mais precioso, que é a floresta Amazônica.”, diz. “É um filme do qual eu me orgulho muito.”
Com elenco que inclui Felipe Simas, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa e Ravel Andrade, “Rio de Sangue” chega aos cinemas em 16 de abril.






