O Instituto Combustível Legal (ICL), uma espécie de ouvidoria do setor de combustíveis, vinha denunciando há alguns anos as fraudes e lavagem de dinheiro pelo crime organizado com postos e distribuidoras. Com uso de tecnologia, esse esquema chegou às fintechs, startups do setor financeiro. Para Emerson Kapaz, presidente do ICL, hoje há uma engenharia financeira espetacular nessas operações, que se sofisticaram.
Para ele as fintechs “do mal”, usadas em operações como as reveladas na investigação da Operação Carbono Oculto, fazem o papel dos antigos doleiros, já que a evasão de divisas e lavagem de dinheiro ocorria por meio do mercado paralelo de dólar antes de se digitalizar. Kapaz falou ao GLOBO.
Qual sua avaliação da Operação Carbono Oculto?
O Instituto Combustível Legal (ICL) vem trabalhando nisso há muitos anos e a gente tem mapeado, inclusive ajudado nas investigações, com informações, dados estatísticos, com mapeamento. Ela é um marco para nosso setor e muda o segmento. Sempre defendemos uma interação entre diversos órgãos, como Receita Federal, Ministério Público, com as esferas estaduais e federal agindo juntas.
Surpreendeu a revelação de que fintechs na Faria Lima ajudavam a lavar dinheiro do crime organizado?
O volume de dinheiro movimentado sempre surpreendeu. Para isso, havia uma engenharia financeira espetacular. Eles (o crime organizado) ganharam musculatura e nós ficamos rendidos. Hoje é vítima dos pilantras que sabem usar a tecnologia a favor deles. Você pega uma criptomoeda, você não consegue pegar um rastro. Essas fintechs usadas para o mal ocuparam o papel dos doleiros de antigamente. Essa é a melhor figura.
O Ministério Público citou um cifra de R$ 52 bilhões movimentada desde 2020 por esse grupo ligado ao PCC com combustível adulterado…
O Fórum Nacional de Segurança Pública levantou que o crime organizado movimenta anualmente R$ 165 bilhões com combustíveis, ouro, bebidas e fumo. Não é lucro, é dinheiro que o crime organizado gira nesses setores. Desses R$ 165 bilhões, pelo menos R$ 60 bilhões são no setor de combustíveis, a maior fatia.
O que chama a atenção é que Mohamad Hussein Mourad, que já foi investigado por crimes no setor de combustíveis…
Ele teve a licença cassada da Aster/Copape, mas criou e comprou outras marcas. Continuou atuando na ilegalidade. É como um vício.
O que esperar daqui para a frente?
Agora vem a fase de analisar os documentos apreendidos com os mandados de busca e apreensão. E avaliar. Para o setor, essa operação foi um avanço.






