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Como seu nome afeta sua personalidade

Redação by Redação
agosto 17, 2025
in Negócios, News
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Você já pode ter refletido sobre as diferentes maneiras como foi sua criação: se seus pais foram acolhedores ou rigorosos, generosos ou agressivos.

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Mas talvez você não tenha pensado muito sobre as consequências de algo particularmente importante que eles deram a você — seu nome.

Os pais muitas vezes ficam angustiados na hora de escolher o nome dos filhos.

Pode parecer um teste de criatividade ou uma forma de expressar suas próprias personalidades ou identidades por meio da criança.

Mas o que muitos pais podem não perceber completamente — eu, certamente, não percebi — é que a escolha do nome pode influenciar a forma como os outros veem seu filho e, portanto, em última análise, o tipo de pessoa na qual seu filho se torna.

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“Como um nome é usado para identificar um indivíduo e se comunicar com ele diariamente, serve como base da autoconcepção de alguém, especialmente em relação aos outros”, diz David Zhu, professor de Administração e Empreendedorismo na Universidade do Arizona, nos EUA, que pesquisa a psicologia dos nomes.

É claro que vários fatores moldam nossa personalidade. Parte dela é influenciada por nossos genes. As experiências formativas também desempenham um papel importante, assim como as pessoas com quem nos relacionamos e, em última análise, os papéis que assumimos na vida, seja no trabalho ou na família.

Em meio a todas essas dinâmicas, é fácil esquecer o papel desempenhado por nossos nomes — uma influência altamente pessoal imposta a nós desde o nascimento e que geralmente permanece conosco por toda a vida (a menos que nos demos ao trabalho de mudá-lo).

Como Gordon Allport, um dos fundadores da psicologia da personalidade, afirmou em 1961, “o ponto de ancoragem mais importante para nossa identidade pessoal ao longo da vida continua sendo nosso próprio nome”.

Em um nível básico, nossos nomes podem revelar detalhes sobre nossa etnia ou outros aspectos de nossa origem, o que em um mundo de preconceitos sociais traz consequências inevitáveis.

Por exemplo, uma pesquisa americana conduzida na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro mostrou que currículos exatamente iguais eram menos propensos a conseguir entrevistas de emprego quando atribuídos a uma pessoa com um nome que soava árabe, em comparação com um nome “branco”.

Isso é injusto em vários níveis, principalmente porque os nomes podem ser um indicador não confiável de nossa origem.

Essas consequências não devem ser menosprezadas, mas não é aí que termina a influência dos nomes.

Mesmo dentro de uma só cultura, os nomes podem ser comuns ou raros, podem ter certas conotações positivas ou negativas em termos de significado e podem ser vistos como atraentes ou antiquados e detestados (e essas opiniões podem mudar com o passar do tempo de acordo com as tendências também).

Por sua vez, essas características relacionadas aos nossos nomes afetam inevitavelmente a maneira como os outros nos tratam e como nos sentimos a respeito de nós mesmos.

Em um desdobramento mais recente, pais de crianças chamadas Alexa vêm protestando contra a Amazon alegando que suas filhas estão sofrendo bullying por ter o mesmo nome que a gigante de tecnologia usa para sua assistente virtual. Como resultado, o nome tem caído em desuso.

Já um estudo da década de 2000, liderado pela psicóloga americana Jean Twenge, descobriu que, mesmo depois de feito o controle sobre fatores como contexto familiar e insatisfação geral com a vida, as pessoas que não gostavam do nome tendiam a ter um ajuste psicológico mais precário.

Provavelmente, isso aconteceu porque sua falta de confiança e autoestima fizeram com que não gostassem do nome ou porque o fato de não gostar do nome contribuiu para sua falta de confiança — “o nome se torna um símbolo de si mesmo”, escreveram Twenge e sua coautora.

Em termos de como os nomes afetam a maneira como somos tratados pelos outros, vejamos um estudo alemão publicado em 2011, no qual os usuários de um site de relacionamento foram questionados se gostariam de dar sequência a potenciais encontros com base no nome das pessoas.

Jochen Gebauer, agora baseado na Universidade de Mannheim, na Alemanha, e seus colegas, incluindo Wiebke Neberich, descobriram que pessoas com nomes considerados antiquados na época (como Kevin) tinham maior probabilidade de serem rejeitadas, em comparação com aquelas com nomes da moda (como Alexander).

Se a situação do site de relacionamento for amplamente representativa de como esses indivíduos foram tratados ao longo da vida, é fácil ver como seus nomes podem ter moldado a forma como os outros os tratavam de maneira mais geral e, por sua vez, o tipo de pessoa na qual eles próprios se tornaram.

Na verdade, uma pesquisa de 2021, também conduzida na Alemanha, mostrou que os participantes eram menos propensos a ajudar um estranho com um nome avaliado negativamente (Cindy e Chantal foram os dois nomes com pior avaliação), em comparação com estranhos com nomes avaliados positivamente (Sophie e Marie foram os mais bem avaliados).

