A forma de produzir e consumir alimentos está passando por uma profunda – e necessária – transformação. Com o agravamento da crise climática, cresce a preocupação dos consumidores com a origem dos alimentos, a forma como são produzidos e o impacto que exercem sobre a saúde, a sociedade e o planeta.
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- Esse cenário está acelerando uma onda de inovação que promete transformar toda a cadeia alimentar até 2030. É o que aponta um estudo elaborado pelo Economist Intelligence Unit, divisão de pesquisa e análise do Economist Group.
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As empresas mais inovadoras do setor estão redesenhando o sistema alimentar com base em inteligência artificial, blockchain, robótica, biotecnologia e automação. Essas ferramentas, aliadas ao pensamento científico, geram novos produtos e serviços – de sistemas que identificam bioativos na natureza e seus benefícios à saúde até abelhas monitoradas por sensores e processos que promovem sustentabilidade e segurança alimentar nas plantações.
O desperdício de alimentos também está sendo analisado de perto. De acordo com a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), se esse desperdício fosse um país, estaria entre os três maiores emissores de gases de efeito estufa, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Nesse sentido, as companhias vêm apostando em tecnologias capazes de trazer mais precisão, inteligência e rastreabilidade à produção de alimentos. As soluções auxiliam no monitoramento da necessidade de água e nutrientes, na saúde do solo, na identificação de ervas daninhas e no estresse causado por insetos e doenças.
Confira alguns dos principais números desse mercado, segundo a IDTechEx e a Suman Food Consultants:
- US$ 35 bilhões é o que vai movimentar a indústria global de tecnologias para o agronegócio até 2038
- US$ 2,1 bilhões será o tamanho do mercado de carne cultivada em 2033; em 2043, pode chegar a US$ 13,7 bilhões
- 4,1 milhões de dados: é isso que deve gerar uma fazenda até 2050, com a ajuda de dispositivos agrícolas conectados
- 800 variedades de arroz que consomem menos água e fornecem mais nutrientes foram criadas pelo Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), das Filipinas
20 empresas que estão redesenhando o futuro da alimentação
Irrigação inteligente
Agromakers
Brasil
Fundação: 2021
A agtech Agromakers desenvolveu um sistema autônomo de irrigação que combina IoT, inteligência artificial e visão computacional para monitorar solo e plantas em tempo real. Com sensores que “conversam” com as culturas, ajusta automaticamente a irrigação e a aplicação de fertilizantes, gerando redução de custos e mais produtividade. “Até 2030, a meta é transformar a forma como produzimos e consumimos alimentos, promovendo uma agricultura mais eficiente, saudável e sustentável”, diz Leandro Fellet, CEO da empresa. Caso seja adotada, diz, a tecnologia pode reduzir o uso de produtos químicos, melhorar a qualidade dos alimentos e conservar recursos naturais.
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O maior catálogo digital de proteínas
Shiru
Estados Unidos
2019
Pioneira na descoberta de novas proteínas usando IA, a Shiru desenvolveu a plataforma ProteinDiscovery.ai, que abriga o maior banco de dados de proteínas naturais do mundo, com milhões de moléculas que podem ser aplicadas em novos alimentos, cosméticos e materiais avançados. Embora o uso desses bancos de dados seja comum na indústria farmacêutica, o setor de alimentação ainda pouco se utiliza de seus benefícios. É aí que a empresa pretende entrar, favorecendo a adição de sabores, texturas e qualidades a determinados tipos de alimentos.
Sementes que falam
InnerPlant
Estados Unidos
2018
Ouvir o que as plantas têm a dizer é o objetivo da plataforma CropVoice, que utiliza sementes geneticamente modificadas, como a soja InnerSoy, para emitir sinais óticos fluorescentes detectados por satélites, drones ou equipamentos agrícolas. Os sinais indicam a presença de estresses nas plantações, como infecções fúngicas, deficiências nutricionais ou ataques de pragas.
A plataforma criada pela empresa norte-americana de biotecnologia agrícola coleta dados diretamente da fisiologia das plantas, permitindo a detecção de problemas em até quatro semanas – antes mesmo de os sintomas se tornarem visíveis. As informações são analisadas por modelos preditivos e fornecem recomendações para intervenções agrícolas, incluindo aplicação de fungicidas.
Com os dados, também é possível otimizar o uso de insumos e aumentar a produtividade das lavouras. “Com a evolução da tecnologia, os agricultores serão capazes de comprar um saco de sementes e ouvir o que cada planta tem a dizer. Haverá três ou quatro sinais diferentes em cada semente”, disse Shely Aronov (foto), CEO e cofundadora da InnerPlant. Empresas como John Deere e Syngenta já são clientes.
