Um chinês que congelou criogenicamente sua esposa falecida provocou um debate moral online depois que a mídia chinesa revelou que ele estava namorando uma nova mulher enquanto sua ex-parceira permanecia preservada em nitrogênio líquido.
Gui Junmin preservou o corpo de Zhan Wenlian, morta por câncer de pulmão em 2017, aos 49 anos. Ela se tornou a primeira pessoa na China a passar por criopreservação, segundo o South China Morning Post.
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O procedimento, cientificamente contestado e sem comprovação de reversão, foi realizado pelo Instituto de Pesquisa em Ciências da Vida Shandong Yinfeng, com o qual Gui assinou um contrato de 30 anos. Desde então, o corpo de Zhan permanece armazenado em um tanque de 2 mil litros a -190 °C.
A história voltou ao centro das atenções após Gui, hoje com 57 anos, dar uma entrevista ao jornal Southern Weekly. Ele contou que, após dois anos vivendo sozinho, uma crise de gota que o deixou incapaz de se mover por dois dias o fez reconsiderar a vida solitária. Foi então que começou a se relacionar com Wang Chunxia, em um vínculo que descreveu como “prático”, afirmando que ela “não entrou” em seu coração.
A confissão dividiu o Weibo, o principal fórum digital da China. Parte dos usuários demonstrou empatia, argumentando que, após sete anos de luto e com a esposa literalmente congelada, Gui tem o direito de seguir em frente. Outros, porém, o acusaram de agir por conveniência emocional, questionando se a decisão respeita a memória de Zhan — e se é justa com Wang.
O caso reacende discussões sobre os limites éticos da criônica. Embora mais de 500 pessoas já tenham sido preservadas dessa forma no mundo — a maioria nos Estados Unidos —, nenhum corpo humano foi reanimado com sucesso.
Para a ciência, a possibilidade de reviver alguém após décadas congelado continua distante. Para Gui, porém, a esperança permanece tão viva quanto o dilema que o acompanha.






