A onda de cortes que marcou os últimos anos continua em 2025 nas empresas de tecnologia. Embora as justificativas variem – de ajustes estratégicos a contenção de custos -, o pano de fundo é claro: processos cada vez mais automatizados reduzem a necessidade de funções tradicionais.
Um levantamento do Fórum Econômico Mundial (FEM) indica que 41% das empresas ao redor do planeta esperam diminuir seus quadros nos próximos cinco anos justamente pela adoção da IA.
Confira a seguir as companhias do setor de tecnologia que promoveram cortes este ano:
Ally
A empresa de serviços financeiros confirmou ao Business Insider que está demitindo cerca de 500 de seus 11.000 funcionários.
“À medida que continuamos a redimensionar nossa empresa, tomamos a difícil decisão de reduzir seletivamente nossa força de trabalho em algumas áreas, enquanto continuamos a contratar em outras áreas do nosso negócio”, disse um porta-voz, acrescentando que para os demitidos está sendo oferecido indenização e suporte para recolocação.
Automattic
Controladora do Tumblr e do WordPress, a companhia anunciou em abril que cortaria 16% de sua força de trabalho globalmente. Em nota aos funcionários publicada online, o CEO Matt Mullenweg apontou que o negócio chegou a uma “encruzilhada importante”.
“Embora nossa receita continue a crescer, a Automattic opera em um mercado altamente competitivo, e a tecnologia está evoluindo em níveis sem precedentes”, diz o texto.
Ele complementou que a empresa está se reestruturando para melhorar sua “produtividade, lucratividade e capacidade de investimento” e que está oferecendo indenização e recursos de recolocação profissional às pessoas afetadas.
Block
A fintech de Jack Dorsey, fundador do Twitter, está demitindo cerca de 1.000 funcionários. Quase 200 gerentes estão sendo transferidos para cargos não gerenciais e 800 vagas foram fechadas.
Dorsey anunciou as demissões em março em um e-mail interno intitulado “smaller block” (ou bloco menor). A reestruturação faz parte de um esforço mais amplo para otimizar as operações.
Bumble
O Bumble, app de namoro, afirmou que planeja cortar 240 vagas este ano, o que representa cerca de 30% de sua força de trabalho. A decisão, no entanto, segundo um porta-voz da empresa, não foi tomada de “ânimo leve”.
“Recentemente, tomamos algumas decisões difíceis para ajustar a estrutura da nossa equipe a fim de alinhá-la com nossas prioridades estratégicas”, comentou o porta-voz.
CrowdStrike
Como parte de um plano estratégico para “gerar maior eficiência”, a empresa de segurança cibernética irá cortar cerca de 500 empregos, ou 5% de sua força de trabalho global.
Os cortes deverão custar entre US$ 36 milhões (aproximadamente R$ 192,7 milhões) e US$ 53 milhões (R$ 283,8 milhões).
HPE
Antonio Neri, CEO da HPE, disse em uma teleconferência de resultados em 6 de março que a empresa vai demitir 5% de seus funcionários, o que representa 2.500 empregos, nos próximos 12 a 18 meses.
“Isso alinhará melhor nossa estrutura de custos ao nosso mix de negócios e à nossa estratégia de longo prazo”, garantiu o executivo. A empresa espera economizar US$ 350 milhões (R$ 1,8 milhões) até 2027 com a redução.
Intel
A gigante dos chips está demitindo mais de 5.000 funcionários em quatro estados dos Estados Unidos (Califórnia, Oregon, Texas e Arizona), de acordo com um documento datado de 16 de julho.
Dois dias antes, a companhia informou que seriam cortados entre 15% e 20% dos funcionários da divisão Foundry, que produz chips para outras empresas.
“Remover a complexidade organizacional e capacitar nossos engenheiros nos permitirá atender melhor às necessidades de nossos clientes e fortalecer nossa execução”, disse um porta-voz ao BI.