Um robô que entende de cozinha
Dreo
Estados Unidos
2020
Com visual de eletrodoméstico comum e mente de chef profissional, a ChefMaker Combi Fryer, da Dreo – especializada em eletrodomésticos inteligentes – promete transformar a relação das pessoas com a cozinha. Diferentemente das fritadeiras a ar tradicionais, que podem ressecar carnes e comprometer a maciez, o produto combina tecnologia de cozimento por ar quente com inteligência artificial para automatizar e personalizar o preparo.
Sensores de temperatura e umidade analisam o estado do alimento em tempo real e ajustam automaticamente a duração e a intensidade do cozimento, tanto da parte interna quanto externa. O modo Precision CombiCook permite, por exemplo, selar um bife no ponto certo.
A fritadeira conta ainda com tela sensível ao toque de 4,3 polegadas, peças laváveis em máquina e conectividade com o aplicativo Dreo, que oferece receitas em vídeo, notificações e atualizações do preparo. De acordo com informações da empresa, “a proposta é levar técnica profissional à rotina doméstica com praticidade, consistência e controle”.
Sensores que escutam as abelhas
BeeHero
Estados Unidos
2017
A polinização é fundamental para garantir alimentos mais saudáveis no futuro. Dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) mostram que 75% das plantações dependem do processo. Por meio de nove sensores, a Pollination Insight Platform, da BeeHero, oferece diagnósticos em tempo real sobre a saúde e o comportamento das abelhas. São mais de 25 milhões de amostras coletadas por dia, possibilitando análises preditivas e personalizadas para diferentes culturas, como cebola, cenoura, maçã e mirtilo. A plataforma, que começou a operar nos Estados Unidos no final do ano passado, planeja agora levar sua tecnologia para outras regiões, incluindo a América Latina.
Rastreamento do gado
iRancho
Brasil
2016
O SafeBeef, sistema baseado em blockchain da iRancho, rastreia rebanho, fazenda e produto, disponibilizando informações como medicamentos e nutrição utilizados, e se o animal foi criado em áreas embargadas ou desmatadas ilegalmente. A ideia é integrar essas informações em uma plataforma ESG, em parceria com a Agrotools.
Culturas mapeadas
Corteva Agriscience
Estados Unidos
2019
No final do ano passado, a empresa anunciou uma joint venture com a britânica BP para a produção de biocombustíveis para a aviação. Juntas, as duas pretendem entregar, por ano, 1 milhão de toneladas métricas de matérias-primas para combustíveis sustentáveis até meados da década de 2030.
Colheitas mais verdes
CNH
Itália
2012
Revolucionar o mercado de máquinas agrícolas e contribuir para a descarbonização da agricultura são metas da CNH Industrial. Um dos seus projetos é a primeira colhedora de cana com um motor movido a etanol. Os primeiros testes foram realizados no final de 2024, com 5 mil toneladas colhidas.
“Não é como carne, é carne”
Meatable
Holanda
2018
Com a tecnologia patenteada Opti-Ox, células-tronco obtidas de porcos vivos passam por um processo similar à fermentação, que acelera o desenvolvimento de músculos e gorduras à base da carne real – em apenas quatro dias. A inovação estará disponível em Cingapura ainda neste ano.
Poder dos alimentos
Brightseed
Estados Unidos
2017
A empresa criou a Forager, plataforma com IA que identifica bioativos na natureza e seus benefícios à saúde. Até agora são mais de 7 milhões de substâncias mapeadas. Recentemente lançou o Brightseed Bio Gut Fiber, fibra de cânhamo reciclada com bioativos para a saúde intestinal.
Além dos tratores
John Deere
Estados Unidos
1837
A empresa anunciou recentemente uma parceria estratégica com a rede Starlink para dar conectividade às suas máquinas agrícolas, mesmo em áreas remotas. A ideia é viabilizar ferramentas revolucionárias como tratores autônomos, equipamentos de plantio de precisão e diagnósticos remotos de pragas.
As inovações, que estarão disponíveis no Brasil e nos EUA até o final de 2025, vão permitir que os agricultores operem com base em dados, mesmo em áreas sem cobertura de redes móveis. “O valor da conectividade para os agricultores é mais amplo do que qualquer tarefa ou ação isolada, pois desbloqueia vastas oportunidades que antes eram limitadas ou indisponíveis”, afirmou Aaron Wetzel, vice-presidente de produção e sistemas de produção agrícola de precisão da John Deere, em comunicado da empresa. A expectativa é que os agricultores concluam tarefas em menos tempo e com maior produtividade, aumentando os lucros.
Clube da IA
iFood
Brasil
2011
Desde 2018 o iFood faz uso de inteligência artificial em suas operações. O pioneirismo fez com que a empresa estivesse um passo à frente da concorrência quando a IA generativa conquistou o mundo, em 2022. Hoje, a companhia conta com mais de cem aplicações: a IA entra na personalização das opções do usuário, na gestão da demanda de produtos ou pratos dos restaurantes, na escolha do entregador e no modo de transporte, na previsão do tempo de chegada, na detecção de fraudes e na análise dos dados colhidos na página de avaliação, entre outros.
