Tendência mundial, o mercado de piscinas com ondas artificiais instaladas em cidades tem atraído cada vez mais surfistas e pessoas que querem aprender o esporte, e que não têm tempo ou condições de ir para o litoral. Estados Unidos, Austrália, Japão e Emirados Árabes são alguns países que se renderam à tendência, oferecendo inovação, qualidade e acessibilidade.
Não é para menos. O mercado global de surfe deve atingir US$ 5,5 bilhões (R$ 30,7 bilhões) até 2030, crescendo a uma taxa anual composta (CAGR) de 4% entre 2022-2030, segundo relatório da Research and Markets. A expansão é impulsionada pela crescente popularidade do surfe como esporte e estilo de vida, bem como pelo aumento do turismo de surfe.
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No Brasil, o segmento cresce especialmente em São Paulo, tanto na capital como no interior, se popularizando entre os mais afortunados. Mas por aqui, a experiência oferecida vai muito além de piscinas de ondas artificiais geradas por tecnologias avançadas. A cidade dispõe de clubes completos, que propiciam aos surfistas e suas famílias atividades e esportes para além do surfe, como também restaurantes, coworking e hospedagem.
Uma das responsáveis por trazer esta tendência à São Paulo foi a JHSF. A incorporadora entrou para o universo dos clubes de surfe para a elite em 2023, quando inaugurou o Boa Vista Village Surf Club, construído em uma área de mais de 2,5 milhões de m² no Complexo Boa Vista, em Porto Feliz, interior da cidade.
A piscina para prática de surfe, com 220 metros de comprimento por 130 metros de largura, utiliza a tecnologia americana PerfectSwell, de uso exclusivo da JHSF no Brasil, que permite ondas de até 22 segundos de duração. O sistema é capaz de produzir mais de 100 tipos de ondas, em tamanhos e velocidades, para atender os diversos níveis de prática de surfe.
Além da piscina de surfe, o clube oferece quadras de tênis, beach tennis, campo de golfe e de futebol, além de um centro de treinamento equestre. O local também oferece um complexo residencial de casas e apartamentos, além de um hotel com 57 quartos, espaço de eventos, bar e restaurante, além de uma piscina exclusiva para hóspedes.
Com o sucesso do primeiro clube, a JHSF projetou o seu segundo empreendimento do tipo, desta vez na capital: o São Paulo Surf Club. Localizado em frente à Ponte Estaiada, no Complexo Cidade Jardim, o clube integra o São Paulo Surf Club Residences, lançamento da JHSF na zona sul – a adesão ao clube de surf é independente dos empreendimentos residenciais.
“Sabendo que a cidade de São Paulo é o município não litorâneo com a maior quantidade de surfistas do mundo, tivemos a certeza que o empreendimento na capital paulista teria uma ótima aceitação”, afirma Augusto Martins, CEO da incorporadora.
O clube ainda conta com restaurante e bar, além de spa, academia, quadras de tênis coberta e descoberta, beach tennis, quadra de pickleball, squash e poliesportiva. A piscina de ondas possui a mesma tecnologia do Boa Vista Village Surf Club, empreendimento em Porto Feliz.
O preço para usufruir de tudo isso é salgado. A adesão individual ao São Paulo Surf Club custa aproximadamente R$ 750 mi. A versão familiar tem valores em torno de R$ ,5 milhão incluindo titular, cônjuge e três dependentes de até 35 anos. Há ainda uma taxa anual de aproximadamente R$ 25 mil.
Segundo Martins, a piscina para a prática de surf já está pronta, inclusive já passou por testes com surfistas profissionais no final de fevereiro, e desde maio, os membros têm surfado em uma fase pré-operacional no clube. As obras continuam em andamento e a abertura oficial está prevista para o segundo semestre de 2025.
O próximo empreendimento da JHSF na capital paulista, também em fase de finalização, será o seu primeiro clube de esportes de raquete em São Paulo, o Fasano Tenis Club, que de acordo com o CEO, visa suprir uma demanda por quadras de qualidade na cidade. O espaço compreende instalações para squash, pickleball, simulador de golfe, spa, fitness center e piscinas, além de restaurantes e bares Fasano e toda a estrutura de tênis.
Empreendedor e surfista
Foi também diante do sucesso de uma primeira empreitada neste segmento que o empresário e surfista Oscar Segall decidiu trazer a praia para dentro da metrópole. Depois de criar em 2021 a Praia da Grama, dentro do condomínio privado Fazenda da Grama, em Itupeva, interior de SP, o sócio-fundador da KSM Realty idealizou um novo conceito de clube esportivo com ondas artificiais na Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo: o Beyond the Club.
