Em dezembro passado, Luchsinger, que é amiga de Lulinha, foi alvo de buscas em fase da Operação Sem Desconto, que apura desvios em aposentadorias do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).
SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – A empresária Roberta Luchsinger esteve no centro de apuração da Polícia Federal que mirou o vínculo entre o lobista conhecido Careca do INSS e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
Em dezembro passado, Luchsinger, que é amiga de Lulinha, foi alvo de buscas em fase da Operação Sem Desconto, que apura desvios em aposentadorias do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).
A Operação Sem Desconto investiga um esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. A fraude consistia em débitos não autorizados em aposentadorias e pensões e se tornou tema de desgaste na gestão Lula.
O pivô da investigação é Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Na apuração sobre o esquema, a PF afirmou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para uma companhia de Luchsinger, totalizando R$ 1,5 milhão.
Em mensagem apreendida pela polícia, Careca pede a um operador que transfira R$ 300 mil a uma empresa em nome de Luchsinger. Ao ser questionado sobre o destinatário do dinheiro, ele responde que seria “o filho do rapaz”. A PF passou a investigar se a expressão se referia a Fábio Luís e se o filho do presidente seria um “sócio oculto” do lobista.
Os recursos transferidos à empresária, ainda segundo a PF, tinham como justificativa serviços que não foram realizados.
A polícia também transcreveu troca de mensagens em que Luchsinger diz a Careca: “Some com esses telefones. Joga fora”.
A PF apontou no ano passado a atuação de Luchsinger como “essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”.
Em paralelo, um funcionário do Careca, Edson Claro, disse em depoimento que o lobista pagava Lulinha mensalmente e que ostentava publicamente sua ligação com o filho do presidente da República. Na quebra de sigilo de Lulinha, porém, não constam repasses diretos do lobista a ele.
Luchsinger nega irregularidades e diz ser criminalizada pelo fato de ser amiga do filho do presidente da República.
No início do ano, Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF. Mendonça é o relator do caso.
Em depoimento à Polícia Federal no último dia 20, Luchsinger disse que apresentou Lulinha para o Careca do INSS antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
Em março, a defesa de Fábio Luís admitiu que Careca pagou as despesas de uma viagem que o filho do presidente Lula fez a Portugal em 2024.
Afirmou que ele teria sido convidado para a viagem pelo Careca do INSS para conhecer a produção dos medicamentos produzidos com canabidiol e que o acompanhou “sem qualquer compromisso”.
Os advogados também afirmaram que Lulinha não participou de negociações, não investiu trabalho ou valores “e tampouco recebeu convite para associação, participação ou compra de cotas” no projeto comercial do Careca do INSS “World Cannabis”.
A defesa sempre negou que o filho do presidente tivesse envolvimento em qualquer ilegalidade. Ele não foi indiciado no caso nem considerado formalmente investigado.
O Careca do INSS está preso desde setembro passado. Em depoimento à CPI do INSS à época, ele disse que é um empresário cuja prosperidade é “fruto de trabalho honesto e dedicado” e que não possui “patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita”.