Dá para imaginar que deve ser difícil ser uma pessoa afetuosa e confiante (tendo alta “agradabilidade” em termos de traços de personalidade) se você enfrenta repetidas rejeições na vida por causa do nome.

Outra parte do estudo do site de relacionamento reforçou isso: os candidatos com nomes fora de moda que foram rejeitados com mais frequência também tendiam a ter um grau menor de escolaridade e baixa autoestima — quase como se a rejeição que sofreram na plataforma de relacionamento fosse um reflexo de como eles tinham se saído na vida de forma mais ampla.

Outro trabalho recente também sugeriu as consequências prejudiciais de um nome impopular ou que soa negativo.

Huajian Cai e seus colegas do Instituto de Psicologia de Pequim, na China, cruzaram recentemente os nomes de centenas de milhares de pessoas com o risco de terem sido condenadas por crimes.

Eles descobriram que mesmo depois de feito o controle sobre a influência de fatores de contextos demográficos, as pessoas com nomes vistos como menos populares ou com conotações mais negativas (por exemplo, avaliados em média como menos “calorosos” ou “morais”) eram mais propensas a estarem envolvidos em crimes.

Você pode ver essa tendência em relação ao comportamento criminoso como um indicador de uma pessoa com baixa agradabilidade.

Novamente, isso é consistente com a noção de que ter um nome que soe negativo ou impopular leva a pessoa à rejeição social e aumenta o risco de desenvolver uma personalidade desagradável.

Nossos nomes podem ter essas consequências, diz Cai, porque podem afetar a forma como nos sentimos em relação a nós mesmos e como os outros nos tratam.

“Já que um nome bom ou ruim tem o potencial… de produzir resultados bons ou ruins, sugiro que os pais devem tentar de todas as maneiras dar um bom nome ao bebê em relação a sua própria cultura”, diz ele.

Até agora, esses estudos apontam para as consequências aparentemente prejudiciais de se ter um nome negativo ou impopular.

Mas algumas descobertas recentes também indicam as possíveis consequências benéficas que seu nome pode ter.

Por exemplo, se você tem um nome mais “sonoro” que flui facilmente, como Marla (em comparação com nomes que soam abruptos, como Eric ou Kirk), então é provável que as pessoas o julguem como sendo mais agradável, com todas as vantagens que isso pode trazer.

Além disso, embora um nome menos comum possa ser desvantajoso no curto prazo (aumentando o risco de rejeição e diminuindo sua simpatia), ele pode ter vantagens no longo prazo ao gerar em você um senso maior de sua singularidade pessoal.

Outro estudo de Cai e sua equipe no Instituto de Psicologia de Pequim descobriu — mesmo depois de feito o controle de fatores como a origem familiar e socioeconômica — que ter um nome mais raro estava associado a maiores oportunidades de ter uma carreira mais incomum, como diretor de cinema ou juiz.

“No início da vida, algumas pessoas podem extrair um senso de identidade única de seus nomes relativamente únicos”, dizem os pesquisadores, propondo que esse sentido alimenta uma “motivação de distinção” que os leva a encontrar uma carreira incomum que corresponda à sua identidade.

Isso parece ser uma reminiscência do chamado “determinismo nominativo” — a ideia de que o significado de nossos nomes influencia nossas decisões de vida (explicando aparentemente a abundância de neurologistas chamados Dr. Brain, que significa “cérebro”, e ocorrências divertidas semelhantes).

Ter um nome incomum pode até nos moldar para sermos mais criativos e mais abertos, de acordo com uma pesquisa de Zhu e seus colegas na Universidade do Arizona.

A equipe de Zhu cruzou os nomes dos principais executivos de mais de mil empresas e descobriu que quanto mais raros seus nomes, mais distintas as estratégias de negócios que eles tendiam a seguir, especialmente se também fossem mais confiantes por natureza.

Zhu invoca uma explicação semelhante à de Cai e seus colegas.

“CEOs com um nome incomum tendem a desenvolver uma autoconcepção de serem diferentes dos colegas, motivando-os a buscar estratégias não convencionais”, afirma.

Se você é um futuro pai, deve estar se perguntando se deve escolher um nome comum e popular, talvez aumentando a popularidade e a simpatia de seu filho, ou dar-lhe um nome original, ajudando-o a se sentir especial e a agir mais criativamente.

“Nomes comuns e incomuns estão associados a vantagens e desvantagens, então os futuros pais devem estar cientes dos prós e contras, não importa que tipo de nome eles deem aos filhos”, diz Zhu.

Talvez o segredo seja encontrar uma maneira de ter o melhor dos dois mundos, escolhendo um nome comum que seja facilmente modificado em algo mais diferenciado.

“Se [você] der a uma criança um nome muito comum, ela provavelmente terá mais facilidade em ser aceita e querida por outras pessoas no curto prazo”, observa Zhu.

“Mas os pais precisam encontrar maneiras de ajudar a criança a valorizar sua singularidade, talvez dando-lhe um apelido especial ou afirmando frequentemente as características únicas da criança.”

* Esta reportagem foi publicada originalmente em 2021. Leia a versão original (em inglês) no site BBC Future.

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