Empreendedora, investidora, palestrante, ativista e estrategista em inovação social. Monique Evelle, prestes a completar 30 anos, é uma das vozes mais relevantes do ecossistema de inovação e do empreendedorismo negro no Brasil.
Conhecida por seu papel ativo no desenvolvimento de soluções para inclusão social, justiça econômica e transformação de realidades periféricas, a jovem baiana acumula uma série de prêmios e reconhecimentos.
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Para citar alguns, ela foi considerada uma das 50 profissionais mais criativas do país pela Revista Wired, nomeada uma das Personalidades Negras mais Influentes do Mundo na categoria Negócios, pelo MIPAD (ONU), além de ser destaque na lista 30 under 30 da Forbes Brasil e apontada pela versão norte-americana da revista como uma das maiores empreendedoras do país.
Mas chegar aonde chegou não foi fácil. Filha única de um segurança e de uma empregada doméstica, e vindo de um bairro da periferia de Salvador, no Nordeste de Amaralina, Monique teve que lidar, desde muito cedo, com a discriminação racial. “Minha mãe contava histórias de princesas negras para mim, inventava esse outro mundo, trazendo outra narrativa para me proteger”, conta.
“A parte boa de ser filha única e, considerando o meu contexto social, é que eu não fui mimada. Sempre tive a liberdade de escolher meus caminhos, desde que estudasse, e fui muito encorajada para lutar pelo o que eu quisesse alcançar”, acrescenta ela. Destemida, inquieta e munida pelo desejo por mudanças, Monique começou a fazer a diferença cedo.
Em 2011, aos 16 anos, durante o ensino médio, o que começou como um grêmio estudantil, em apenas um ano, se tornou uma organização social com foco em educação e comunicação a favor dos direitos humanos: o Desabafo Social.
Foi o seu primeiro movimento como empreendedora, sem ela saber que o que estava fazendo era empreender. Até então, Monique não tinha nenhuma referência de empreendedora que prosperava nos seus negócios por uma questão de escolha, de opção, e não por sobrevivência.
Em três anos, o Desabafo Social se transformou em um laboratório de tecnologias sociais aplicadas à geração de renda, buscando horizontalizar as relações no afroempreendedorismo.
Monique é formada no Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós graduada em Gestão Estratégica da Inovação Tecnológica, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e com especialização em Strategic Marketing Management pela Ohio University.
Inovadores:
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Impulsionando empreendedores
Foi na pandemia, em 2020, que Monique decidiu apoiar e educar, de forma prática, empreendedores que estão para iniciarem seus negócios ou que desejam desenvolver seu empreendimento. Nascia a Inventivos, plataforma de cursos e mentoria online que oferece programas de inovação e empreendedorismo voltados tanto para indivíduos quanto para empresas.
“Comecei a trabalhar com algumas das marcas mais amadas do país, me tornei sócia de algumas, e ali me identifiquei como investidora, sem verbalizar”, afirma. “Tive receio porque sabia que enfrentaria descredibilidade por ser uma investidora mulher e negra”. Depois de três anos de Inventivos, Monique criou coragem em se assumir investidora e lançou, junto ao sócio e companheiro de vida, Lucas Santana, o braço de investimento, Inventivos Angel.
Formou-se uma rede de investidores-anjo para apoiar startups em estágio pré-seed e seed com cheques de até R$ 500 mil cada. Além do aporte financeiro, Monique também busca orientar e formar novos empreendedores, compartilhando sua experiência e seus conhecimentos para ajudar a transformar ideias em negócios sustentáveis e de alto impacto.
À frente da Inventivos, Monique lidera também a Inventivos Brands, unidade especializada em criar oportunidades de negócios alinhadas à marca pessoal e institucional dos clientes. Para ela, a construção de marca pessoal e institucional é uma das estratégias mais importantes para quem quer alcançar consistência nos negócios e na carreira.
Não demorou muito para Monique atrair os olhares da mídia. Em 2022, foi jurada e mentora do Self Made Brasil, reality de empreendedorismo do Sony Channel. Dois anos depois, ela passou a integrar o quadro de investidores da versão brasileira do programa Shark Tank. No segundo semestre, ela participa de sua terceira temporada, consolidando sua presença no cenário empreendedor brasileiro.
“Até hoje, mesmo falando abertamente sentada na cadeira do Shark Tank, muita gente se pergunta de onde vem o meu dinheiro, se sou herdeira. Mas eu decidi que não vou ficar mais desconfortável para o mercado ficar confortável. Eu continuo sendo uma mulher preta e vou continuar sofrendo racismo do mesmo jeito, não importa o que eu faça”, diz.
Apesar dos desafios, sua inspiradora jornada de resistência, superação, inovação e coragem somada à sua visão humanista do empreendedorismo, continua a inspirar uma nova geração de empreendedores, especialmente aqueles que vêm de contextos menos favorecidos.
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