Fique alerta: um dia de caos global se aproxima. Se você tem a minha idade, deve se lembrar de um aviso semelhante na virada para os anos 2000. No final, o Bug do Milênio não deu as caras e virou piada. Agora, o caso parece ser mais sério. Analistas em cibersegurança têm chamado a atenção para o Q-Day, o dia em que alguém irá construir e colocar em operação um computador quântico capaz de quebrar as formas de criptografia mais usadas no mundo. Em outras palavras, o dia em que tudo se tornará vulnerável: seus e-mails, contas bancárias, registros hospitalares. Segundo os especialistas, há uma chance em três de que o Dia Q aconteça antes de 2035.
Este é apenas um dos motivos pelos quais a computação quântica é assustadora. Qubits, superposição, decoerência e emaranhamento: a complexidade da tecnologia é de dar dor de cabeça. Mas os executivos e os governos não podem se dar ao luxo de ignorá-la. Não é apenas a cibersegurança dos negócios que está em questão, mas também sua sobrevivência. Se por um lado a computação quântica traz riscos, por outro revela oportunidades fascinantes, como dar fim a várias doenças, criar remédios e vacinas em tempo recorde, desenvolver novos materiais e administrar de forma muito mais eficiente o trânsito e a cadeia logística. Quem ficar para trás será atropelado pela velocidade dos avanços.
Apesar de ainda estar restrita aos laboratórios, a computação quântica não é mais um “assunto do futuro”. É do presente. Sim, a tecnologia ainda é bastante cara e incapaz de resolver os problemas relevantes do nosso dia a dia. No entanto, a escalada que veremos a seguir promete ser exponencial. IBM, Google, Microsoft, Amazon, além de concorrentes chineses como a China Telecom, estão investindo bilhões de dólares para sair na frente e liderar esse mercado. Em 2024, as startups de computação quântica receberam US$ 2 bilhões em aportes, um aumento de 50% em relação a 2023. Governos também são atores importantes nessa corrida, dada a importância estratégica da tecnologia. A China lidera o ranking e já investiu até aqui US$ 15,3 bilhões, seguida de Japão (US$ 9,2 bilhões) e Estados Unidos (US$ 6 bilhões).
Nesta edição de Época NEGÓCIOS, trazemos um guia completo para você entender a computação quântica e ficar por dentro de suas oportunidades e riscos. Mostramos também como se preparar no curto, médio e longo prazo para a revolução que está por vir. Não se engane: a hora de agir é agora. Esta será uma jornada lenta, até se tornar absurdamente veloz. Ainda dá tempo de garantir que o Q-Day não seja nada além de um Bug do Milênio 2.0.






