O mercado de trabalho está mudando em alta velocidade. Relatório Futuro dos Empregos publicado no início do ano pelo Fórum Econômico Mundial aponta que essa transformação vai afetar 22% dos empregos até 2023, com a criação de 170 milhões de vagas e a eliminação de 92 milhões.
Com base em dados de mais de 1.000 empresas no mundo, o relatório avalia que cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar, afetando 63% dos empregadores. Afinal, como contratar alguém hoje para tarefas que amanhã podem ser outras?
- “Fractional executive”: entenda o que é essa tendência e como ela está mudando o trabalho dos executivos C-level
- Autodidatas no trabalho: metade dos brasileiros aprende a utilizar ferramentas de IA pela internet
- Diploma perde peso: CEO do LinkedIn diz que IA e habilidades humanas definirão o futuro do trabalho
Em passagem pelo Brasil em agosto para o HSM Expo, evento de gestão empresarial, em São Paulo, o futurista Ian Beacraft, CEO da consultoria norte-americana Signal and Cipher, disse que a era do fluxo das habilidades, conceito criado por ele para designar a redução da vida útil das habilidades, deve equilibrar demandas técnicas — que envelhecem rápido — com as humanas.
“Muitos profissionais esquecem que ainda vale muito a pena aprender a programar, mas que é necessário equilibrar essa habilidade com as humanidades, como filosofia, artes, ciências sociais. São elas que nos ensinam a pensar criticamente e compreender o que essas mudanças significam para nós”, afirma.
Segundo o especialista, a variação de habilidades técnicas e comportamentais exigidas pelo mercado acompanha a aceleração das mudanças tecnológicas. Esse fenômeno pode ser visualizado pela evolução da IA, que possui diversas ramificações, como preditiva, generativa e agêntica.
“Isso assusta as pessoas porque elas veem a IA fazendo tarefas que antes só humanos faziam e melhor, mais rápido, sem pausa, a um custo menor”, analisa o futurista.
Beacraft defende que os profissionais não devem ter medo da IA, mas sim utilizá-la a favor do aprendizado prático. “O maior perigo não é a IA em si, mas a mentalidade de ‘tecnologia acima de tudo’ das empresas e a insistência em sistemas ultrapassadas”, conclui.






