Incontinência, impotência e encurtamento peniano. Essas são algumas das consequências dos tratamentos atuais do câncer de próstata, mas um novo tipo de terapia experimental busca mudar esse cenário.
Trata-se da terapia focal, que visa destruir apenas as áreas tumorais dentro da próstata, poupando o tecido circundante, e que, por enquanto, está disponível em apenas algumas poucas clínicas em alguns países.
No Hospital Parkside, em Wimbledon, na Inglaterra, o cirurgião Hashim Ahmed, catedrático de urologia do Imperial College London, recentemente realizou o procedimento em um homem de 50 anos, que foi considerado o candidato perfeito.
“Ele é exatamente o tipo de pessoa que queremos encontrar”, disse o médico à Bloomberg. “Jovem, interessado em manter o máximo de função possível, doença de risco intermediário, boa expectativa de vida – então ele tem muitos anos de vida com o tratamento que recebe.”
Ahmed treinou com o pioneiro da terapia focal Mark Emberton no University College London e, desde então, se tornou um dos maiores defensores da abordagem. Ele, inclusive, não faz mais prostatectomias radicais. “Sou o cirurgião mais relutante que você pode encontrar”, salientou.
Estudos mostram que a terapia focal reduz o risco de incontinência e disfunção erétil de 40% a 70% após cirurgia ou radiação para cerca de 5%. Outros trabalhos realizados no Reino Unido sugerem que ainda pode ser uma opção mais barata ao longo da vida do paciente, devido às menores taxas de complicações e ao tempo de recuperação mais curto.
Apesar das vantagens, menos de 10% dos homens britânicos elegíveis a recebem, e as diretrizes locais ainda a classificam como um tratamento que precisa de mais investigação.
Nos Estados Unidos, o tratamento não é recomendado para a maioria dos homens. “Há um papel para a terapia focal”, afirmou Tudor Borza, urologista da Universidade de Michigan, que a oferece a pacientes cuidadosamente selecionados, juntamente com a cirurgia. “A desvantagem é que apenas parte da próstata é tratada, então o restante ainda pode ter câncer, e frequentemente acontece.”
Centros como a Cleveland Clinic, que estão usando a técnica em alguns pacientes, criaram barreiras de segurança cuidadosas, destaca a Bloomberg. Lá, cada caso é revisado por uma comissão, e os tumores devem ser pequenos, mas visíveis na ressonância magnética – tumores maiores significariam a destruição de grande parte da próstata, o que torna o tratamento mais parecido com uma cirurgia.
“Selecionamos os pacientes que acreditamos ter maior probabilidade de sucesso”, comentou a urologista Jane Nguyen. “E, para ser sincera, nossa taxa de sucesso é muito alta”, finalizou.






