A sul-coreana Voronoi vive um crescimento raro no setor de biotecnologia do país. O otimismo dos investidores em relação à linha de medicamentos contra o câncer desenvolvida pela empresa impulsionou a valorização de suas ações, que acumulam alta de 190% neste ano.
Com o aumento do preço dos papéis, Hyuntae Kim, CEO da empresa, se tornou o mais novo bilionário da Coreia do Sul. Dono de 35% da companhia, ele tem uma participação estimada em US$ 1 bilhão, segundo a Forbes.
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O primeiro medicamento da empresa farmacêutica mira o receptor HER2, associado a tipos agressivos de câncer de mama, enquanto o segundo busca inibir o EGFR, receptor que apresenta alta taxa de mutações em casos de câncer de pulmão de não pequenas células (tipo mais comum de câncer).
Apesar de ainda operar no vermelho e ter registrado apenas 7,5 bilhões de won (R$ 27 milhões) em vendas nos nove primeiros meses de 2025, a Voronoi atingiu um valor de mercado de 4,3 trilhões de won (R$ 15,4 trilhões).
Investidores apostam que os medicamentos experimentais VRN10 e VRN11, em testes clínicos de fase 1 desde o início do ano, poderão mudar a trajetória da empresa.
Fundada em 2015 em Incheon, costa ocidental do país, a empresa utiliza uma plataforma proprietária de IA chamada Voronomics para acelerar a descoberta de moléculas promissoras. Em setembro, a companhia fechou um acordo de transferência tecnológica de US$ 14,5 milhões (R$ 77 milhões) com a norte-americana Anvia Therapeutics, para o desenvolvimento do VRN04, voltado à proteína RIPK1, ligada a processos inflamatórios e ao crescimento tumoral.
A ascensão de Kim, que assumiu a liderança em 2016 após investir em ações recém-emitidas da então startup fundada por seu irmão caçula, coloca o empresário em um seleto grupo de bilionários da biotecnologia na Coreia do Sul, ao lado de nomes como Seo Jung-jin, da farmacêutica Celltrion, e Park Soon-jae, da Alteogen, de biotecnologia.






