A fabricante de computadores e smartphones Apple trabalha num plano de sucessão para substituir, já no ano que vem, o seu presidente, Tim Cook, que tem 65 anos e lidera a companhia desde 2011, quando sucedeu no cargo Steve Jobs, cofundador da empresa, informou em reportagem o jornal britânico de negócios Financial Times.
O Conselho de Administração e executivos de alto escalão intensificaram os preparativos da sucessão recentemente, disseram ao periódico várias fontes sob condição do anonimato. A Apple não comentou o assunto.
John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware da Apple, é visto como o sucessor mais provável de Cook, ainda conforme as fontes citadas pelo Financial Times, mas nenhuma decisão foi tomada.
O planejamento sucessório vem sendo feito há anos e, de acordo com fontes próximas à Apple mencionadas pelo Financial Times, a aceleração do processo não teria a ver com resultados recentes da companhia.
No terceiro trimestre, a Apple registrou receita US$ 102,5 bilhões no terceiro trimestre, 8% acima de igual período de 2024. Após o lançamento do iPhone 17, em setembro — o Brasil foi incluído pela primeira vez na primeira leva de países a receberam a nova versão do smartphone —, a expectativa é de boas vendas nas festas de fim de ano.
Desde a ascensão de Cook ao comando da Apple, o valor de mercado da empresa saltou de cerca de US$ 350 bilhões para os cerca de US$ 4 trilhões, num contexto em que o avanço das redes sociais e da tecnologia da informação (TI) impulsionou as cotações das ações das big techs.
Desafio da IA
Ao mesmo tempo, a Apple é frequentemente citada no grupo das empresas que estariam ficando para trás na corrida tecnológica da inteligência artificial (IA), acelerada desde que o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, deu protagonismo para a área. Por isso, a empresa tem enfrentado pressão para reformular sua estratégia corporativa e aumentar a aposta na IA.
Uma das pressões é para que a Apple opte por fazer alguma grande aquisição de empresa que esteja à frente nessa corrida tecnológica — o que significaria romper com uma tradição da empresa, de desenvolver suas próprias tecnologias internamente.
Duas semanas atrás, a agência Bloomberg News revelou que a Apple estaria próxima de fechar um acordo para pagar cerca de US$ 1 bilhão por ano por um modelo de IA ultrapotente desenvolvido pela Alphabet, controladora do Google. O objetivo seria contribuir com a reformulação do assistente de voz Siri, segundo fontes que pediram para não se identificar.
Na reportagem deste sábado, o Financial Times lembrou que a Apple já fez mudanças recentes no alto escalão — Luca Maestri, diretor financeiro e próximo de Cook, deixou o cargo, e o diretor de operações, Jeff Williams, anunciou que fará o mesmo — e ressaltou que a eventual escolha de Ternus colocaria novamente um executivo da área de hardware no comando, num momento em que a entrada em novas categorias de produtos poderia ajudar a superar o desafio imposto pela IA.






