Um novo sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Google DeepMind promete revolucionar o estudo de inscrições romanas antigas ao preencher lacunas em textos danificados e prever sua origem com impressionante precisão.
Batizada de Aeneas, em homenagem ao herói troiano da mitologia, a ferramenta foi treinada com um banco de dados de cerca de 200 mil inscrições latinas, totalizando 16 milhões de caracteres. O sistema é capaz de estimar quando e onde os textos foram produzidos, além de sugerir palavras ausentes em fragmentos corroídos pelo tempo.
- Pergaminhos de 2 mil anos são revelados com ajuda de IA: ‘É uma revolução na filosofia grega’
- Netflix revela que usou IA generativa pela primeira vez em uma de suas séries; saiba qual é
- Conheça o Portrait AI, aplicativo que gera retratos do século 18 usando inteligência artificial
Historiadores envolvidos no projeto descreveram o impacto como “transformador”. De acordo com a pesquisadora Thea Sommerschield, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, que colaborou com o Google no desenvolvimento da IA, o objetivo foi enfrentar o desafio de interpretar, atribuir e restaurar textos fragmentados. “Aeneas ajuda a colocar essas inscrições em contexto, algo fundamental para compreender a vida cotidiana na Roma Antiga”, explicou Thea, ao The Guadian.
As inscrições romanas são fontes históricas valiosas e diversas, abrangendo desde decretos imperiais e poemas de amor até registros comerciais e epitáfios. Estima-se que cerca de 1.500 novas inscrições sejam descobertas a cada ano, muitas delas incompletas ou fora de contexto.
Durante os testes, o Aeneas analisou inscrições famosas como a Res Gestae Divi Augusti (Atos do divino Augusto, em português), narrativa escrita pelo imperador romano Augusto, chegando a datas semelhantes às debatidas por estudiosos. Em outro exemplo, a ferramenta identificou conexões linguísticas entre altares votivos na atual Alemanha, revelando influências históricas até então ignoradas.
De acordo com Jonathan Prag, professor da Universidade de Oxford, a ferramenta amplia o acesso à pesquisa epigráfica, antes restrita a quem dominava vasto conhecimento prévio ou dispunha de bibliotecas especializadas. “Ela democratiza o estudo dessas fontes, mas ainda exige uso crítico”, alertou.
Os resultados da pesquisa foram publicados nesta quarta-feira (23) na revista científica Nature, e o Aeneas já está disponível online para pesquisadores.






