Cientistas afirmam ter desenvolvido um exame de sangue simples capaz de detectar o câncer de ovário precocemente. As informações são do The Guardian.
O teste, desenvolvido por pesquisadores do Reino Unido e dos Estados Unidos, procura por dois tipos diferentes de marcadores sanguíneos em pacientes que apresentam sintomas da doença, como dor pélvica e inchaço abdominal. Em seguida, ele utiliza aprendizado de máquina para reconhecer padrões que seriam difíceis de serem detectados por humanos.
Atualmente, o diagnóstico geralmente é feito com uma combinação de exames de imagem e biópsias, mas costuma ser descoberto tarde porque sintomas como inchaço abdominal, sensação de saciedade rápida após comer ou necessidade frequente de urinar nem sempre são vistos como sinais evidentes de câncer.
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Como funciona?
A proposta do novo exame de sangue é identificar o que o câncer de ovário libera na corrente sanguínea, mesmo em fases iniciais.
As células cancerígenas liberam fragmentos no sangue que carregam pequenas moléculas semelhantes à gordura, chamadas lipídios, além de certas proteínas. Essa combinação de lipídios e proteínas funciona como uma impressão digital biológica do câncer de ovário, segundo a AOA Dx, empresa que desenvolveu o teste.
O exame também utiliza um algoritmo treinado com milhares de amostras de pacientes para reconhecer padrões sutis nesses lipídios e proteínas que sinalizam a presença da doença.
De acordo com Alex Fisher, diretor de operações e cofundador da AOA Dx, o teste consegue detectar o câncer “em estágios iniciais e com maior precisão do que as ferramentas atuais”.
O estudo, liderado pelas universidades de Manchester (Reino Unido) e do Colorado (EUA) e publicado no periódico Cancer Research Communications, da American Association of Cancer Research, testou 832 amostras utilizando a plataforma da AOA Dx.
Nos testes realizados com amostras da Universidade do Colorado, o exame conseguiu detectar com precisão o câncer de ovário em 93% dos casos em todos os estágios da doença e em 91% dos casos em estágios iniciais. Com amostras da Universidade de Manchester, o exame mostrou 92% de precisão em todos os estágios e 88% em fases iniciais.
Emma Crosbie, professora da Universidade de Manchester e consultora honorária em oncologia ginecológica no Manchester University NHS Foundation Trust, afirmou ao The Guardian que a plataforma da AOA Dx tem o “potencial de melhorar significativamente o atendimento e os resultados das pacientes diagnosticadas com câncer de ovário”.