Em abril de 2025, o iFood participou dos testes do GPT-4.1 no Brasil e anunciou a integração da nova plataforma nas operações da empresa. “A IA permeia todas as facetas da nossa organização. Tanto que hoje cerca de 50% dos nossos funcionários são de tecnologia”, diz Breno Masi, vice-presidente de produto. Também em abril, a empresa anunciou o lançamento de uma comunidade de inteligência artificial brasileira. Batizada de AGI Club, tem como objetivo unir empresas, acadêmicos, desenvolvedores e startups para facilitar a troca de conhecimento e impulsionar o desenvolvimento da tecnologia no Brasil.
Menos agrotóxicos
Rometron
Holanda
1999
Para detectar ervas daninhas, a Rometron utiliza sensores inteligentes, técnica de fluorescência, detecção infravermelha de clorofila e PWM (Pulse Width Modulation, técnica usada para controlar a potência de um sinal eletrônico variando a modulação dos pulsos). Esses elementos compõem o sistema de pulverização Weed-It, que promete achar qualquer tipo de planta infestante, até mesmo as parcialmente ocultas.
De maneira prática, libera o herbicida somente onde há elementos invasores, reduzindo em até 95% o uso de produtos químicos. Isso diminui custos e impactos ambientais. Em 2025, colocou no mercado o Spot-in-Crop, que torna mais fácil detectar e eliminar ervas daninhas em culturas em linha, como algodão, soja e milho. Mas o fundador, Roel de Jonge, trabalha com outra meta no horizonte: “Nosso departamento de P&D pesquisa uma solução para eliminar 100% das ervas daninhas das plantações; por enquanto, esse número está em apenas 90%”, diz.
Robô agricultor
Solinftec
Brasil
2007
Um robô autônomo movido a energia solar que identifica pragas, plantas daninhas e doenças das lavouras em tempo real já é realidade. O Solix, da brasileira Solinftec, usa IA, visão computacional e aprendizado de máquina para monitorar as plantações e determinar aplicações localizadas de defensivos. A ideia é aumentar a safra e facilitar a produção de alimentos mais saudáveis. O robô gera uma redução de 90% no uso de herbicidas, além de monitorar o desenvolvimento das plantas com foco em indicadores de saúde, crescimento, proteção e nutrição.
Precisão sem piloto
Pyka
Estados Unidos
2017
A americana Pyka acaba de lançar a maior aeronave não tripulada com autorização para voar nos Estados Unidos: o Pelican 2, um superavião autônomo projetado para aplicações agrícolas de alta precisão. A empresa vendeu recentemente 20 unidades para o Brasil, fazendo sua estreia na América Latina.
Fungicidas sob medida
Digifarmz
Brasil
2017
A plataforma da Digifarmz usa algoritmos e dados de pesquisas para fazer recomendações customizadas sobre o uso de fungicidas, considerando variáveis como clima, genética e data de plantio. A empresa conta com uma equipe focada em descobrir as melhores estratégias para cada cultura. Recentemente, fez um estudo aprofundado sobre a soja no Rio Grande do Sul.
Acesso ao crédito
Crop2Cash
Nigéria
2018
A agtech promove a inclusão financeira de pequenos agricultores com uma plataforma que pode ser acessada de telefones celulares simples, com comunicação por SMS. Já auxiliou cerca de 100 mil produtores, desbloqueando aproximadamente US$ 2,8 milhões em créditos.
Micróbios nas plantações
Windfall
Estados Unidos
2022
Uma tecnologia baseada em microrganismos metanotróficos, conhecidos como MEMs, é a aposta da Windfall para transformar metano em fertilizante. Os agricultores compram os micróbios naturais da empresa e aumentam a produção de alimentos, além de reduzir o metano nas lavouras.
Da proteína à sobremesa
Cargill
Estados Unidos
1865
A Cargill, terceira maior produtora de proteína animal do mundo, tem aberto novas frentes de negócio. Depois de criar produtos como hambúrgueres à base de plantas, agora mira o mercado de doces, por meio de uma parceria com a Voyage Foods, que desenvolve chocolates e pastas sem cacau.
Ozempic Natural
NotCo
Chile
2015
A NotCo, foodtech de alimentos à base de plantas, pretende lançar neste ano um produto que estimule o corpo a produzir naturalmente o hormônio GLP-1, que favorece o emagrecimento. A empresa acredita que ele poderia funcionar como substituto de medicamentos como Ozempic.
*Esta reportagem foi publicada originalmente na edição de maio de Época NEGÓCIOS
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