Chef de cozinha, empresário, jurado do reality ‘Masterchef Brasil’, músico, ativista social e pai. Aos 51 anos, Henrique Fogaça é exemplo de que foco, determinação e comprometimento são os ingredientes da receita para alcançar o sucesso. “Bruto de alma doce”, o chef nunca teve medo em dar a cara a tapa, aprendeu com os erros e se adaptou ao que o mercado exige.
Filho mais novo entre três irmãos, Fogaça nasceu em Piracicaba (SP), onde morou até os oito anos. Teve uma infância típica de criança do interior: jogava bola, andava de bicicleta e fazia guerra de mamonas com os amigos vizinhos. Mudou-se para Ribeirão Preto, também no interior, onde ficou até seus 22 anos, quando decidiu ir para a capital de São Paulo com a irmã.
Chegando em Ribeirão, começou a estudar Administração com ênfase em Comércio Exterior e se virou como pôde para pagar as contas. “Trabalhei panfletando show, como atendente em videolocadora, em supermercado e até em um banco, onde fiquei por cinco anos”, conta ele.
Seu interesse pela gastronomia surgiu de uma necessidade. Morando com a irmã, precisava fazer a própria comida e, para se aprimorar, pedia receitas para a avó. Fogaça lembra que, um belo dia, teve vontade de comer o bife empanado que sua avó fazia, então ligou para ela e pegou a receita. Satisfeito com o resultado, começou a cozinhar mais e não parou. Nascia uma paixão até então desconhecida. Fogaça largou o emprego estável no banco, e o curso de administração foi trocado pelo de gastronomia.
Para financiar seus estudos, abriu um food truck chamado Rei das Ruas no bairro Jardim Paulista. Dentro de uma Kombi, preparava e vendia diversos lanches, como hambúrguer de picanha e sanduíche de carne louca. O negócio, apesar de se pagar, durou apenas seis meses.
Inovadores:
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Inovação na gastronomia
Depois de muita batalha, incluindo a venda de seus lanches para lojas de conveniência e lan houses (espécie de cibercafé que locava computadores para as pessoas jogarem ou acessarem a internet), em 2005, Fogaça inaugurou seu próprio restaurante, o Sal Gastronomia.
O renomado restaurante de culinária brasileira contemporânea começou como um pequeno café em uma galeria de arte no bairro de Higienópolis e hoje já soma duas unidades. Em 2013, Fogaça inaugurou o Cão Véio, Gastropub voltado para lanches e, em 2014, abriu o Admiral’s Place Whisky Bar na parte superior do Sal Gastronomia, mesmo ano em que estreou no reality ‘Masterchef Brasil’, onde é jurado até hoje. O chef ainda é um dos sócios do restaurante Jamile, em São Paulo.
“Me considero um cara inovador, sim. Fora da caixa nas coisas que eu penso, que planejo e tenho amor em fazer. As minhas inovações na gastronomia são criações de pratos dentro da característica da comida que eu faço, mais caseira e farta. Eu não vou inventar moda, gosto de sempre voltar para minhas raízes”, diz. Bom de garfo, Fogaça afirma que gosta de todo tipo de comida, mas o bom e velho prato feito (arroz, feijão, bife acebolado, farofa e ovo frito) tem sua preferência.
À primeira vista, Fogaça parece um cara durão, mas a empatia que demonstra pelas pessoas que passam pela sua vida, sua determinação e trabalho impecável são o que fazem do chef uma personalidade marcante. Multifacetado, ele também é vocalista e fundador da banda de hardcore ‘Oitão’.
“Eu sou o que sou muito pela música. Esse meu estilo cheio de tatuagens, meu discernimento com as coisas, minha revolta saudável, minha contestação com política… o hardcore e o punk são a maneira mais crua de trazer isso e é algo que tenho visceral em mim”, comenta.
Questionado sobre como ele consegue administrar tanta coisa em sua vida, Fogaça é enfático na resposta: pessoas. “A gente não consegue fazer nada sozinho. Para fazer a coisa andar tenho muitas pessoas boas e comprometidas ao meu lado. Quem não é comprometido, a gente passa o facão, senta na graxa”, diz, arrancando risadas.
Família em primeiro lugar
Um homem de sensibilidade e coração grande, Fogaça é pai de Olivia, João e Maria Leticia. Olivia, sua primogênita, nasceu com uma síndrome rara e desconhecida e, desde então, Fogaça busca informações sobre tratamentos alternativos com o uso da cannabis – que melhorou muito as crises convulsivas enfrentadas pela filha e tem sido um grande aliado na causa.
Em agosto, ele anunciou a criação da Komunidade, uma comunidade colaborativa dedicada a democratizar o acesso à cannabis medicinal no Brasil, ao lado dos sócios Wesley Teixeira e Gustavo Galvão. A plataforma busca informar, conectar e acolher pacientes e famílias que dependem da cannabis medicinal, promovendo o acesso a produtos de qualidade com preços acessíveis e também a médicos especializados – além de lutar por uma regulamentação mais inclusiva.
Fogaça está desenvolvendo ainda o Instituto Olivia, em homenagem à filha, que visa oferecer capacitação profissional para que jovens em situação de vulnerabilidade consigam entrar no mercado de trabalho voltado à gastronomia. O chef também participa de outros projetos sociais.