Microsoft
A big tech fundada por Bill Gates demitiu um número não especificado de trabalhadores em janeiro com base no seu desempenho.
Segundo o BI, os afetados foram informados de que não receberiam indenização e que seus benefícios, como seguro médico, seriam interrompidos imediatamente.
Em maio, a Microsoft fez novos cortes, que afetaram cerca de 6.000 trabalhadores. Mais uma rodada de demissões aconteceu em julho, somando 9.000 funcionários.
Meta
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, está cortando 5% de sua força de trabalho.
Em janeiro, em um memorando ao qual o BI teve acesso, o CEO Mark Zuckerberg informou aos colaboradores que “decidiu elevar o nível de gestão de desempenho” e agiria rapidamente para “expulsar funcionários de baixo desempenho”.
Os cortes começaram em fevereiro, e equipes que supervisionam o Facebook, a plataforma de realidade virtual Horizon e a logística foram as mais afetadas. Em abril, também foram cortados funcionários da divisão de realidade virtual da Reality Labs .
Microchip Technology
Em março, a empresa de semicondutores disse que iria demitir cerca de 2.000 funcionários até junho, um processo que custaria entre US$ 30 milhões (R$ 160,2 milhões) e US$ 40 milhões (R$ 214,4 milhões) em custos, incluindo indenizações e benefícios rescisórios.
No ano passado, a Microchip anunciou o fechamento de sua unidade em Tempe, no Arizona, devido à queda no número de pedidos em relação ao previsto. O fechamento começaria em maio de 2025 e afetaria 500 empregos.
Nextdoor
A empresa de rede social de bairro anunciou em agosto o corte de 12% de seu pessoal, o que representa 67 empregos. A medida faz parte do plano do CEO Nirav Tolia para alcançar a lucratividade e reorganizar o negócio, que passa por dificuldade.
Espera-se que as demissões reduzam as despesas operacionais em cerca de US$ 30 milhões (R$ 160,2 milhões). A Nextdoor relatou um prejuízo líquido de US$ 15 milhões (R$ 80,4 milhões).
Oracle
Os cortes na multinacional de softwares foram direcionados à sua unidade de nuvem. Eles ocorrem em um momento em que a empresa trabalha para reduzir custos em meio a investimentos em infraestrutura de IA.
Fontes familiarizadas com o assunto disseram que algumas das demissões tinham a ver com problemas de desempenho.
Salesforce
Reportagem da Bloomberg de fevereiro informava que a empresa de software de gerenciamento de clientes baseada em nuvem iria cortar mais de 1.000 empregos.
A decisão foi tomada apesar de a big tech ter reportado um forte desempenho financeiro durante seus lucros do terceiro trimestre em dezembro.
Scale AI
Em 16 de julho, a startup de rotulagem de dados demitiu cerca de 200 funcionários em tempo integral, ou seja, 14% da força de trabalho, e 500 contratados.
Um e-mail do CEO interino Jason Droege, obtido pelo Business Insider, dizia que a empresa estava reestruturando seu grupo de IA generativa.
Stripe
A plataforma de pagamentos demitiu 300 funcionários, principalmente nas áreas de produtos, engenharia e operações, de acordo com um memorando de 20 de janeiro obtido pelo BI.
No mesmo documento, o diretor de pessoal Rob McIntosh apontou que a empresa ainda planeja aumentar seu quadro de funcionários para cerca de 10.000 até o final do ano.
Workday
Em fevereiro, a companhia de software de recursos humanos anunciou que cortaria 8,5% de sua força de trabalho, ou cerca de 1.750 funcionários.
Em uma nota aos funcionários, o CEO Carl Eschenbach comunicou que a Workday se concentrará na contratação de pessoas em áreas relacionadas à inteligência artificial e trabalhará para expandir sua presença global.
“O ambiente em que operamos hoje exige uma nova abordagem, principalmente considerando nosso porte e escala”, ele escreveu.






