As vítimas foram alvos de tiros de arma de fogo e duas morreram no local do ataque, na noite do dia 4 de fevereiro: Ione Ferreira Costa, 56, e Nathielly Kamilly Fernandes Faria, 16. A adolescente Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, 14, morreu no dia seguinte, no hospital.
CATARINA SCORTECCI
CURITIBA, PR ( JT) – A Justiça de Minas Gerais liberou o adolescente de 17 anos que estava apreendido sob suspeita de ter cometido atos infracionais análogos ao crime de homicídio contra três pessoas em uma padaria de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte.
As vítimas foram alvos de tiros de arma de fogo e duas morreram no local do ataque, na noite do dia 4 de fevereiro: Ione Ferreira Costa, 56, e Nathielly Kamilly Fernandes Faria, 16. A adolescente Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, 14, morreu no dia seguinte, no hospital.
O adolescente foi apreendido horas depois pela Polícia Militar como suspeito de ser o autor do ataque. Ele era namorado de Nathielly, funcionária da padaria. Na quarta-feira (11), contudo, a PM prendeu um homem de 30 anos, que passou a ser o principal suspeito.
O advogado Gilmar Francisco, que atua na defesa do adolescente, informou à Folha que ele deixou o sistema socioeducativo na noite desta quinta-feira (12). Francisco disse também que o adolescente não está na casa da família por questões de segurança e reclama que “o governo de Minas falhou na proteção e no apoio ao menor”.
Segundo o advogado, ao liberar o adolescente, a Justiça estadual também determinou que ele fosse conduzido até um lugar seguro com o apoio do PPCAAM (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte), o que não ocorreu. A reportagem questionou a Polícia Civil sobre o assunto e não teve resposta até a publicação.
“O requerimento da juíza não foi cumprido, trazendo risco à segurança do menor e da família. Ele saiu [do sistema socioeducativo] pela porta da frente com a mãe em carro particular”, disse o advogado à reportagem.
Francisco também critica a condução das investigações. Segundo ele, a Polícia Civil ignorou imagens de câmeras de segurança que mostram o adolescente andando de bicicleta em uma rua, em um local distante da padaria, no mesmo momento dos tiros contra as três vítimas.
O advogado também disse ter apresentado o comprovante de um Pix feito pelo adolescente em uma mercearia, em horário próximo.
Durante uma entrevista coletiva nesta quinta, representantes da Polícia Militar e da Polícia Civil não deram detalhes sobre os elementos que levaram o adolescente ser apreendido. Disseram que as suspeitas do envolvimento dele surgiram a partir de “informações de testemunhas”.
Mas as autoridades confirmaram que o homem preso na quarta passou a ser o principal suspeito. Até aqui, a apuração não indica qualquer relação entre o homem e o adolescente, conforme a Polícia Civil.
O nome do homem não foi divulgado. Segundo os investigadores, ele tem histórico de registros relacionados a crimes como ameaças e perseguições a mulheres.
“Depois deste crime bárbaro [na padaria], soubemos de uma tentativa de homicídio dentro de uma oficina mecânica na mesma região e conseguimos imagens de câmeras de segurança, que foram comparadas a do executor do crime na padaria”, explicou o delegado Marcos Vinícius Solis.
“Nós identificamos que diversos elementos que procurávamos no autor do triplo homicídio estão presentes. Objetos apreendidos na casa dele batem tanto com os fatos ocorridos na padaria quanto na oficina mecânica. Capacete, motocicleta, características pessoais, comportamentais”, relatou o investigador.
Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, encontrada na casa dele, e os investigadores também já pediram sua prisão preventiva (sem prazo), em razão das suspeitas de autoria nos crimes da padaria e da oficina mecânica.
O delegado reforça que a investigação está em andamento. A arma encontrada na casa do homem passa por perícia.
O CASO
A Polícia Militar afirmou que testemunhas relataram que o atirador chegou à padaria de moto e, ainda com o capacete, começou a discutir com Nathielly. As outras duas vítimas tentaram intervir e o suspeito atirou contra elas.
De acordo com o boletim de ocorrência, o suspeito ainda teria apontado a arma para outra funcionária da padaria, que teria implorado para ele não atirar. O homem então teria colocado os polegares nas bochechas e mostrado a língua, em tom jocoso, antes de deixar o local.






