ENTERPRISE RELEVANCE
sábado, abril 11, 2026
No Result
View All Result
  • Home
    • Home – Layout 1
    • Home – Layout 2
    • Home – Layout 3
  • Banking
  • Investing
  • Insurance
  • Retirement
  • Taxes
ENTERPRISE RELEVANCE
No Result
View All Result
Home Investing

Ações de Trump contra Brasil deixarão sequelas permanentes, diz ex-funcionária do governo americano

Redação by Redação
agosto 18, 2025
in Investing
132 1
0
152
SHARES
1.9k
VIEWS
Share on FacebookShare on Twitter

(FOLHAPRESS) – As ações do presidente Donald Trump contra o Brasil vão deixar “sequelas permanentes” na relação bilateral, opina Jana Nelson, a brasileira-americana a chegar mais longe na hierarquia do governo dos EUA.

Para ela, houve uma quebra de confiança de impactos duradouros por causa das sanções e tarifas impostas por Trump e as ameaças contra o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal. “Daqui a 20 anos, vão fazer referência ao que está acontecendo hoje, vão dizer: é por isso que não se pode acreditar no que diz o governo americano.”

Nelson foi responsável pelas relações com o Brasil no Departamento de Estado durante cinco anos e chegou a subsecretária de Defesa, cargo que deixou em janeiro, com a posse de Trump. Filha de americanos, nascida e criada em Manaus, mudou-se para os EUA após se graduar em relações internacionais na Universidade de Brasília.

Depois de um mestrado na Universidade Georgetown, passou no exame de admissão do governo americano e entrou no Departamento de Estado. Para ela, as sanções e tarifas impostas por Trump alimentam o antiamericanismo no Brasil, que já era latente. E levam ao mesmo tipo de desconfiança que foi gerada pelo apoio ao golpe de 1964.
*
Folha – Por ser uma brasileira-americana que trabalhou tantos anos no governo dos EUA, como a sra. se sente diante dessa crise bilateral?

Jana Nelson – Primeiro, queria dizer que o que está acontecendo agora é inaceitável. O uso de uma lei tarifária de emergência para fins coercitivos, uso de sanções para fins de vingança, não é algo normal. Dito isso, as consequências são reais e vão ser de longo prazo. Dediquei os últimos 20 anos da minha carreira a essa relação bilateral, a traduzir um país para o outro. São países muito mais similares do que eles creem. São grandes, com economias domésticas imensas, com ambições internacionais, que olham muito para o próprio umbigo.

Historicamente, sempre houve muita desconfiança entre os dois lados. Eu acreditava que podíamos melhorar isso. É um tema muito maior que eu, mas, para mim, é emocionalmente difícil também, porque o que está acontecendo deixará sequelas permanentes. Daqui a 20 anos, vão fazer referência ao que está acontecendo hoje, vão dizer: é por isso que não se pode acreditar no que diz o governo americano.

Folha – Que tipo de impactos podemos esperar?

Jana Nelson – Vários pressupostos que a gente tinha de como os Estados Unidos se portam, várias suposições que nós, americanos, tínhamos sobre nosso país e nosso governo estão sendo rompidos. O fim da Usaid (agência de ajuda externa dos EUA) é um grande exemplo disso. Sempre acreditamos em livre comércio, em globalização, e usar sanções e tarifas do jeito atual muda tudo isso. A gente sempre buscava relações de ganho mútuo, não apenas transicionais, competitivas.

Mesmo que mude o governo e tenhamos um presidente mais amigável internacionalmente, as coisas não voltarão a ser como eram. Os outros países não vão acreditar em nós, não vão querer trabalhar conosco. Já há diversificação econômica e de política externa no Brasil e em vários países, porque existe uma suspeita agora incrustada no sistema de que os EUA não são confiáveis.

Folha – No caso do Brasil, a sra. considera que isso alimenta um antiamericanismo?

Jana Nelson – Com certeza, alimenta um antiamericanismo que sempre foi meio latente. E vai alimentar por muitos anos, vai ser um momento histórico, como foi a ditadura militar [com o apoio americano ao golpe de 1964]. Vai virar o mesmo tipo de exemplo a ser usado no futuro. É uma pena.

Folha – Autoridades brasileiras não conseguem nem ser recebidas por integrantes do governo americano para discutir as tarifas. O que o Brasil poderia fazer em termos de negociação? Alguns analistas afirmam que se trata, também, de uma reação de Trump ao Brics e à ideia de desdolarização.

Jana Nelson – Trump pegou o Brasil para Cristo porque se vê em Bolsonaro. Ele quer ajudar um aliado que, na percepção dele, passou por exatamente a mesma coisa que ele passou. É uma oportunidade para Trump vingar a sua própria história. Agora, claro, há outros fatores, e analistas citarão várias outras razões. Mas, no fim das contas, Trump não está prestando tanta atenção na questão do Brics, nas nuances dos alinhamentos geopolíticos. Para ele, o Brasil é um caso pessoal. Acho que o Itamaraty escolheu um bom caminho, que é levar para a Organização Mundial do Comércio, um lugar legítimo, embora pouco eficiente.
Houve a visita dos senadores recentemente, tentando criar caminhos de conversa. Há um esforço de pelo menos dizer: “estamos interessados em conversar com vocês”. Mas, embora a situação econômica requeira buscar o apaziguamento, isso é muito difícil do lado político. Não há muita razão para Trump diminuir a pressão que ele próprio criou. Não vejo ganho político em tentar, neste momento, uma reunião ou telefonema com Trump. Os líderes viram o que aconteceu com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e o da África do Sul, Cyril Ramaphosa [ambos foram constrangidos em reuniões na Casa Branca]. O presidente Lula não quer se colocar nessa situação, é completamente compreensível.

