A Camila, ferramenta de IA interna desenvolvida pela multinacional brasileira de alimentos Camil, surgiu entre fevereiro e março de 2024 como um conjunto de soluções tecnológicas voltadas principalmente à otimização do trabalho e da comunicação dentro da empresa.
Criada para atuar em diferentes áreas, hoje está presente no comercial, industrial, na gestão de pessoas e no atendimento aos produtores da companhia. No suporte aos fornecedores, a Camila funciona principalmente como uma assistente virtual.
A proposta era estabelecer uma comunicação mais eficiente, direta e personalizada, buscando aumentar a produtividade no campo e fortalecer a parceria agrícola entre os produtores e a Camil.
“A Camila nasceu da escuta dos produtores. É um símbolo do que queremos fazer: usar inovação e tecnologia para criar pontes — entre dados e decisões, entre o campo e a indústria, entre pessoas e informação”, afirma Pedro Dorico, Diretor de Tecnologia, Inovação e CSC na Camil.
Segundo Dorico, a iniciativa surgiu a partir da análise da produtividade e da comunicação com os produtores, revelando a necessidade de reformular o atendimento e torná-lo mais ágil e eficiente.
“A inovação na Camil sempre teve um olhar muito prático: tecnologia para servir às pessoas. A Camila é um exemplo disso… É uma IA que humaniza o dado e entrega informação útil para quem mais precisa dela, dentro ou fora da companhia”, explica.
O executivo acrescenta que a empresa identificou a importância de ajudar os produtores a terem maior domínio sobre seus plantios, contribuindo tanto para a produtividade da Camil quanto para a performance individual. Por isso, a ferramenta também envia avisos em tempo real sobre a chegada do caminhão, alertas sobre a qualidade dos produtos, extratos e contratos firmados com a empresa, tudo diretamente pelo WhatsApp.
“Ele [o produtor] passa a usar as informações para pilotar a colheita dele. Se o arroz chega com umidade alta, ele espera mais semanas para colher o resto”, detalha.
Para o diretor, a escolha do WhatsApp como canal oficial foi decisiva para o sucesso da iniciativa, pois permitiu transformar uma relação tradicional em digital sem perder o aspecto humano. “A surpresa foi que eles esperavam isso. O agro investe muito em tecnologia”, destaca.
Resultados práticos
Com a Camila em operação, os resultados já são perceptíveis. O tempo de exportação e envio de relatórios, que antes variava de 20 a 30 minutos, agora é de apenas 2 minutos — uma redução de 90% no tempo de execução.
No atendimento aos fornecedores, o tempo de espera, que antes era de 2 a 6 horas, passou a ser praticamente instantâneo via WhatsApp, gerando um ganho de eficiência de aproximadamente 97%.
“Eram 15 pessoas respondendo perguntas como um call center. Hoje, quase 100% das interações vão para a Camila”, afirma.
Segundo ele, “criou-se um canal formal com o produtor. Ter o produtor na plataforma habilita uma série de oportunidades”.
A ferramenta já opera em nível nacional, com maior concentração de uso no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Tocantins e Maranhão, estados onde a Camil reúne uma base relevante de produtores ativos. Sobre o futuro e uma possível expansão para outras cadeias e ecossistemas de serviços, Dorico ressalta que ainda não há nada definido.
Apesar disso, a empresa acredita que “o mesmo modelo vai funcionar para o café e para o pescado, respeitando as características de cada cadeia”, finaliza.