Ninguém menos que o tricampeão mundial de surfe Gabriel Medina foi escolhido como “a cara” do projeto e como sócio da gestora. Denominado como um “clube high experience”, o Beyond tem o propósito de oferecer uma experiência completa de bem-estar, esporte, entretenimento e networking.
Entre os principais diferenciais do empreendimento previsto para ser inaugurado em sua totalidade em outubro – por enquanto alguns sócios podem usar a piscina de ondas – estão um skate park indoor e uma praia com atmosfera natural, de 28 mil m² com a tecnologia de simulação de ondas Wavegarden.
Esta tecnologia permite a criação de mais de 900 ondas por hora, com alturas entre 0,5 e 2 metros, oferecendo mais de 20 tipos de ondas, incluindo tubos, sendo uma onda a cada 4 segundos, de cada lado, para surfistas de todas as idades e níveis de surf. Com capacidade para atender até 900 surfistas por dia, a piscina proporciona uma experiência próxima à do oceano, com água cristalina e som natural das ondas.
Para quem busca atividades variadas, o Beyond conta com simuladores de alta tecnologia de esqui, snowboard, golf e automobilismo, além de quadras de beach tennis, tênis indoor e de saibro outdoor, squash, padel, pickleball, campo de futebol society, e um ginásio poliesportivo.
O clube também abrigará restaurantes, bares, charutaria, sala de jogos e lounges para eventos. Para integrar lazer e negócios, o espaço oferece, ainda, um coworking com estações de trabalho e salas privativas. Além da estrutura completa há, ainda, um espaço destinado a hospedagens exclusivas para sócios.
Comprometido com a sustentabilidade, o projeto já teve 97% dos resíduos gerados na construção do clube reciclados, ao invés de serem descartados em aterros sanitários. Além disso, os materiais passaram por britagem para serem reutilizados na própria obra, e, para criar a grande piscina de ondas e ajustar o terreno ao projeto, um grande volume de terra foi remanejado internamente, reduzindo a necessidade de descarte e minimizando o trânsito de caminhões na região.
Segundo Segall, 50% dos títulos já foram vendidos – os preços da titularidade partem de R$ 770 mil. “Ainda é caro, mas vendemos bem-estar, felicidade e amizade com qualidade de vida. Acredito que a quantidade de clubes que vêm por aí deve fazer com que os preços comecem a cair”, diz ele.
Sustentabilidade social envolvida
Construir grandes complexos com piscinas artificiais em uma grande metrópole pode não só custar caro para o bolso dos usuários, mas também ao meio ambiente e aos menos favorecidos. Na opinião de Anna Julia Dietzsch, arquiteta e urbanista pela USP, com mestrado em Desenho Urbano pela Escola de Design de Harvard, para além do impacto ambiental, existe uma questão de sustentabilidade social envolvida que é um pouco perigosa.
Há vinte anos Anna trabalha entre São Paulo e Nova York, desenhando edifícios e lugares que promovam uma arquitetura da convivência e uma cidade que valorize o convívio entre as pessoas e a natureza. Sócia diretora do escritório Arquitetura da Convivência (ArC), ela cita um projeto de uma piscina pública que fez em Nova York para ilustrar a questão social mencionada.
A Pop-Up-Pool no Brooklyn Bridge Park foi construída por pressão das comunidades vizinhas e instalada em terreno destinado a empreendimentos privados para cobrir os custos de manutenção do parque. “Ao contrário de uma piscina de ondas high-tech, a piscina pública foi feita com budget extremamente reduzido (muita doação, uso de lajes existentes, etc) em um terreno que depois seria vendido pelo Brooklyn Bridge Park para um desenvolvimento imobiliário”. Construída para ficar ativa por 4 anos, foi tão bem acolhida que funcionou por 8 anos.
“Instalar uma praia artificial com uma piscina de ondas na beira de um rio poluído, sufocado pela cidade há muitas décadas para o uso exclusivo de um grupo minoritário, coloca-se em pauta em pauta essa questão de que a cidade não vale a pena, eu me fecho no meu muro, na minha piscina, de costas para um rio morto”, afirma. “Se a gente sempre tenta se desviar dos problemas que são estruturais, através da solução privada, onde vamos parar?”.
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