Nos dias 30 de outubro e 1º de novembro, o astrônomo japonês Daichi Fujii, curador do Museu da Cidade de Hiratsuka, registrou dois impactos consecutivos de meteoros na superfície da Lua. Utilizando um telescópio de 20 centímetros, Fujii captou flashes de luz milimétricos na parte sombreada do satélite natural da Terra , fenômeno raro e de grande valor científico.
As imagens foram analisadas por especialistas e confirmadas como eventos reais de impacto lunar. A informação foi publicada pela Smithsonian Magazine e reforça a importância de monitoramentos contínuos para compreender o ambiente espacial ao redor da Lua.
A origem dos flashes lunares
Diferentemente da Terra, a Lua não possui atmosfera capaz de queimar detritos espaciais. Isso significa que qualquer meteoro que se aproxima atinge diretamente sua superfície. O resultado são breves explosões de luz (os chamados “impact flashes”) causadas pela liberação de energia no momento da colisão.
Segundo Fujii, os impactos podem estar relacionados às chuvas de meteoros Táuridas do Sul ou do Norte, que atingem seu pico no outono no hemisfério norte. A primeira colisão ocorreu a leste da cratera Gassendi, enquanto a segunda foi registrada a oeste de Oceanus Procellarum (“oceano das tormentas”), uma extensa planície lunar formada por lava antiga.
O cálculo do astrônomo indica que o meteoro de 30 de outubro pesava cerca de 180 gramas e viajava a 96 mil quilômetros por hora, criando uma cratera de aproximadamente três metros de diâmetro.
Riscos para futuras bases na Lua
Apesar de parecer apenas um feito curioso, a observação tem implicações diretas para o futuro da exploração espacial. Fujii explicou que entender a frequência e a energia desses impactos é essencial para o planejamento de estruturas lunares habitáveis. “Essas informações ajudam a desenhar e operar futuras bases na Lua”, afirmou.
A NASA, por meio de seu programa de monitoramento de impactos lunares, também reconhece a importância de registros como esse. A agência destaca que há poucas observações detalhadas de colisões de objetos pequenos na Lua, o que dificulta estimativas precisas sobre os riscos para astronautas e equipamentos.
Um trabalho de paciência e precisão
Fujii começou a monitorar impactos lunares em 2011, mas só desde 2020 realiza observações regulares. Segundo ele, é comum registrar um flash a cada dezenas de horas de vigília com céu limpo. Até hoje, já documentou cerca de 60 desses eventos.
A visibilidade limitada da Lua crescente, aliada às condições atmosféricas da Terra, torna essas capturas ainda mais difíceis. No entanto, com paciência, dedicação e tecnologia acessível, Fujii transformou seu trabalho em um exemplo de como a ciência pode ser feita com rigor mesmo fora de grandes centros de pesquisa.