Folha – Em seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas e depois cotas sobre a exportação de alumínio e aço, incluindo do Brasil. Após alguns meses, as cotas foram flexibilizadas por pressão das siderúrgicas nos EUA que compram aço brasileiro. A sra. vê espaço para algo desse tipo?

Jana Nelson – Sim, a pressão de empresas privadas seria um instrumento viável de negociação. Outro instrumento que poderá ser útil para o Brasil é o movimento nos Estados Unidos de tentar limitar o uso da International Emergency Economic Powers Act of 1977 (Ieepa) como justificativa para o tarifaço. Há um projeto de lei que foi introduzido no Senado usando o caso brasileiro como principal exemplo. Se eles forem bem-sucedidos no Congresso, que atualmente não é controlado pelos democratas, isso resolverá o problema do Brasil e de muitos outros países afetados pela Ieepa.

Folha – Considerando que os republicanos detêm a maioria no Senado e na Câmara, é realista contar com a aprovação dessa lei?

Jana Nelson – O uso da Ieepa vai levar a aumento da inflação nos EUA em algum momento. Há muitos legisladores republicanos que não são a favor dessa política econômica. Então não hoje, mas talvez em seis meses, quando os efeitos dessa política tarifária forem muito mais presentes no dia a dia do cidadão americano, congressistas republicanos podem decidir apoiar limites para a Ieepa.

Folha – Qual o reflexo da crise com os EUA na relação do Brasil com a China?

Jana Nelson – É natural qualquer país, não só o Brasil, buscar a diversificação de parceiros econômicos, políticos e diplomáticos depois de os EUA optarem por essa “weaponization of interdependence” [transformar a interdependência em arma]. A consequência natural de tudo isso é que, depois de anos buscando melhoria econômica e de qualidade de vida por meio da interdependência econômica, agora os países se voltem para a autossuficiência. Voltamos a uma era econômica muito mais parecida com os anos 70, com a formação de campeões nacionais, de nacionalização de certas indústrias. E, ao mesmo tempo, reduzir a dependência dos EUA.

É preciso, porém, ter um pouco de cuidado para não sair de uma situação complicada para entrar em outra. Interdependência econômica dos Estados Unidos pode ser perigosa, mas a interdependência econômica da China também é. É importante não deixar que o pêndulo vá muito para o lado da China, porque vai gerar dependência econômica de um país que tem menos afinidade cultural e menos afinidade de valores e tem usado dependências econômicas para fins políticos.

Jana Nelson, 41

Formada em relações internacionais pela Universidade de Brasília e tem mestrado pela Universidade Georgetown. Ela foi subsecretária de Defesa dos EUA para o Hemisfério Ocidental (deixou o cargo em janeiro deste ano), assessora sênior da missão dos EUA na ONU, e integrante da equipe responsável pelo Brasil no Departamento de Estado (2010-2015). Atualmente, é chefe para América Latina do Instituto Tony Blair – mas, nesta entrevista, fala em caráter pessoal.

Autor da série “M”, Antonio Scurati analisa o legado do fascismo e vê paralelos entre líderes atuais e regimes autoritários do século 20, ressaltando que o populismo soberanista representa hoje uma ameaça concreta à democracia liberal

Folhapress | 11:15 – 17/08/2025

Ações de Trump contra Brasil deixarão sequelas permanentes, diz ex-funcionária do governo americano

Related Posts

Investing

Trump afirma que iranianos "não têm cartas" para negociações exceto Ormuz

abril 11, 2026
Investing

Líder supremo do Irã estaria desfigurado após ataque que matou seu pai

abril 11, 2026
Investing

Menino é resgatado nu e desnutrido após quase dois anos preso em van

abril 11, 2026
Investing

Xi Jinping se reúne com líder da oposição de Taiwan e diz que rejeita independência

abril 10, 2026
Investing

Khamenei reforça que Estreito de Ormuz terá novas regras para passagem

abril 10, 2026
Investing

Brasil e EUA lançam programa de compartilhamento de informação contra tráfico de armas e drogas

abril 10, 2026

MATÉRIAS RECENTES

  • Keanu Reeves busca redenção em comédia sobre a cultura do cancelamento
  • Schumacher desvaloriza eventual saída de Verstappen: “Outro aparecerá”
  • Goiás e Avaí defendem a liderança pela Série B do Brasileirão
  • Fernanda Lima fala sobre divisão de contas com Rodrigo Hilbert
  • São Paulo vai a Salvador com desfalques importantes para encarar o Vitória
ENTERPRISE RELEVANCE

We bring you the best Premium WordPress Themes that perfect for news, magazine, personal blog, etc. Check our landing page for details.

Categorias

  • Banking
  • Economia
  • Insurance
  • Investing
  • Negócios
  • News
  • Política
  • Retirement
  • Uncategorized

Follow us on social media

Recent News

  • Keanu Reeves busca redenção em comédia sobre a cultura do cancelamento
  • Schumacher desvaloriza eventual saída de Verstappen: “Outro aparecerá”
  • Goiás e Avaí defendem a liderança pela Série B do Brasileirão
  • Home
  • Banking
  • Investing
  • Insurance
  • Retirement
  • Taxes

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #874 (sem título)
  • Home
  • Home 2
  • Home 3
  • Sample Page

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
This website uses cookies. By continuing to use this website you are giving consent to cookies being used. Visit our Privacy and Cookie Policy.