É a menor alta dos preços do segmento em um mês de janeiro em duas décadas, desde 2006. À época, o avanço havia sido de 0,11%.
LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ () – A inflação do grupo alimentação e bebidas desacelerou a 0,23% em janeiro no Brasil, apontam dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
É a menor alta dos preços do segmento em um mês de janeiro em duas décadas, desde 2006. À época, o avanço havia sido de 0,11%.
Os resultados são do IPCA, o índice oficial de inflação do país. O grupo alimentação e bebidas é o principal do indicador.
Por questões de oferta e demanda, a comida costuma ficar mais cara entre o final e o início de ano. O que chama a atenção é que a alta de 0,23% ficou bem abaixo da registrada em outros períodos da série histórica.
A variação também é a segunda menor para meses de janeiro desde o início do Plano Real -a moeda passou a circular em julho de 1994.
A inflação de 0,23% veio após taxa de 0,27% em dezembro. De acordo com economistas, os preços de parte dos alimentos ainda refletem questões como a ampliação da produção e a queda do dólar em 2025. A moeda americana influencia os valores das commodities.
É uma reação a boas safras e apreciação cambial no ano passado”, diz o economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia.
Dentro de alimentação e bebidas, o subgrupo alimentação no domicílio (em casa) desacelerou o ritmo de alta a 0,10% em janeiro, após marcar 0,14% em dezembro. O IBGE destacou as quedas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%) no mês passado.
Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA, disse que os preços do leite refletiram a ampliação dos estoques com os impactos da produção nacional e das importações.
Já a baixa do ovo de galinha, segundo o técnico do IBGE, está associada à trégua do custo da ração das aves e ao período de menor consumo nas férias.
Com a volta às aulas e a proximidade da quaresma, a procura pode ficar mais aquecida nos próximos meses, gerando alguma pressão sobre os preços.
O tomate, por sua vez, subiu em janeiro. A alta do alimento foi de 20,52%. De acordo com Fernando, houve efeito da “desaceleração da safra” com recentes registros de calor e chuvas.
“Teve aumento de descarte. Deu uma pressionada no preço”, disse o pesquisador.
As carnes também tiveram alta em janeiro (0,84%). O IBGE citou a carestia do contrafilé (1,86%) e da alcatra (1,61%).
O Brasil terá eleições presidenciais em 2026, e o preço da comida costuma ser apontado como um dos principais elementos de influência no voto da população.
Fatores como emprego e renda, que tiveram recuperação no país, também são considerados relevantes na decisão dos eleitores.
Nos 12 meses de 2025, a alimentação no domicílio acumulou inflação de 1,43% no IPCA. Segundo Fábio Romão, é difícil que um resultado tão baixo seja repetido em 2026.
Isso se explica pelo cenário de possível alta dos preços das carnes e dos eventuais impactos no campo do fenômeno climático El Niño, diz o economista.
A carestia da proteína animal é esperada em 2026 devido a uma inversão no ciclo da pecuária, com menor oferta de animais para abate.
Fábio projeta inflação de 3,8% para a alimentação no domicílio neste ano. Caso a estimativa se confirme, a comida passará a ser um vetor de pressão no IPCA, mas ainda mostrará uma variação bem-comportada em termos históricos, afirma o economista.
Na mediana de 2011 a 2025, o avanço da alimentação no domicílio foi consideravelmente maior, de 7,8%, aponta ele.
O custo da alimentação pesa sobretudo no orçamento das famílias mais pobres. Em termos proporcionais, essa camada da população destina uma parcela maior da renda para a compra de comida.
Alimentos e bebidas têm menor inflação para janeiro em duas décadas
Fonte: Gazeta Mercantil – Economia






