Imunizante Arexvy, da GSK, antes restrita a idosos, agora pode ser aplicada em adultos com maior risco. Decisão não significa oferta imediata no SUS; incorporação no sistema público depende de avaliação do Ministério da Saúde
SÃO PAULO, SP ( JT) – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, nesta segunda-feira (13), a ampliação do uso da vacina Arexvy, que previne a bronquiolite, para adultos com 18 anos ou mais. Desenvolvido pela GSK, o imunizante podia ser aplicado apenas em pessoas acima de 60 anos.
A decisão, porém, não significa que a vacina será incorporada de imediato pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A oferta em larga escala no sistema público depende de avaliação e compra pelo Ministério da Saúde. Procurada, a pasta não retornou até a publicação desta reportagem.
Segundo o infectologista Leandro Curi, do Hospital Felicio Rocho, em Belo Horizonte, o aparelho respiratório é dividido em parte superior, que inclui nariz, boca e garganta, e a inferior, que envolve estruturas como brônquios e pulmões. A vacina é indicada para prevenir a Doença do Trato Respiratório Inferior (DTRI) causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal agente da bronquiolite.
“Além do imunizante da GSK, há outra vacina contra o vírus sincicial respiratório disponível no mercado, a Abrysvo, desenvolvida pela Pfizer”, diz Curi.
Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde iniciou o fornecimento do imunizante da Pfizer no SUS para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A vacina, aplicada em dose única, oferece proteção aos recém-nascidos.
As doses custam acima de R$ 1.500 na rede privada e foram compradas pelo SUS por meio de um acordo entre o Instituto Butantan e a Pfizer.
Segundo informações divulgadas pela pasta, o VSR é um vírus respiratório altamente transmissível, que circula em todas as faixas etárias. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, ao tossir, espirrar ou falar, e também pelo contato com superfícies contaminadas. O vírus é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e 60% de pneumonias em crianças menores de 2 anos.
Em geral, causa sintomas leves, como coriza, tosse, febre e congestão nasal. No entanto, em casos mais graves, pode evoluir para falta de ar, chiado no peito, síndrome respiratória aguda grave e infecções do trato respiratório inferior, como bronquiolite e pneumonia.
No Brasil, os casos e as mortes pelo VSR tiveram um aumento de 61,4% e 64,6%, respectivamente, de janeiro a 20 de outubro de 2025, se comparado ao mesmo período de 2024.
“É uma infecção bastante comum, especialmente em crianças nos dois primeiros anos de vida, com maior gravidade entre os menores de seis meses. No outro extremo, adultos acima de 60 ou 70 anos também são mais vulneráveis ao vírus, podendo desenvolver quadros respiratórios importantes”, explica Rosana Richtmann, infectologista do Grupo Santa Joana, em São Paulo.
Apesar da ampliação da faixa etária, os especialistas afirmam que a indicação da vacina não é universal. O foco continua sendo grupos de maior risco, como gestantes, bebês, pacientes com doenças respiratórias crônicas, cardiopatias, imunossuprimidos, transplantados ou em tratamento oncológico.
“A gente torce para que, a médio prazo, essa vacina seja ampliada para um público maior”, diz Curi. Os efeitos adversos mais comuns são leves, como dor no local da aplicação.
O diagnóstico do VSR é, na maioria dos casos, clínico, baseado na avaliação da histórico do paciente e dos sinais e sintomas apresentados.
Segundo Richtmann, não existe tratamento específico para o vírus sincicial respiratório. O manejo é de suporte, com hidratação, controle dos sintomas, lavagem nasal e internação hospitalar e uso de oxigênio suplementar em casos mais graves.
Algumas medidas simples de hábitos de higiene ajudam a prevenir a infecção e a disseminação do vírus, como lavar as mãos com frequência, evitar contato próximo com pessoas gripadas ou resfriadas, evitar aglomerações, especialmente para bebês e idosos, e limpar e desinfetar objetos e superfícies de uso comum.
Para gestantes, a vacina é aplicada em dose única a partir da 28ª semana de gestação. Após a vacinação, a gestante produz anticorpos que são transferidos para o bebê por meio da placenta, conferindo proteção passiva ao recém-nascido.






