A guerra da Ucrânia tem sido dominada pelo uso de drones. E os Estados Unidos estão de olho nisso. Reportagem do The Wall Street Journal relata que uma equipe ucraniana, liderada pelo vice-ministro da Defesa do país, Sergiy Boyev, está em Washington para elaborar um acordo histórico com a administração de Donald Trump que envolveria compartilhar sua tecnologia de drones testada em batalha em troca de royalties ou outras formas de compensação.
Os presidentes de ambas as nações apoiam a possível negociação, e uma autoridade do governo americano disse que a finalização do compromisso detalhado provavelmente levará meses.
Empresas americanas já fabricam drones sofisticados, contudo, os ucranianos estão bem à frente na produção em massa de veículos aéreos não tripulados baratos (UAVs), e eles se provaram eficazes em batalha.
Um funcionário do governo dos EUA afirmou ao WSJ que o acordo visa permitir que as forças americanas capitalizem a vantagem competitiva da Ucrânia em VANTs. A nação comandada por Volodymyr Zelensky, por sua vez, financiaria armas americanas de ponta, como o sistema antimísseis Patriot, os lançadores Himars que disparam foguetes GMLRS, os Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (Atacms) e o caça multifuncional da Força Aérea.
Pessoas familiarizadas com o assunto também disseram que EUA e Ucrânia estão explorando diversos mecanismos para facilitar a transferência de tecnologia de drones de Kiev para Washington. Isso inclui acordos nos quais empresas ucranianas fornecem tecnologia e protótipos de drones para empresas americanas em troca de royalties, ou um acordo no qual uma empresa ucraniana estabelece uma subsidiária na América para produzir os equipamentos. Outra possibilidade seria comprar os drones diretamente da Ucrânia para o exército americano.
Mas há um problema nessa história: o uso generalizado de peças chinesas em drones ucranianos. O ponto é que companhias americanas que adquirem drones e tecnologias ucranianas não podem usar componentes chineses devido à necessidade de garantir linhas de fornecimento seguras.
Europa também está de olho na tecnologia ucraniana
A Ucrânia tem utilizado drones desde o início da invasão russa, e tem sido pioneira no uso de drones de ataque baratos com visão em primeira pessoa, drones marítimos e inteligência artificial, entre outras inovações. No ano passado, o país produziu mais de dois milhões desses equipamentos.
William McNulty, sócio da UA1, um fundo de capital de risco dos EUA que investiu em oito empresas de defesa ucranianas, afirmou ao WSJ que o país fez isso por 20% a 30% do custo dos fabricantes ocidentais, e é justamente essa expertise na produção em massa de drones baratos que o Ocidente busca.
A Europa, por exemplo, já se mexeu nesse sentido. No início do ano, o governo dinamarquês assinou um acordo com a Ucrânia para ajudar empresas de defesa ucranianas a fabricar drones e outras armas em solo dinamarquês.
Em setembro, Reino Unido e Ucrânia anunciaram um acordo, e já planejam produzir em massa no Reino Unido um sistema não tripulado chamado Octopus, que intercepta outros drones no ar.
Empresas e investidores europeus também estão investindo em fabricantes ucranianos de drones. A fabricante alemã de drones Quantum Systems, por exemplo, adquiriu uma participação de 10% na ucraniana Frontline, fabricante de veículos terrestres e aéreos autônomos. A empresa tem a opção de aumentar essa participação para 25%.
Outras empresas ucranianas também estão em busca de bases estrangeiras, salienta o WSJ. A Skyeton, que fabrica o Raybird, um drone de vigilância, afirmou estar em negociações para abrir uma fábrica no sul da Inglaterra.






